A fusão entre Fluxo e W7M, oficializada em dezembro de 2025, fez com que a organização mudasse a sua estratégia de expansão nos e-Sports. Em entrevista à Máquina do Esporte, Bruno “Nobru” Goes, sócio-fundador do Fluxo W7M, explicou que a entrada em novas modalidades passou a depender de processos mais estruturados, como pesquisas de mercado e avaliações financeiras.
“Antigamente, nós fazíamos muito pelo entusiasmo e pela ansiedade de estarmos representados nos cenários. A gente tinha vontade de expandir para outros jogos, mesmo aqueles que não tinham um ambiente tão sólido, para tentar alcançar essa representatividade”, comentou Nobru.
“Hoje em dia, já é diferente. Além de ver o potencial de cada jogo, nós pesquisamos, fazemos contas, porque, no mínimo, temos que sair no zero a zero para ter isso como um cenário sustentável”, completou.
Gestão
A fusão realizada no fim do ano passado integrou a gestão, as equipes e os ativos comerciais do Fluxo e da W7M. Com isso, Nobru e Lúcio “Cerol” dos Santos permaneceram como sócios da organização, mantendo participação nas decisões estratégicas. Já do lado da W7M, Felipe Funari e Eudson Filho assumiram a liderança executiva da nova estrutura.
“Eu acredito que a gestão da W7M era muito mais avançada do que a gente tinha no Fluxo e, por outro lado, a nossa comunidade, torcida e toda essa multidão que nós carregamos era algo que faltava para eles também. Então, unimos o útil ao agradável. Fizemos várias reuniões e essa foi uma fusão que fez total sentido, gerando frutos até hoje para todo mundo”, destacou Nobru.
A integração entre as duas organizações ainda envolveu alguns choques em relação às diferentes maneiras de trabalhar e prioridades. No entanto, foi isso que permitiu otimizar a profissionalização da gestão do Fluxo e gerar mais visibilidade e engajamento para a W7M.
“Passamos por muitos choques de diferentes formas de trabalhar e pontos focais. Nesse período, pudemos profissionalizar ainda mais a gestão do Fluxo e de fato gerir tudo com um olhar empresarial, enquanto a equipe W7M passou a ter um poder de alcance e responsabilidade muito maior devido ao tamanho de público e exposição que oriundo do Fluxo”, disse Eudson Filho, CEO do Fluxo W7M, em entrevista à Máquina do Esporte.
Comercial
A operação comercial do Fluxo W7M combina uma equipe própria com parceiros externos, incluindo agências e outros agentes do mercado publicitário. De acordo com a organização, essa rede permite desenvolver projetos que vão além do patrocínio às equipes e envolvem diferentes propriedades do grupo.
“Alcance e engajamento são entregas básicas e mínimas que conseguimos gerar para todos os nossos parceiros. A partir daí, sempre promovemos uma entrega personalizada junto ao que o parceiro busca, como presença em eventos, promoção de campeonatos e ativações que de fato conectam com o público”, destacou Felipe Funari, sócio-fundador do Fluxo W7M, em entrevista à Máquina do Esporte.
Um exemplo da aplicação dessa estratégia é o acordo da organização com a Realme, anunciado em 24 de setembro. Isso porque o patrocínio da fabricante chinesa de smartphones prevê produção de conteúdo, ações com influenciadores, transmissões ao vivo, bastidores e presença em campeonatos oficiais, além da aplicação da marca nos uniformes de todas as equipes competitivas.
Além da Realme, o Fluxo W7M tem outras marcas importantes como patrocinadoras, entre elas, BB Consórcios e Asics. Segundo Eudson Filho, a parceria com empresas deste patamar é algo que ajuda a despertar o interesse de mais companhias pelas propriedades da organização.
“Com certeza ter grandes marcas [como patrocinadoras] ajuda a atrair outras grandes empresas. Quando alguém vê uma grande marca conosco, isso gera curiosidade e transmite uma garantia do resultado do nosso trabalho”, destacou o CEO do Fluxo W7M.
“As marcas têm cada vez mais ciência do poder de atuação no mercado de games e e-Sports. É um território onde o público mais velho já está inserido e tem um apreço muito grande por alternar entre hobby e paixão. Por outro lado, também é o ponto focal da nova geração, do jovem que amanhã terá um grande poder de decisão da sua vida e está crescendo junto dos games”, acrescentou Felipe Funari.
Internacionalização
Outro movimento estratégico para o Fluxo W7M foi a entrada no programa de parceiros da Esports World Cup Foundation, anunciada em março de 2026. A iniciativa reúne 40 organizações e prevê investimentos de até US$ 20 milhões no conjunto de equipes parceiras. Vale destacar que esse montante corresponde ao total pago pelo programa, e não ao valor destinado individualmente ao Fluxo W7M.
“A parceria com a Esports World Cup credencia o nosso trabalho e expõe, não apenas ao mercado brasileiro, mas também ao global, que realizamos uma atuação séria, sólida e focada em resultados”, disse Eudson Filho.
O relacionamento com a competição também envolveu ações com a comunidade. Através da parceria com a Esports World Cup, o Fluxo W7M conseguiu levar torcedores para acompanhar a edição de 2026 do evento, que foi disputada em Paris.
“Nós usamos a parceria com a Esports World Cup de um jeito que conseguimos levar os nossos fãs para acompanhar a edição deste ano em Paris. Eu não sei se isso já foi feito alguma vez, mas a gente conseguiu dar uma primeira oportunidade para muitas pessoas que talvez nunca tivessem saído da sua cidade ou do Brasil de ir para fora do país viver um sonho através do Fluxo W7M”, destacou Nobru.
Vale destacar que esta ação fez parte do lançamento do programa de sócio-torcedor da organização, chamado “Segue o FX”, e promoveu um concurso para selecionar fãs do Fluxo W7M para viajarem à Paris e acompanhar a Esports World Cup.
Kings League
A presença do Fluxo W7M na Kings League também tem se mostrado um ativo importante para a organização, ajudando a expandir a base de audiência e a conectar o Fluxo de uma forma diferente com o público.
A organização, que integra a Kings League desde a sua estreia no Brasil, em março de 2025, também considera o torneio como uma ponte estratégica para dialogar com diferentes gerações. Isso porque o futebol oferece um repertório já conhecido, enquanto as regras e a participação dos influenciadores criam uma nova dinâmica para se acompanhar o esporte.
“A Kings League é um produto que já dá certo, mas que ainda tem muito potencial. Ela é um dos principais pontos que conectam a antiga à nova geração e tem um modelo que ajuda a consolidar um novo formato de entretenimento, que não entrega só um jogo, mas todo um canhão de conteúdos, assuntos e um novo jeito de consumir o futebol”, comentou o CEO do Fluxo W7M.
