A Braziline, empresa focada na moda esportiva licenciada, atinge a marca de 40 anos de operação em 2026 com uma projeção de crescimento de 48% no faturamento anual.
O bom prognóstico é sustentado pela assinatura de contrato com o Corinthians e pelo desenvolvimento de coleções temáticas voltadas para a Copa do Mundo 2026, que será disputada nos EUA, Canadá e México.
Com a parceria com o Timão, a companhia, sediada em Petrópolis (RJ), passa a gerir as licenças das duas maiores torcidas do país de forma simultânea. O acordo com o Corinthians foi concretizado após um longo período de tratativas.
“Tem mais ou menos dois anos e meio que a gente negocia com o Corinthians. Desde o ano passado, começamos a avançar em um processo de construção das nossas coleções. E, neste ano, vamos ter uma coleção na rua. Já está em produção, inclusive”, comemora Diego Santos Francisco, gerente de marketing da Braziline, em entrevista à Máquina do Esporte.
A empresa foca no vestuário de estilo lifestyle e casual, diferenciando-se das fornecedoras de materiais esportivos de jogo. Atualmente, a linha de de produtos ligados ao futebol responde por uma fatia expressiva da operação.
“O licenciamento esportivo representa cerca de 80% do faturamento da Braziline. É o core do nosso negócio”, explica o executivo.
Criação

O processo de desenvolvimento das peças envolve pesquisas de campo e imersões culturais para captar a identidade de cada agremiação. No caso do Corinthians, a equipe de estilo da marca realizou visitas a estádios, lojas e locais de convivência de torcedores em São Paulo para estruturar as peças que seriam lançadas.
“As estilistas já estão mergulhadas no universo dos clubes que elas trabalham. A gente vai sempre pensando em como conectar esse grande tema da coleção às histórias particulares daquele clube”, comenta Diego Francisco.
“A gente acabou de fazer recentemente também uma imersão no Corinthians. Passamos alguns dias em São Paulo acompanhando a torcida, os jogos e conhecendo um pouco dos locais onde os torcedores se expressam”, detalha o executivo.
A Braziline também mantém uma relação longeva com outras equipes, como é o caso do Flamengo. “Neste ano vamos comemorar 30 anos da parceria com o Flamengo”, destaca o gerente de marketing da empresa.
O portfólio da marca inclui ainda licenças internacionais para linhas infantis de clubes como Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique e Manchester City. Além disso, há outra coleção, para a mesma faixa etária, com produtos de alguns dos principais times da NBA, como Los Angeles Lakers, Chicago Bulls e Golden State Warriors.
Mercado

A distribuição dos produtos abrange mais de 2.500 pontos de venda físicos em todo o território nacional, além de operações em e-commerce próprio e em grandes varejistas como Centauro e Decathlon.
Para 2026, a estratégia de vendas ganha um reforço com a temática da Copa do Mundo, unindo as cores da seleção aos brasões dos clubes nacionais em peças de colecionador.
“Vamos lançar, no inverno, uma coleção feita especialmente para a Copa do Mundo. Será uma coleção inteira só de Brasil. Além disso, teremos alguns produtos que foram produzidos nessa temática com clubes como Flamengo, Santos, São Paulo, Vasco, Cruzeiro, Atlético-MG e Fluminense”, explica.
As novas coleções, incluindo a linha de inverno batizada de “Vibrar”, devem chegar ao varejo na segunda quinzena de março.
Pirataria

Apesar do desafio imposto pela pirataria no setor têxtil, a Braziline aposta na relação de confiança com o torcedor para garantir o crescimento das vendas.
Segundo o executivo, o consumidor reconhece o valor de apoiar o clube do coração por meio dos royalties gerados com a venda de produtos oficiais.
“O torcedor sabe que, quando compra um produto licenciado, está também apoiando o clube. O licenciamento é uma alternativa importante e eficaz contra a pirataria. E o torcedor ainda prefere ter um produto oficial”, acredita ele.
Diego Francisco também lembra que as coleções oficiais da Braziline representam uma alternativa mais barata para o torcedor adquirir uma vestimenta oficial do clube de coração em relação aos preços de uma camisa oficial do ano.
“Estamos no grande varejo e nos tornamos uma opção, num tíquete menor para o torcedor. No caso da Braziline conseguimos oferecer [produtos] para muitas ocasiões. Nossas coleções são muito diversas”, conta o executivo.
