A FSports, que detém com exclusividade os direitos comerciais e de mídia das competições nacionais femininas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no ciclo de 2025 a 2029, busca aproveitar a aproximação da Copa do Mundo 2027 para atrair patrocínios de longo prazo. Nesse trabalho, a agência conta com o apoio da Heatmap.
As agências comercializam esses ativos do Campeonato Brasileiro Feminino, da Supercopa Feminina e da Copa do Brasil Feminina.
Atualmente, há sete patrocinadores oficiais dessas competições: Amazon, Coca-Cola, Hyundai, Itambé, Monange, Sicoob e Uber. No entanto, ainda há três cotas de patrocínio em aberto, além de três para ativações digitais e os naming rights dos torneios, segundo projeto formatado pelas agências.
“Formatamos um modelo comercial em que o parceiro não patrocina apenas a competição e sim um ecossistema do futebol feminino. Então, ele entra no [Campeonato] Brasileiro, na Copa do Brasil e na Supercopa de uma forma em que eu alongo a presença da marca ali”, contou Lucas Campos, CEO da FSports, à Máquina do Esporte.
“O patrocinador entra em 240 jogos numa agenda que vai de fevereiro a novembro”, completou o executivo.
Mercado
Com o fim da Copa do Mundo 2026 e a eliminação precoce da seleção brasileira masculina, cresceu o interesse no próximo grande evento da modalidade, a Copa do Mundo Feminina 2027, que será realizada pela primeira vez no Brasil. O interesse em torno do futebol feminino tem crescido ano a ano, o que deve se intensificar ainda mais com a aproximação do Mundial da Fifa.
Dados sobre esse aumento de interesse foram apresentados pela FSports, que promoveu o evento FF.Co – Comunidade do Futebol Feminino Brasileiro, na noite desta quarta-feira (26), na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo (SP).
“A ideia de apresentar esses dados é fazer com que as marcas entendam que o bonde está chegando na linha final”, afirmou Monica Esperidião, diretora de estratégia da FSports, à Máquina do Esporte.
Não falta tanto tempo assim até a Copa para que as marcas realmente se posicionem e façam com que aquele fã, que tem lealdade com as empresas que estão patrocinando o futebol feminino, percebam que eles não estão sendo oportunistas
Monica Esperidião, diretora de estratégia da FSports
Para ela, o quanto antes essas empresas entrarem na modalidade, vão gerar memória positiva desse consumidor de futebol feminino em relação à marca.
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Crescimento
De fato, o aumento do interesse e do engajamento em torno da modalidade tem aumentado ano a ano. Segundo o YouTube, as buscas por futebol feminino em sua plataforma subiram 200% nos últimos cinco anos no Brasil, enquanto no mundo esse crescimento foi de apenas 30%.
No Google, por sua vez, a procura pelo futebol feminino subiu 120% nos últimos cinco anos no país. Já o crescimento no restante do planeta ficou em 30%. Esse crescimento gerou o interesse de marcas internacionais em fechar parcerias comerciais para as competições femininas do Brasil.
“Até o ano passado, o Campeonato Brasileiro [Feminino] só tinha contratos pontuais, no máximo de um ano, como o da Neoenergia. Agora temos marcas multinacionais e acordos de longo prazo, garantindo sustentabilidade [financeira] inclusive pós-Copa do Mundo”, apontou Monica.
“Minha maior preocupação não é o patrocínio para a seleção [brasileira]. É manter as nossas competições em outro patamar. Porque, depois da Copa, precisamos estar com as competições em outro patamar”, completou.
Digital

O engajamento em torno do futebol feminino pode ser visto no ambiente digital. Recentemente, a seleção brasileira feminina alcançou 3,17 milhões de seguidores no Instagram, se consolidando como a líder do ranking mundial entre todas as seleções da categoria.
Em impressões, o Brasil terminou julho na liderança isolada (cerca de 1 milhão de média mensal), quase o dobro da Inglaterra, a segunda colocada, com aproximadamente 600 mil. Em alcance, a seleção feminina mantém a ponta, com cerca de 780 mil, quase o dobro da Alemanha, a vice-líder, com 420 mil.
O alcance digital também é medido em engajamento, no qual o Brasil assumiu a liderança, com 28 mil, com crescimento sustentável a cada mês. Em janeiro, a seleção feminina estava no meio da tabela, com 15,5 mil.
No comparativo do primeiro semestre de 2026 com o mesmo período do ano passado, houve um aumento de 34% em impressões, 27% no alcance e 68% em engajamento.
“Os dados estão aí para que cutucar as marcas e agências de publicidade para que acelerem. O retorno está comprovado. O fã está buscando informação a respeito, consumindo, dizendo que tem 25% mais probabilidade de comprar a marca de quem patrocina [futebol feminino] do que o concorrente”, relatou Monica.
A executiva da FSports afirmou que entrar no mercado neste momento já não é barato. Ela lembrou que, quando começaram a negociar patrocínios para a CBF, havia reclamações de que as cotas já estariam caras.
“Querido, está barato agora. Daqui a pouco o negócio vai estar mais caro”, brincou.
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Brasileirão Feminino
Segundo o Google Trends, nos últimos cinco anos, o Brasileirão Feminino ocupa a terceira posição global de crescimento no interesse entre os eventos da área, com crescimento de 300%. O torneio nacional fica atrás apenas da Superliga Feminina da Inglaterra (WSL, na sigla em inglês), com 650%, e da Champions League Feminina, que somou 350%.
“O futebol não é nicho, o futebol faz parte da cultura. E precisamos contar o futebol por inteiro, que também é feminino”, definiu Bruna Rubinsztajn coordenadora de marketing digital na Road, parceira da FSports na gestão de redes sociais dos torneios femininos da CBF e da seleção brasileira feminina.
Gestão
A comercialização conjunta realizada por FSports e Heatmap busca transformar a entrega de valor para as marcas parceiras. A gestão tem buscado contratos plurianuais, que variam de dois a cinco anos, assegurando previsibilidade financeira aos clubes e à confederação.
“Quando pegamos esse trabalho, não foi fácil vender. Fizemos várias reuniões. Há um ano que estamos nesse projeto. Mas não queríamos uma marca qualquer,” pontuou Renê Salviano, CEO da Heatmap.
Essa mudança de chave gerou mudanças na própria dinâmica de trabalho das agências que comercializam esses ativos da CBF.
Com certeza, o mercado mudou. Passamos a ser procurados. Antes era um trabalho mais de prospecção. A gente ia muito ao mercado, conversava com stakeholders. Hoje, esses stakeholders estão buscando se conectar, entender o que que o futebol feminino brasileiro pode oferecer
Lucas Campos, CEO da FSports
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Perspectivas
As projeções financeiras e de audiência apontam para um mercado em expansão acelerada. Segundo relatório da Deloitte, o esporte feminino de elite deve movimentar US$ 3 bilhões neste ano, o que representa um aumento de 340% em relação a 2022. Nesse universo, o futebol e o basquete terão participação de 35% cada um.
De acordo com a Shikenso Analytics (2026), no estudo Women’s Football Sponsorship: The Untapped Goldmine Smart Brands Are Backing, 86% dos patrocinadores do futebol feminino na Europa afirmam que o retorno do investimento atingiu ou superou as expectativas comerciais.
Esses dados também servem de trunfo para atrair novos parceiros comerciais ao futebol feminino do Brasil. O evento no Pacembu contou com a participação de cerca de 45 marcas, entre as que hoje são patrocinadoras e as que ainda estão fora desse mercado.
“Tem muita conversa adiantada. Nosso time comercial está todo aqui [no evento do Pacaembu] para acelerar essas negociações. Já duas ou três pessoas viraram para mim e falaram: ‘Vou conversar internamente porque a gente precisa fazer algumas coisas acontecerem’”, concluiu Monica.
