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Futebol / Virou bagunça

Com CBF na Justiça, clubes decidem colocar placas da Brax nos jogos

Batalha judicial contra Sport Promotion faz clubes desistirem de seguir liminar em favor de agência

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 25/04/2022, às 09h13 - Atualizado às 09h15

Fluminense estreou as placas da Brax na partida contra o Internacional, no sábado (23), pelo Brasileirão - Mailson Santana / Fluminense
Fluminense estreou as placas da Brax na partida contra o Internacional, no sábado (23), pelo Brasileirão - Mailson Santana / Fluminense

A batalha jurídica entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com a agência Sport Promotion pela exploração das placas de publicidade estática ao redor do campo no Brasileirão fez com que os clubes decidissem ignorar a Justiça e, agora, todos os 12 times com contrato com a Brax decidiram instalar as placas fornecidas pela agência em seus jogos.

Neste final de semana, o primeiro em que houve rodada do Brasileirão depois de a Máquina do Esporte revelar os detalhes da carta em que a CBF convocou a arbitragem para romper o contrato com a Sport Promotion, todos os clubes que atuaram como mandante e têm o acordo com a Brax utilizaram as placas da empresa em vez daquelas fornecidas pela agência concorrente.

Na terceira rodada, o Fluminense, que tinha desistido de instalar as placas do novo parceiro, estreou a publicidade da Brax no duelo contra o Internacional. O tricolor carioca e o Fortaleza eram os únicos times que haviam seguido a decisão judicial que concedeu liminar à Sport Promotion multando os clubes em caso de descumprimento da ordem de manter as placas da antiga parceira. Como o Fortaleza não atuou pelo Brasileiro no final de semana, o que ocorrerá apenas em 8 de maio, quando enfrentar o São Paulo, o clube cearense só então fará valer o novo acordo.

Segundo apurou a Máquina do Esporte, os clubes se sentiram encorajados a descumprir a liminar depois de a CBF ir à Justiça contra a Sport Promotion. Se, antes, havia o temor de que as equipes seriam multadas por descumprir o acordo, agora há a certeza de que não há qualquer impedimento moral para que o acerto com a Brax entre em vigor.

O imbróglio envolvendo as placas de publicidade ao redor do gramado no Brasileirão teve início uma semana antes de o torneio começar. Em 30 de março, 11 dos 19 clubes com os quais a Sport Promotion tinha contrato notificaram a empresa de que não contariam mais com os serviços dela, pagando a multa rescisória para a agência.

Três dias depois, um acordo com a Brax foi anunciado. A nova agência, além de oferecer um valor maior pelo acordo, garantiu isonomia na divisão de receita entre os signatários e, além disso, a criação de um fundo para ser usado na criação de uma Liga de Clubes.

Na rodada de abertura do campeonato, porém, uma liminar na Justiça do Rio de Janeiro devolveu à Sport Promotion o direito de expor as suas placas no campo dos jogos que tinham os 11 times dissidentes como mandante. Fluminense e Fortaleza foram os únicos a cumprir a decisão da Justiça.

Nesse mesmo final de semana, no dia 10 de abril, a CBF emitiu um ofício aos clubes dizendo que ela era a dona dos direitos de exploração das placas de publicidade, e lembrou-os de que havia um contrato com a Sport Promotion em vigor. Protocolar, a carta foi o primeiro passo dado pela entidade para, três dias depois, em 13 de abril, ir à Justiça contra a agência parceira, exigindo a instalação de uma arbitragem para romper o acordo. Na carta, a CBF alega que a Sport Promotion deve quase R$ 35 milhões a ela.

A briga jurídica entre entidade e agência motivou os clubes a aceitarem o contrato da Brax, que assim terá direito de expor suas placas de publicidade nas partidas de 12 dos 20 times que disputam o Brasileirão: América-MG, Athletico-PR, Atlético-GO, Atlético-MG, Avaí, Ceará, Coritiba, Cuiabá, Fortaleza, Fluminense, Goiás e Juventude.

Os outros sete times que possuem contrato com a Sport Promotion são Corinthians, Flamengo, Internacional, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos e São Paulo. O Botafogo não tem contrato com nenhuma empresa. O clube, recém-comprado pelo americano John Textor, tem usado as placas de publicidade para campanhas institucionais.