O Manchester City divulgou seu relatório anual e demonstrações financeiras referentes ao ano encerrado em 30 de junho de 2025. O clube reportou um prejuízo líquido de £ 9,9 milhões no período, um contraste em relação ao lucro de £ 73,8 milhões registrado no exercício anterior.
De acordo com o relatório, esse resultado foi influenciado por fatores como o aumento nos gastos com jogadores (folha salarial) e uma redução na receita obtida com a venda de atletas.
Receitas
A receita total do clube atingiu £ 694,1 milhões, representando uma redução de £ 20,9 milhões em comparação à temporada anterior.
O segmento comercial continuou sendo a maior fonte de arrecadação, gerando £ 340,4 milhões, apesar de uma leve queda de £ 4,3 milhões. Esse valor inclui a receita líquida de operações de varejo terceirizadas. O clube estima que a receita total aumentaria para £ 755,9 milhões caso essas operações fossem geridas internamente.
Os direitos de transmissão geraram £ 278,6 milhões, uma diminuição de £ 16,1 milhões em relação à temporada anterior.
A principal causa dessa queda foi o desempenho na Champions League, quando o clube acabou eliminado logo nas oitavas de final para o Real Madrid.
Além disso, houve menos jogos transmitidos ao vivo no Reino Unido pela Premier League muito por conta da decepcionante campanha na qual o clube terminou na terceira posição. Essas perdas foram parcialmente compensadas por prêmios e a taxas de participação na primeira edição da Copa do Mundo de Clubes da Fifa.
A receita de bilheteria (matchday) apresentou estabilidade, totalizando £ 75,1 milhões, apenas £ 0,5 milhão abaixo do período anterior.
O clube realizou 27 partidas em casa, uma a mais que na temporada 2023/2024, mas a receita foi afetada por fatores conjunturais, incluindo jogos de menor importância no final da liga doméstica. Apesar disso, a média de público permaneceu alta, atingindo 52.517 torcedores por jogo durante a Premier League.
Despesas
As despesas operacionais totais subiram para £ 790,2 milhões, ante £ 779,9 milhões no exercício anterior. Os custos com funcionários, que incluem os salários dos jogadores e da comissão técnica, totalizaram £ 408,4 milhões.
O valor da folha de pagamento representou 59% da receita total do Manchester City, um leve aumento em relação aos 58% registrados na temporada 2023/2024.
Outro componente relevante das despesas foi a amortização e a redução ao valor recuperável de ativos intangíveis (registros de jogadores), que somou £ 169,5 milhões. Os gastos externos diversos também subiram, passando de £ 172,4 milhões para £ 187,8 milhões.
No mercado de transferências, o lucro na alienação de registros de jogadores foi de £ 95,2 milhões, uma queda significativa em comparação aos £ 139 milhões obtidos em 2023/2024.
Endividamento
O balanço patrimonial indica que o Manchester City possui ativos líquidos superiores a £ 850 milhões. Em termos de passivos, o clube registra £ 703,45 milhões em obrigações circulantes (de curto prazo) e £ 423,1 milhões em obrigações não circulantes (longo prazo).
Dentro das dívidas de longo prazo, destacam-se £ 253,3 milhões a pagar por contratação de jogadores e £ 102 milhões devidos a outras empresas do City Football Group (CFG).
Em relação ao financiamento, o grupo concluiu um empréstimo a prazo de US$ 650 milhões em julho de 2021 e um adicional de US$ 270 milhões em junho de 2024. O banco Barclays detém uma opção sobre 100% dos ativos do grupo como agente de garantia.
Acusações
Apesar do prejuízo líquido e das incertezas jurídicas relacionadas a acusações de violação das regras financeiras da Premier League, a diretoria do clube afirma que a empresa tem recursos suficientes para continuar operando pelos próximos 12 meses, apoiada por uma carta de suporte do Grupo City.
Sobre as acusações da liga, o Manchester City declarou, em nota oficial: “O clube emitiu um comunicado público informando que acolhe a revisão deste assunto por uma comissão independente, para considerar imparcialmente o corpo abrangente de evidências irrefutáveis que existem em apoio à sua posição”.
Financeiramente, o time inglês mantém o foco em investimentos de capital, com £ 178,6 milhões já aportados em projetos como a expansão da arquibancada Norte e o Distrito de Entretenimento de Manchester.
