Procuradores federais dos EUA apresentaram, na última quinta-feira (15), acusações formais contra 26 pessoas envolvidas em um esquema de manipulação de apostas em jogos de basquete.
O caso abrange tanto a NCAA (liga universitária dos EUA) quanto competições internacionais, como da Associação Chinesa de Basquete (CBA). As investigações apontam fraudes ocorridas entre setembro de 2022 e fevereiro de 2025.
Entre os acusados está Antonio Blakeney, ex-jogador do Chicago Bulls, que teria atuado em conjunto com apostadores para manipular partidas na China durante a temporada 2022/2023.
Acusação
Segundo a acusação, o sucesso das operações na liga chinesa motivou o grupo a expandir o esquema para a Divisão I da NCAA (a principal do basquete universitário), envolvendo mais de 39 atletas de 17 times e impactando mais de 29 jogos.
O grupo aliciava jogadores universitários com menor visibilidade e poucas oportunidades de ganhos com direitos de imagem. Os valores oferecidos como propina variavam entre US$ 10 mil e US$ 30 mil por partida, para que os atletas garantissem que seus times não cobrissem o spread (margem de pontos nas apostas) no primeiro tempo ou no placar final.
As acusações formalizadas na Filadélfia incluem suborno esportivo, conspiração para fraude eletrônica e outros crimes federais.
“As consequências aqui são muito maiores do que qualquer coisa em um bilhete de aposta. As acusações criminais que apresentamos alegam corrupção criminosa no esporte universitário por meio de uma conspiração internacional envolvendo jogadores, ex-alunos e apostadores profissionais da NCAA”, contou o procurador federal David Metcalf.
Investigação
A operação, conduzida com apoio do FBI (polícia federal dos EUA), contou com dois anos de apuração com trabalho de inteligência dos agentes.
“Que isso sirva de alerta para atletas profissionais e universitários, e para qualquer pessoa que tente manipulá-los: não há para onde fugir. O ganho a curto prazo nunca compensará a perda a longo prazo”, diz Wayne Jacobs, agente especial do FBI na Filadélfia.
Dois dos réus, Shane Hennen e Marves Fairley, foram classificados como apostadores de “alto risco”. Hennen já havia sido citado anteriormente em investigações relacionadas a esquemas de apostas na NBA.
O impacto da denúncia foi imediato. Jogadores citados que ainda estavam em atividade, como Simeon Cottle (Kennesaw State) e Carlos Hart (Eastern Michigan), foram suspensos por suas universidades.
NCAA
O presidente da NCAA, Charlie Baker, afirmou que a entidade colaborou com as autoridades e já iniciou processos internos para punir esportivamente os envolvidos.
“Graças à colaboração proveitosa e aos órgãos reguladores do setor, concluímos ou iniciamos investigações sobre quase todas as equipes indiciadas hoje”, afirma Baker.
A NCAA já havia anunciado, por meio de diversas investigações, que constatou que pelo menos 11 jogadores de basquete universitário masculino da Divisão I, de sete universidades, apostaram em seus próprios desempenhos, compartilharam informações confidenciais com apostadores ou manipularam seus resultados.
