Única grande liga esportiva dos Estados Unidos que não está na intertemporada, a Major League Baseball (MLB) agendou para este domingo (19) uma rodada dupla que envolve dois de seus principais times. New York Yankees e o Los Angeles Dodgers se enfrentam no Yankee Stadium, em Nova York, sendo que uma das partidas, iniciada às 13h35 (horário de Brasília), é a conclusão de um confronto de sábado (18), que precisou ser paralisado por conta do mau tempo.
Mais tarde, às 20h20, as duas equipes voltarão ao mesmo local para um novo duelo. O interessante é que, nesse meio-tempo, a cerca de 20 quilômetros dali, no Nova York/Nova Jersey Stadium, Espanha e Argentina decidem aquele que é considerado o maior torneio esportivo do planeta, a Copa do Mundo de 2026.
O Yankee Stadium tem capacidade para pouco mais de 46 mil torcedores, e a expectativa é de que o jogo da noite tenha casa cheia, não apenas pela rivalidade entre as duas equipes, mas pela presença do astro Shohei Ohtani, principal estrela do beisebol mundial e que é capaz de movimentar US$ 780 milhões por temporada nos Estados Unidos e no Japão, seu país natal.
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O cenário em que a MLB toca sua vida normalmente, sem se sentir incomodada pela final da Copa do Mundo, coloca em xeque a hipótese de que o torneio da Federação Internacional de Futebol (Fifa) engajou de fato o público dos Estados Unidos.
Por enquanto, essa é uma pergunta difícil de ser respondida. O sucesso da rodada dupla de beisebol parece indicar que, para o cidadão médio norte-americano, o “soccer” ainda está longe de ser um esporte de massas e capaz de mobilizar, ainda mais numa final da qual seleção local nunca sonhou em participar.
Mas existem outros aspectos que merecem ser analisados. A começar pelo fato de que a sociedade dos Estados Unidos é heterogênea e conta com contingentes imensos de imigrantes oriundos de países onde o futebol é o principal esporte.
Conforme noticiou a Máquina do Esporte, um levantamento feito nesta semana pelo site The Athletic, do The New York Times, mostrou que quase 20% das compras de ingressos no StubHub para a final da Copa de 2026 vieram de compradores internacionais, contra apenas 4,5% no Super Bowl de 2024.
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Portanto, a final da Copa de 2026 terá casa cheia, mesmo sendo o evento esportivo com ingressos mais caros da história, também por conta dos turistas. Mas não se pode ignorar que 80% dos compradores vivem nos Estados Unidos.
Interesse institucional
Desde que retornou ao poder, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem procurado estreitar suas relações com a Fifa.
Em um curto intervalo de tempo, o país sediou as duas principais competições promovidas pela entidade (além do Mundial deste ano, recebeu também a primeira edição da Copa do Mundo de Clubes, no ano passado).
Não se pode esquecer que a atual configuração do xadrez político no futebol do planeta é resultado direto da intervenção dos Estados Unidos a partir do Fifagate, quando inúmeros dirigentes da própria Fifa e de outras entidades influentes como Conmebol e CBF foram presos pelo FBI, acusados de corrupção, lavagem de dinheiro e desvios.
A partir dali, a terra do Tio Sam passou a exercer um controle nunca antes visto nesse esporte. As causas por trás desse interesse vão além do combate à corrupção e envolvem, na verdade, interesses comerciais, financeiros e geopolíticos.
Para tanto, basta notar a quantidade de fundos privados e até mesmo de indivíduos endinheirados dos Estados Unidos Unidos que passaram a comprar clubes de futebol na Europa e na América Latina.
Por outro lado, o esforço de Trump para se associar ao evento permite uma dupla leitura. Ao mesmo tempo em que tenta reforçar a influência de seu governo no cenário global, o mandatário talvez note que o sucesso desta edição da Copa rende prestígio a ele junto ao público doméstico.
O movimento feito pela National Football League (NFL) de lançar produtos que dialogam com o Mundial e com o futebol parecem indicar que os norte-americanos talvez não estejam tão alheios ao torneio.
Em coluna publicada nesta semana na Máquina do Esporte, o diretor sênior de produtos da U.S. Soccer, Cristiano Benassi, reconheceu que o futebol terá um longo caminho até conseguir quebrar o domínio mercadológico de outras modalidades tradicionais dos Estados Unidos.
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Ainda assim, o executivo acredita que a Copa de 2026 engajou o público norte-americano. Ele citou como exemplo as audiências registradas nas transmissões em inglês de jogos da seleção do país, em especial o confronto com da Bélgica, pelas oitavas de final.
O jogo atingiu a marca de 50,1 milhões de espectadores, alcançando o status de evento esportivo com maior audiência no país neste século, excluindo-se, é claro, as transmissões da NFL.
