Os clubes da LaLiga ultrapassaram a marca de € 4,6 bilhões em negócios agregados na temporada 2024/2025. O valor representa um aumento de 10% em relação ao ciclo anterior e uma alta de 1% comparado à temporada 2022/2023. O desempenho financeiro foi fundamental para reduzir as perdas conjuntas da liga em 96%, fixando o déficit em € 7,7 milhões.
Até o momento, o Leganés é a única equipe que não divulgou os números finais, mas as projeções feitas pela Intelligence 2P indicam que a receita combinada foi impulsionada por negócios comerciais e exploração de estádios. Cerca de 60% das equipes registraram crescimento de dois dígitos em seus balanços.
Apesar da melhoria geral, o grupo ainda não atingiu a lucratividade agregada plena. O prejuízo remanescente de € 7,7 milhões é atribuído majoritariamente ao Sevilla, que registrou perdas de € 54,1 milhões. O clube da Andaluzia foi o único a superar a barreira de € 20 milhões negativos. Ao todo, sete equipes não alcançaram o equilíbrio financeiro.
Concentração
A polarização financeira segue evidente na Espanha. Real Madrid e Barcelona contribuíram com 47% do total arrecadado, superando € 1 bilhão em receitas cada um. O braço comercial do Barcelona, por exemplo, teve alta de 47%, auxiliado pela renovação do contrato de fornecimento de material esportivo com a Nike. Ao incluir o Atlético de Madrid, o trio responde por 58% de todo o dinheiro que circula na primeira divisão da Espanha.
No escalão intermediário, Betis e Real Sociedad ultrapassaram a marca de € 200 milhões em faturamento. Os clubes foram impulsionados pelas competições europeias e por receitas não recorrentes.
O Betis arrecadou € 56,9 milhões com vendas de jogadores, enquanto a Real Sociedad obteve € 63,2 milhões com transferência de atletas.
Perdas e ganhos
O cenário é oposto para o Sevilla. Sem a verba da Champions League, o clube viu suas receitas audiovisuais caírem pela metade (de € 129,1 milhões para € 65,7 milhões), resultando em uma queda geral de 32% no faturamento.
O presidente do clube, José María Del Nido Carrasco, já delineou um plano para retomar a lucratividade até o ciclo 2026/2027.
Outros destaques positivos incluem o Athletic Bilbao e o Valencia, que aumentaram suas receitas em 27% e 17%, respectivamente. O recém-promovido Espanyol elevou seu faturamento em 55%, aproximando-se de € 95 milhões, enquanto o Alavés triplicou seus lucros com transferências.
“É importante combinar o desempenho esportivo imediato com a possibilidade de gerar valor futuro”, afirmou Alfonso Fernández de Trocóniz, presidente do Alavés, sobre a estratégia de venda de atletas.
O foco para a próxima temporada é o ponto de equilíbrio (break-even). Clubes como Atlético de Madrid e Mallorca estão em fase de investimento com expectativa de retorno a curto prazo.
“Já começamos a notar o efeito dos investimentos em novos negócios, como o bar esportivo, a clínica esportiva e a unidade que promove a organização de eventos”, explica Alfonso Díaz, CEO da área comercial do Mallorca.
