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Grêmio adia votação que selará saída do clube da Libra rumo ao FFU

Reunião do Conselho Deliberativo, que analisaria as duas propostas, estava marcada para ocorrer na próxima quinta-feira (5)

Grêmio se movimenta para trocar a Libra pelo FFU - Reprodução / Instagram (@gremio)

⚡ Máquina Fast
  • O Grêmio adiou decisão sobre saída da Libra para a FFU, com votação provável em 17 de março.
  • A migração do Grêmio está ligada a disputas ideológicas e promessa de incremento financeiro via investidores da FFU.
  • FFU enfrenta resistência interna, com Goiás questionando entrada do Grêmio por impacto nas receitas e disputas por controle do bloco.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O enredo que deve culminar na provável saída do Grêmio da Liga do Futebol Brasileiro (Libra) rumo ao Futebol Forte União (FFU) , antiga Liga Forte União (LFU) terá mais alguns dias de indefinição.

O Conselho Deliberativo do clube adiou a reunião para análise das propostas de mudança de bloco, que estava prevista para ocorrer na próxima quinta-feira (5).

Oficialmente, o Grêmio não confirma a nova data da votação, embora veículos de imprensa informem que ela deve ocorrer em 17 de março.

A iminente saída do clube da Libra tem a ver com questões de ordem “ideológica” e financeiras. A equipe gaúcha se irritou com a postura da atual diretoria do Flamengo, comandada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, que é contrário ao modelo de divisão de receitas adotado pelo bloco.

No ano passado, o Flamengo chegou a obter na Justiça do Rio de Janeiro uma decisão que bloqueou R$ 83 milhões que seriam repassados pelo Grupo Globo aos clubes da Libra, medida esta que foi posteriormente derrubada, mas que tornou irreversível o racha no bloco.

Desde então, a Libra entrou em processo de derretimento, com as saídas de Vitória e Atlético-MG (o Galo deixou o grupo disparando contra a postura individualista do Flamengo) rumo à LFU, que ainda não havia adotado a denominação atual.

Dificuldades financeiras

Além do choque de ideias com o atual mandatário do Flamengo, uma questão tem sido decisiva para a debandada que vem ocorrendo na Libra.

O FFU tem acenado com oportunidades maiores de receitas para os clubes do grupo rival. Essa foi a justificativa utilizada pelo Vitória para decidir sua saída da Libra em setembro do ano passado (a migração ocorrerá de fato em 2029, quando chegará ao fim o atual contrato de direitos de transmissão).

O time baiano argumenta que na Libra sua projeção de receitas estava em R$ 123 milhões ao ano, enquanto no FFU ela chegaria a R$ 166 milhões, crescimento de 35%.

No caso do Grêmio, circula na mídia a informação de que o clube deverá receber R$ 100 milhões do investidor do FFU, em troca de ceder 10% de seus direitos comerciais e de arena pelos próximos 50 anos.

Para se ter uma ideia, o Athletico-PR recebeu cerca de R$ 200 milhões em 2023, ao firmar um negócio parecido, em que vendeu 20% aos investidores da LFU. Isso significa que, na prática, os direitos do Grêmio foram avaliados nos mesmos valores que os do time paranaense.

O Grêmio foi procurado para comentar sobre as somas que têm circulado na mídia, mas afirmou que não se manifestaria sobre o tema, que é considerado assunto interno.

Em seu site, porém, o Grêmio publicou um edital que confirma a possibilidade do negócio, embora não especifique as cifras envolvidas.

De acordo com o texto, a proposta a ser votada pelos conselheiros trata da “alienação de percentual dos direitos de exploração comercial relacionados à participação do Grêmio no Campeonato Brasileiro, na primeira e na segunda divisões, das temporadas de 2025 a 2074, incluindo os direitos de transmissão dos jogos do Grêmio nestas competições e outros direitos e propriedades comerciais correlatas”.

Polêmica

Ao mesmo tempo em que a Libra derrete em praça pública, o FFU começa a lidar com diversas rachaduras internas, que podem comprometer o futuro do bloco.

Uma prova de que a união do grupo já não é tão forte quanto o nome tenta fazer crer é a notificação extrajudicial feita pelo Goiás, que questiona a possível entrada de um novo membro no FFU. A informação foi divulgada originalmente pelo UOL.

O clube alviverde está atualmente na Série B e teme que a chegada do Grêmio possa resultar em diluição das receitas para o conjunto das equipes do FFU.

Na segunda divisão nacional, a fórmula de distribuição do dinheiro de contratos negociados em conjunto pelo bloco tem gerado uma série de questionamentos, sobretudo depois que vazou a informação de que o Fortaleza faturaria neste ano R$ 25 milhões com a publicidade estática nos jogos em casa, R$ 19 milhões que outros clubes membros do grupo, que também estão na Série B.

O Memorando de Entendimentos (MOU, na sigla em inglês) do FFU, a que a Máquina do Esporte obteve acesso, determina que o ingresso de novos membros no bloco não é uma decisão tão simples quanto aparenta.

Isto se deve à estrutura de condomínio adotada pelo grupo, que faz com que a entrada de mais integrantes acarrete numa alteração estrutural e estratégica.

A Cláusula 4.10.2 da Convenção do Condomínio Forte União estabelece que mudanças no Plano de Negócios ou na própria Convenção exigem um quórum de aprovação de 90% dos votos.

Diante dessa regra, o investidor não consegue “enfiar goela abaixo” um novo membro do FFU, caso a maioria dos clubes seja contra.

Em contrapartida, na medida em que a Sport Media Participações S.A. detém 20% das cotas do condomínio, é impossível aos clubes aprovarem a entrada de um novo integrante sem o aval da investidora.

A questão do quórum de 90% é um dos argumentos utilizados pelos sócios do Sport, que resolveram processar o Condomínio Forte União e a Sport Media Participações S.A., questionando a venda de 20% dos direitos comerciais e de transmissão do clube pernambucano, pelo prazo de 50 anos.

Isto porque a norma impediria os clubes do FFU de optarem, por exemplo, pela fusão com outro grupo, buscando a criação de uma liga unificada no país. Se o investidor considerar que a ideia prejudicaria seus lucros, ele teria condições de vetar a iniciativa. Na visão dos autores, a situação prejudica a soberania das instituições esportivas.