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Internacional mantém valor do patrocínio máster e busca diversificar receitas

Clube gaúcho, que rescindiu com a Alfa em janeiro por inadimplência, quer aumentar o número de parceiros para manter ganhos

O lateral-esquerdo Bernabei, do Inter, tenta passar por Cuello, do Atlético-MG - Ricardo Duarte / Internacional

Internacional, do lateral Bernabei, optou por deixar a frente da camisa limpa neste início de temporada - Ricardo Duarte / Internacional

⚡ Máquina Fast
  • Internacional mantém o valor do patrocínio máster apesar da saída da Alfa e enfrenta dificuldades para substituir o aporte de R$ 50 milhões anuais.
  • Clube ampliou sua base de parceiros para quase 80 e adota estratégia ARC para diversificar receitas e reduzir dependência do patrocínio principal.
  • Programa de sócio-torcedor foca em retenção das mulheres acima de 30 anos, público mais fiel, com ações específicas e serviços de valor agregado.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O Internacional adotou a estratégia de não reduzir o valor de seu patrocínio máster após a saída da Alfa. A casa de apostas, que havia assinado com o Colorado em 2025, deixou a propriedade no início de janeiro por inadimplência.

De volta ao mercado, o clube gaúcho tem encontrado dificuldade de manter o patamar que havia sido obtido com a antiga parceira, que desembolsaria R$ 50 milhões por temporada. À época, houve um aumento de 108% em relação ao contrato que o clube tinha com o Banrisul.

“Como tem 12 times de Série A e B sem o [patrocínio] máster, a marca vê que tem um poder de barganha, já que tem tantas oportunidades”, explicou Marcos Silveira, diretor-executivo de marketing e receitas do Internacional, em entrevista à Máquina do Esporte.

“Se ele começar batendo nas 12 portas e falar em fechar por 50% ou 60% [dos valores antigos], pode ser que algumas [equipes] topem”, completou.

Valor

Silveira contou que a decisão de manter o valor da propriedade visa a proteger o posicionamento da marca no mercado, mesmo diante de um cenário de reorganização do segmento de apostas esportivas após um ano da regulamentação feita pelo Governo Federal e uma certa consolidação das principais marcas no país.

Segundo números divulgados pelo Internacional, o clube encerrou 2025 com um crescimento consolidado de mais de 40% na receita da área de marketing em relação ao ano anterior.

“Talvez o [patrocínio] máster não virá naquela prateleira que vinha, mas vamos ter que ser criativos o suficiente para pensar novas propriedades, o que já estamos fazendo. Temos que achar soluções para entregar meu compromisso ao clube”, salientou.

O executivo ressaltou que o Inter está disposto a aguardar uma proposta que corresponda à expectativa de ganhos e não desvalorize o espaço nobre do uniforme. No entanto, essa diretiva pode mudar com o avanço da temporada.

“Se tivermos essa conversa em junho ou julho, talvez a minha cabeça já seja outra. Vou dizer: ‘Cara, já passou mais dois, três meses e agora vou ter que aceitar uma reprecificação do mercado’. Por enquanto estou tentando manter. Se, daqui a pouco, virar essa ampulheta, vou ter que reprecificar”, enfatizou.

Propriedades

Atualmente, o uniforme do Internacional conta com seis marcas: Adidas (fornecedora de material esportivo), Banrisul (parte superior das costas), Unimed (barra traseira), Cigame (lateral abaixo do braço), KNN (barra lateral) e Ambev (Zé Delivery) (calção).

“Analisamos os 20 times [da Série A do Campeonato Brasileiro]. Existe um clube que está com 13 marcas na camisa. Não está certo ou errado. É uma estratégia deles. Mas, para nós, o ideal é não passar de sete ou oito [marcas]. Porque a gente começa a não ter entrega para a marca. O olho humano não retém aquilo”, analisou.

Estão disponíveis no mercado, além do espaço máster, a região do esterno (centro do peito), as mangas e a barra frontal. A estratégia da diretoria é manter a frente da camisa livre, para valorizar o espaço, caso surja um interessado para a cota principal.

“Se entrar o máster, não vendo a barra frontal”, revelou Silveira.

Parcerias

Marcos Silveira, diretor-executivo de marketing e receitas do Internacional - Divulgação
Marcos Silveira optou por não diminuir o valor do patrocínio máster do Internacional – Divulgação

O departamento comercial do Internacional ampliou sua base para quase 80 parcerias comerciais. Esse volume gera um desafio operacional para a equipe de marketing responsável por executar as contrapartidas contratuais.

Em 2025, o clube firmou mais de 50 acordos em setores como tecnologia, saúde, alimentos e varejo, gerando um valor estimado de exposição de marca superior a R$ 245 milhões para os patrocinadores, segundo o Ibope Repucom e a Horizm.

“O time de vendas vai ter que ser eficiente para bater em 400 portas para fechar [negócio com] 60. Só que, depois, tem que entregar esses produtos. Não adianta eu achar que eu vou vender esses 60 novos negócios e não entregar”, explicou o executivo.

Camadas

A gestão comercial utiliza a estratégia denominada ARC (sigla para Arquitetura de Receitas por Camadas). O modelo visa a diminuir a dependência financeira de um único grande patrocinador.

No passado, o patrocínio máster representava quase 50% da receita de marketing, índice que foi reduzido para 16% na configuração atual. A meta para 2026 é que as receitas geradas pela diretoria comercial e de marketing correspondam a 50% do faturamento total do Internacional.

“Mais do que crescimento pontual, estruturamos um modelo de arquitetura comercial orientado por previsibilidade, priorização estratégica e diversificação de fontes. Reduzimos a concentração, ampliamos nossa capacidade de geração de negócios e passamos a tratar marca, dados e relacionamento como ativos estruturais do clube”, afirmou Silveira.

Sócio-torcedor

O programa de sócio-torcedor do Inter, um dos maiores do país, tem oscilado entre 142 mil e 145 mil associados ativos, tendo alcançado o pico de 150 mil em abril de 2025.

Para manter a base em períodos de baixo desempenho esportivo, o Internacional utiliza Serviços de Valor Agregado (SVAs), como descontos em farmácias, supermercados, cursos de inglês e pacotes de streaming para acompanhar os jogos do time.

O Colorado identificou uma correlação de 70,3% entre a performance em campo e a manutenção do pagamento das mensalidades. Ou seja, o clube corria o risco de perder quase 30% de sua base de sócios no caso de eliminação precoce em campeonatos ou mau desempenho esportivo do elenco.

“Começamos a tentar minimizar o [peso do sócio] passional, porque eu não controlo o futebol. Se eu não criar alavancas racionais, vou ficar a vida inteira dependente do emocional”, comentou o executivo.

Mulheres

Sessão de autógrafo com o zagueiro Índio exclusiva para as sócias-torcedoras - Divulgação
Clube realizou sessão de autógrafos com ídolo Índio exclusiva para as sócias-torcedoras – Divulgação

Dentro do mapeamento de associados, Silveira apontou que o público masculino entre 20 e 30 anos é o maior desafio de ser mantido em caso de mau desempenho esportivo, justamente por ser o mais passional.

Por outro lado, as mulheres com 30 anos ou mais são hoje consideradas o ativo mais valioso do programa por causa da fidelidade ao clube e pelo tempo de permanência como sócias-torcedoras. Atualmente, as mulheres representam 30% da base total do Internacional. O subgrupo com 30 anos ou mais corresponde a 20% do quadro social geral.

Para atrair esse grupo, ações específicas passaram a ser desenvolvidas, como sessões de autógrafos fechadas às mulheres no Museu do Internacional e exames de prevenção no Outubro Rosa, em parceria com a Unimed.

“Começamos a botar uma lupa nesse segmento mulher 30+ e o que é valor para ela. Já que ela é o meu melhor perfil de base, preciso mantê-las e expandir essa base”, contou.

Outra iniciativa envolveu a experimentação de produtos de maquiagem da Panvel dentro das dependências do Estádio Beira-Rio para o público feminino. Nesse caso, a rede de farmácias, outra patrocinadora do Colorado, tinha dificuldade de vender sua linha própria às gaúchas, mesmo acreditando que, com qualidade similar a marcas consolidadas, poderia aumentar sua participação no mercado.

“As torcedoras fizeram uma aula de maquiagem, ganharam o produto, puderam usar em casa e viram que o produto é bom. Depois de um tempo, quando o produto acabar, vão voltar para comprar esse produto”, concluiu Silveira.