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A evolução das camisas das seleções campeãs mundiais ao longo das Copas do Mundo: Uruguai

Seleção celeste, que usou uniformes de uma marca global pela primeira vez no Mundial de 1974, encerrou uma longa parceria com a Puma para assinar um acordo de oito ano com a Nike em 2024

Luis Suárez veste a camisa da seleção uruguaia usada na Copa do Mundo de 2014 - Reprodução

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  • Uruguai vestiu marcas nacionais até 1970 e iniciou parceria com Adidas em 1974, primeira multinacional a produzir seus uniformes.
  • Puma teve uma longa relação com AUF de 2006 a 2023, até crise em 2016 gerar fim da intermediação pela Tenfield e independência comercial da federação.
  • Nike será fornecedora oficial de material esportivo até 2032, com design que une tradição no uniforme titular e estilo streetwear no reserva para 2026.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Sede da primeira edição da Copa do Mundo da Fifa, realizada em 1930, o Uruguai disputou e venceu o torneio com uniformes produzidos pela marca britânica St. Margaret, que forneceu camisas para diversos times ingleses, sul-americanos e algumas seleções nacionais entre o início do Século XX e a Segunda Guerra Mundial.

Réplica da camisa usada pela seleção uruguaia na Copa do Mundo de 1930 – Reprodução

Ausente nas edições de 1934 e 1938 do Mundial, o país só voltou a disputar uma Copa do Mundo em 1950, quando se sagrou bicampeão do torneio realizado no Brasil. Desta vez, porém, a produção dos uniformes da seleção celeste ficou por conta da marca uruguaia Atleta Banquero & Cia.

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As camisas do Uruguai seguiram sendo produzidas por marcas nacionais até a Copa do Mundo de 1970. Nesse período, além da Atleta Banquero & Cia, empresas de material como Siré, Caza Fazio, Fornos e Sanz Hermanos chegaram a fornecer uniformes para a seleção.  

Já na Copa do Mundo de 1974, a Adidas foi a responsável pelas camisas do Uruguai, representando o primeiro acordo da Associação Uruguaia de Futebol (AUF) com uma marca esportiva multinacional. Além disso, o Mundial também marcou a primeira vez que o uniforme celeste estampou a logomarca da sua fabricante.

Réplica da camisa usada pela seleção uruguaia na Copa do Mundo de 1974 – Reprodução

Sem conseguir se classificar para as Copas do Mundo de 1978 e 1982, o Uruguai voltou ao torneio da Fifa na edição de 1986, em que vestiu uniformes da Le Coq Sportif. Já em 1987, a Puma assumiu o fornecimento de material esportivo da seleção e produziu os uniformes usados pelos uruguaios no Mundial de 1990. No ano seguinte, o acordo da marca alemã com a AUF chegou ao fim.

Fora das outras duas Copas do Mundo disputadas na década de 1990, em 1994 e 1998, o Uruguai conseguiu se classificar para o Mundial de 2002, realizado na Coreia do Sul e no Japão. No torneio, a seleção celeste vestiu uniformes da fornecedora italiana L-Sporto, em um acordo que durou apenas de maio a julho daquele ano e foi intermediado pela agência Tenfield.

Réplica da camisa usada pela seleção uruguaia na Copa do Mundo de 2002 – Reprodução

Vale destacar que, no fim dos anos 1990, a AUF cedeu os direitos de imagem da seleção uruguaia à rede de televisão Tenfield, que passou a negociar os contratos de patrocínio e material esportivo em nome da entidade.  

Sob essa estrutura, a Puma estabeleceu uma parceria longeva como fornecedora dos uniformes celestes e vestiu a seleção uruguaia de 2006 a 2023, período em que o país disputou as Copas do Mundo de 2010, 2014, 2018 e 2022. No entanto, uma crise política e financeira aconteceu no processo de renovação do acordo em 2016.

Isso porque o contrato intermediado pela Tenfield pagava cerca de US$ 750 mil anuais à AUF, valor que era considerado abaixo do mercado. A Nike, então, apresentou uma oferta de US$ 24,5 milhões por um acordo de sete anos para assumir o fornecimento de material esportivo da seleção uruguaia a partir de 2017.

Por conta disso, os jogadores do Uruguai publicaram comunicados exigindo transparência e democratização dos recursos da AUF, alegando que o ativo da “camisa celeste” deveria pertencer ao povo uruguaio e não a intermediários.

Apesar da Tenfield ter exercido sua cláusula de preferência para igualar a oferta da Nike e manter a Puma como responsável pelo uniforme da seleção até 2023, o episódio marcou o início de um movimento que gerou o fim do modelo de intermediação e ajudou a promover a independência comercial da Federação Uruguaia.

Com isso, em 2024, a AUF anunciou a Nike como nova fornecedora de material esportivo com um contrato negociado de forma independente. Após um processo de licitação, a marca do Swoosh foi a escolhida para produzir os uniformes celestes em um acordo de oito anos, válido até 2032.

Design

A identidade visual da seleção do Uruguai se sustenta na narrativa das quatro estrelas acima do escudo, referentes aos ouros olímpicos de 1924 e 1928, além  dos Mundiais conquistados em 1930 e 1950. A manutenção dessa estética exigiu um embate institucional em 2021, quando a AUF conseguiu o direito de manter as estrelas nas suas camisas perante a Fifa. 

Nos últimos anos, as estratégias de design para maximizar as vendas da camisa celeste passaram a unir tecnologia e cultura. Na Copa do Mundo de 2014, por exemplo, a Puma introduziu a tecnologia ACTV, com fitas elásticas internas para micromassagens musculares.

No aspecto cultural, o modelo de 2018 se tornou um marco comercial ao estampar um gráfico em relevo do monumento “Un sol para Atlántida”, do artista Carlos Páez Vilaró. Outro destaque histórico de vendas foi a edição de 2002 da italiana L-Sporto, que apostou na nostalgia com uma gola de cadarço inspirada na conquista de 1930, iniciando um movimento de “camisas retrô” como estratégia de faturamento.

Camisa usada pela seleção do Uruguai na Copa do Mundo de 2018 – Reprodução

Já para a Copa do Mundo deste ano, a Nike planeja aproximar a camisa do Uruguai dos universos do lifestyle e da cultura urbana. A estratégia foca no movimento “Blockcore”, que integra uniformes de futebol à moda streetwear, buscando atingir o público jovem global.

Nesse sentido, o uniforme reserva do Uruguai para 2026 apresenta uma estética diferente do padrão usado em Mundiais anteriores e traz uma camisa na cor base azul-escuro com detalhes em outros tons azulados e metálicos.

Seleção uruguaia utilizará uniforme reserva com estética mais arrojada na Copa do Mundo de 2026 – Reprodução

O design arrojado da Nike busca integrar o modelo reserva ao cenário crescente de uso de roupas de equipes de futebol como artigo de moda urbana, enquanto o uniforme titular se conecta mais com a tradição histórica da seleção celeste.