A recente reclamação de jogadores da seleção francesa, como Kylian Mbappé e Rayan Cherki, contra a Federação Francesa de Futebol (FFF) por conta da campanha publicitária da Betclic, patrocinadora da equipe, trouxe novamente à tona os conflitos comerciais que surgem em Copas do Mundo.
Os jogadores alegaram que suas imagens foram utilizadas sem consentimento, ampliando o debate sobre direitos individuais e contratos coletivos.
França 2022
Na Copa do Catar 2022 já existira um conflito prévio entre alguns jogadores, liderados por Mbappé, capitão da seleção francesa, e a FFF. Na época, o atacante havia deixado claro que não queria associar sua imagem a alimentos ultraprocessados, redes de fast food e casas de apostas.
“Não estávamos de acordo em alguns casos, como marcas relacionadas a saúde alimentar ou apostas. Muitos de nós viemos de bairros em que essas coisas destruíram muita gente. Eu mesmo conheço pessoas que sofreram”, declarou.
Em 2023, um acordo coletivo foi assinado entre os atletas e a entidade, intermediado pelo Sindicato Nacional dos Jogadores Profissionais (UNFP), que formatou regras de direito de imagem dos jogadores para uso dos patrocinadores da seleção.
Na controvérsia deste ano, a Betclic fez valer uma cláusula contratual de seu acordo com a federação francesa, na qual tem o direito de usar a imagem de cinco ou mais jogadores como “parte de uma promoção coletiva da equipe”. Os integrantes do elenco, porém, não foram avisados de que imagens tiradas na concentração da França seriam utilizadas como publicidade de apostas.
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Alemanha 2006
Na Copa do Mundo da Alemanha 2006, o conflito ocorreu justamente entre os atletas da seleção anfitriã. Houve divergência entre jogadores que tinham patrocínio individual da Nike, como o goleiro Jans Lehmann e o atacante Miroslav Klose, e a federação alemã, patrocinada pela Adidas.
Klose, que terminaria o torneio como artilheiro, com cinco gols, reclamou de ter que usar chuteira da marca das três listras, que tinha contrato de exclusividade com a seleção alemã. Lehmann foi mais além, alegando ter sentido “dores insuportáveis” por ter que usar material da Adidas.
O caso expôs a dificuldade de conciliar acordos pessoais de atletas com os compromissos comerciais das federações. A partir da Copa de 2010 essa obrigatoriedade foi derrubada e os atletas passaram a ter o direito de utilizar chuteiras de seus patrocinadores pessoais.
Brasil 1990
Outro episódio famoso ocorreu com a seleção brasileira na Copa do Mundo da Itália, em 1990. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) assinou contrato com a Pepsi, que previa que os atletas receberiam 20% do total do acordo.
O problema é que os jogadores acabaram descobrindo que o valor do contrato era muito acima dos números que a CBF havia divulgado ao elenco, o que gerou indignação. Como forma de protesto, os atletas colocaram a mão no peito em uma foto oficial da equipe, na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), cobrindo o patrocínio da marca de refrigerantes no uniforme de treinamento.
Os conflitos internos e desunião do grupo naquela seleção foram apontados como uma das razões para o fracasso do Brasil no Mundial de 1990. A equipe acabaria eliminada nas oitavas de final, ao perder para a Argentina por 1 a 0.
