O Flamengo divulgou seu balanço de 2025 apontando uma receita operacional bruta total de R$ 2,089 bilhões. O número representa um aumento de 56,6% em relação aos R$ 1,334 bilhão obtido na temporada anterior.
O superávit apurado foi de R$ 336 milhões, o segundo maior da história financeira do Rubro-Negro, acompanhado por um crescimento de 54% no patrimônio líquido, que atingiu R$ 954 milhões.
Receitas
A composição das receitas demonstra uma dependência menor de fatores extraordinários. A receita recorrente, que exclui a venda de atletas, somou R$ 1,571 bilhão (crescimento de 22% em relação a 2024).
“O crescimento foi distribuído entre todos os grupos de receita, com destaque para o grupo de broadcast, impulsionado por premiações esportivas, e para o grupo comercial, que avançou 23% frente ao ano anterior”, aponta o relatório.
O indicador de eficiência operacional, medido pela razão entre despesas de pessoal e receita líquida recorrente, manteve-se estável em 50%, mostrando que o crescimento da folha salarial aconteceu paralelamente ao aumento de recursos.
Arrecadação
Os direitos de transmissão e premiações lideraram as entradas recorrentes com R$ 612 milhões, um incremento de 28,6% motivado principalmente pela participação na Copa do Mundo de Clubes da Fifa.
A área comercial, que engloba patrocínios e licenciamentos, gerou R$ 541 milhões (aumento de 22,7%). Já as receitas de matchday totalizaram R$ 322 milhões (incremento de 25,8%), refletindo a operação plena do complexo do Maracanã.
O programa de sócio-torcedor contribuiu com R$ 87,7 milhões para o faturamento bruto, o que representou aumento de 12,8% sobre 2024.
As negociações de atletas voltaram a patamares elevados em 2025, totalizando R$ 519 milhões em vendas. Entre as principais vendas do período destacam-se as transferências do meia Gerson ao Zenit (R$ 158,4 milhões), do lateral-direito Wesley para a Roma (R$ 151,4 milhões) e do meia Carlos Alcaraz ao Everton (R$ 90,8 milhões).
Por outro lado, o investimento na aquisição de direitos econômicos de jogadores somou R$ 636 milhões. Os maiores investimentos foram com o atacante Samuel Lino (R$ 203 milhões), o meia-atacante Carrascal (R$ 107 milhões), o lateral Emerson Royal (R$ 78,8 milhões), o atacante Juninho (R$ 40 milhões) e o ponta-direita Gonzalo Plata (R$ 39 milhões).
Despesas
Os custos das atividades sociais e esportivas totalizaram R$ 1,194 bilhão. Desse montante, R$ 525 milhões foram destinados a salários, encargos e benefícios, apresentando uma evolução em função de premiações por desempenho esportivo. Em 2025, o Flamengo ganhou o Campeonato Carioca, a Supercopa Rei, o Campeonato Brasileiro e a Libertadores.
As amortizações de direitos sobre atletas consumiram R$ 243,7 milhões, enquanto os gastos com jogos e competições somaram R$ 131,2 milhões. As despesas administrativas e comerciais totalizaram R$ 142,28 milhões e R$ 39,6 milhões, respectivamente.
A gestão financeira resultou em um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) total de R$ 616 milhões, com margem de 31%. A dívida operacional líquida (DOL) encerrou o ano em R$ 174 milhões, uma redução significativa frente aos R$ 344 milhões de 2024 (queda de 49,4%).
O saldo de caixa livre consolidado, desconsiderando valores restritos para projetos incentivados, subiu de R$ 96 milhões para R$ 192 milhões ao final de dezembro.
Sustentabilidade
O balanço indica que o clube mantém uma estrutura de capital equilibrada, com alavancagem financeira de apenas 0,3x (razão entre dívida líquida e Ebitda).
O passivo total, ou seja, a soma de todas as suas obrigações financeiras, dívidas e compromissos com terceiros, é de R$ 1,263 bilhão. Desse montante, R$ 646,6 milhões são circulantes (dívidas de curto prazo).
Entre as obrigações de longo prazo, destacam-se R$ 162,3 milhões em impostos parcelados via Profut e outras legislações, cujos pagamentos estão homologados e em dia.
O relatório das demonstrações financeiras recebeu parecer favorável dos auditores independentes da Ernst & Young, que afirmaram que os dados representam adequadamente a posição patrimonial e financeira do clube. O Conselho Fiscal também recomendou a aprovação das contas.
Planejamento
Para o ciclo de 2026, a diretoria projeta a manutenção da disciplina orçamentária e a expansão das receitas de estádio.
“Com um patrimônio líquido próximo a R$ 1 bilhão e uma estrutura de receitas diversificada, o Flamengo possui uma base sólida para enfrentar os desafios e oportunidades que se apresentam”, aponta o documento.
O fortalecimento da Flamengo TV e a evolução do programa de licenciamento e patrocínio são apontados pelo clube como prioridades estratégicas para esta temporada.
