Um estudo do CIES Sports Intelligence sobre os clubes das quatro divisões profissionais da Inglaterra mostrou que 55,5% deles já têm controle majoritário estrangeiro. O dado por si só chama atenção, mas o mais interessante é olhar o que está acontecendo por trás dele. O relatório também mapeia multipropriedade e participação de fundos de investimentos, e mostra que essas três tendências frequentemente aparecem juntas. Em muitos casos, o mesmo clube tem dono estrangeiro, faz parte de uma rede de equipes e ainda recebeu aporte de investidores financeiros.
Investidor norte-americano virou protagonista
Se houve um período em que os clubes ingleses atraíam compradores de diferentes partes do mundo, hoje o dinheiro tem uma origem muito mais concentrada. Desde a temporada 2023/2024, 68% dos investimentos realizados no futebol profissional inglês vieram dos Estados Unidos.
Cada vez mais clubes são vistos como ativos de entretenimento capazes de gerar receita recorrente, ampliar audiência e ganhar valor ao longo do tempo. O auge desse movimento foi justamente em 2023/2024, quando o futebol profissional inglês recebeu 14 investimentos norte-americanos, recorde da série.

Internacionalização desceu a pirâmide
Muita gente associa investimento estrangeiro à Premier League, mas o movimento recente tem acontecido mais abaixo na pirâmide. Das 31 mudanças de controle registradas entre 2023/2024 e 2025/2026, apenas três ocorreram na elite inglesa.
Com poucos clubes disponíveis e preços cada vez mais altos no topo, Championship e League One (2ª e 3ª divisões) passaram a oferecer uma relação risco-retorno mais atraente. A lógica é entrar pagando menos, investir em crescimento e capturar a valorização que pode vir com uma eventual subida de divisão, como aconteceu com o Wrexham.
Redes de clubes também ganham espaço
Outro dado que ajuda a entender o momento do futebol inglês é que 42,5% dos clubes já possuem algum vínculo societário com outra equipe. Isso permite compartilhar estrutura, dados, scouting e estratégias de desenvolvimento de atletas. Em vez de olhar para cada clube isoladamente, muitos grupos passaram a operar redes de equipes espalhadas por diferentes mercados.
O desafio aparece quando o sucesso esportivo chega: reguladores europeus vêm aumentando a atenção sobre casos em que dois clubes do mesmo grupo podem disputar a mesma competição continental.

Nem todo mundo quer comprar o clube inteiro
Desde 2020/2021, mais de um terço das operações registradas em cada temporada envolveu participações minoritárias, algo raro poucos anos atrás.
Para quem investe, é uma forma de participar do potencial de crescimento sem assumir toda a responsabilidade da gestão.
Para os controladores, significa trazer dinheiro e experiência sem abrir mão do comando.
É um modelo parecido com o visto em outros setores da economia, em que o foco está menos no resultado do próximo ano e mais na capacidade de o negócio crescer, ganhar eficiência e gerar novas receitas ao longo do tempo.
O conteúdo desta publicação foi retirado da newsletter semanal Engrenagem da Máquina, da Máquina do Esporte, feita para profissionais do mercado, marcas e agências. Para receber mais análises deste tipo, além de casos do mercado, indicações de eventos, empregos e mais, inscreva-se gratuitamente por meio deste link.
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