As pausas para hidratação implementadas pela Fifa durante a Copa do Mundo 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, têm gerado questionamentos sobre sua real finalidade.
Embora anunciadas como medidas para o bem-estar dos jogadores, os intervalos de três minutos vêm sendo melhor aproveitados por emissoras de TV detentoras dos direitos de transmissão para conseguir exposição adicional para seus patrocinadores.
Interrupções
Na partida entre Catar e Suíça, o árbitro determinou a pausa aos 21 minutos e 55 segundos do segundo tempo, mas o jogo só foi retomado aos 25 minutos e 18 segundos, após a exibição de anúncios nas transmissões da TV dos Estados Unidos.
Situação semelhante ocorreu no jogo da seleção brasileira contra Marrocos, quando os jogadores estavam prontos para reiniciar antes do fim dos comerciais, mas tiveram de esperar.
A Fifa não estabeleceu critérios de temperatura mínima para a aplicação das pausas, permitindo que elas ocorram em qualquer partida, independentemente das condições climáticas.
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Esse intervalo incomum para partidas de futebol tem gerado mais uma oportunidade de faturamento comercial. Além dos Estados Unidos, as transmissões de Brasil e Irlanda têm aproveitado esses minutos para expor as marcas de seus parceiros.
Nem toda cultura esportiva admite que esse espaço seja usado para comerciais. Países como México e no Reino Unido optaram por não utilizar o espaço comercial. A Fox, por exemplo, não transmitiu parte do segundo tempo da estreia entre México e África do Sul.
Em alguns estádios dos Estados Unidos, os intervalos chegaram a ser apelidados de “fim dos quartos”, em referência às divisões tradicionais de esportes como basquete e futebol americano.
Ritmo
A pausa durante o jogo pode aborrecer os torcedores. Já para os jogadores, há a chance de se reidratar e retomar o fôlego em jogos sob temperaturas mais altas.
No entanto, essas pausas nem sempre são necessárias em climas mais amenos, como nos jogos noturnos. Muitas vezes, o intervalo no meio de cada tempo, faz com que as equipes percam o ritmo e demorem para retomá-lo.
No jogo entre Brasil e Marrocos, ambas as equipes já estavam prontas para reiniciar a partida, mas tiveram que esperar o tempo de 3 minutos para a bola voltar a rolar. Aparentemente, os árbitros receberam instrução para esperar que os comerciais sejam exibidos.
Adversário da seleção brasileira na estreia, o time marroquino pode até ter se sentido prejudicado pela interrupção. A equipe havia aberto o placar menos de cinco minutos antes da pausa para hidratação no primeiro tempo. O time dominava o jogo, mas perdeu o ímpeto após a interrupção. O Brasil empatou logo depois do reinício da partida, com Vini Jr., em bela jogada individual.
A presença de patrocínios, como o da Powerade, marca de isotônico da Coca-Cola, em uma das pausas, reforça a percepção de que os intervalos podem estar mais ligados a oportunidades comerciais do que ao bem-estar dos atletas.
