Mulheres Líderes da Indústria Esportiva: Alice Alcântara, diretora de planejamento estratégico da Octagon

Alice Alcântara (segunda da esquerda para a direita) e sua equipe na Octagon Latam - Divulgação

Uma das poucas mulheres em cargo de liderança em uma grande agência de marketing, Alice Alcântara Bernardo, de 37 anos, diretora de planejamento estratégico da Octagon Latam, afirma que é otimista em relação à maior diversidade na indústria do esporte.

“Vejo a intenção e a ação para mais mulheres em cargos estratégicos”, disse a executiva, que ocupa o cargo desde abril de 2022.

A Octagon, que tem Ronaldo Fenômeno como sócio majoritário no Brasil, é uma agência global, presente em 22 países, com mais de 50 escritórios ao redor do mundo e mais de 800 colaboradores. 

Carreira

Antes de se tornar diretora na agência, não faltaram experiências para credenciar Alice para seu cargo diretivo na Octagon. Ela se formou em Comunicação, Mídia e Psicologia na Universidade de Nova York. Começou a carreira em agências de publicidade, como FCB Brasil, Africa e Santa Clara.

Depois, passou um período de cinco anos trabalhando na Ambev, de onde saiu como chefe de marketing da Budweiser no Brasil. Também foi chefe de percepções de marketing do consumidor e de inovação em bebidas na Liv Up. Como diretora na Octagon, seu foco tem sido no desenvolvimento do time e mudança de mentalidade.

“A agência de marketing esportivo e entretenimento está passando por um momento de transformação e crescimento. Seguindo uma analogia esportiva, sou apenas a técnica e preciso garantir que todo o time esteja trabalhando bem. Lembrando que nosso campeonato é de pontos corridos, e não mata-mata”, comparou.

Na Prática

De acordo com Alice, a Octagon era uma agência focada em projetos pontuais, mas hoje volta suas atenções para trabalhar com contas fixas.

“Nossas relações com os clientes são mais duradouras. Nosso papel de construção de marca se torna mais profundo e vai muito além da ativação. Desafios como lançar uma nova plataforma de streaming do UFC no Brasil, ou construir uma marca de cerveja através da plataforma de corrida e bem-estar, como a Michelob Ultra, são dinâmicos e multifacetados”, contou Alice.

“Assim, o papel do planejamento estratégico opera sempre em modo beta [fase de testes], evoluindo com o fã e com a marca”, acrescentou. 

 Kimberley Daly, diretora geral da Betfair Internacional, e Ronaldo Fenômeno, dono da SAF do Cruzeiro – Gustavo Aleixo / Cruzeiro

Betfair

Atualmente, a Octagon se posiciona como agência atuante em “esporte e entretenimento, construindo grandes cases em ambas as áreas”. Mas como será fazer parte disso na prática? Alice lembrou um dos principais desafios deste ano: a comunicação do patrocínio da Betfair ao Cruzeiro

“No começo deste ano, tivemos o lançamento oficial do patrocínio da Betfair com o Cruzeiro. Um lançamento feito em três fases, que engajou não só torcedores, mas parou Belo Horizonte e saiu em todos os noticiários do país”, destacou a executiva.

“Betfair e Cruzeiro criaram um novo marco de como falar de parceria entre marcas e times de futebol, com verdade, grandiosidade e até um pouco de humor. E isso é apenas o começo”, acrescentou.

UFC

Outro case importante recente da Octagon foi o lançamento do UFC Fight Pass no Brasil. A plataforma de streaming, além de transmitir os eventos do UFC ao vivo, também conta com vários conteúdos para o fã brasileiro de MMA, como lutas do passado, programas de debates e entrevistas com os principais lutadores da liga de lutas.

“Ganhamos a concorrência para lançarmos o UFC Fight Pass no Brasil. Com isso, nos tornamos a principal agência da liga no país, desempenhando um papel 360º e entregando ativações, mídia, planejamento e criação”, contou Alice.

A executiva revelou que o lançamento do UFC Fight Pass trouxe também novos desafios para se comunicar com o público que acompanha os eventos da liga de artes marciais mistas.

“Houve o resgate da paixão do brasileiro pelo esporte e seus atletas, e uma mudança de comportamento brusca para os fãs, acostumados a assistir às lutas no canal Combate. Agora têm que baixar um novo aplicativo, com novas funcionalidades e formas de usar”, explicou a executiva.

“Hoje, a cada sábado com luta, vemos os números do UFC Fight Pass subirem e a relevância do MMA no Brasil voltar à tona”, completou.

Público lota NBA House em noite de jogo – Adalberto Leister Filho / Máquina do Esporte

NBA House

Outra iniciativa tocada pela Octagon foi a produção da NBA House, espaço de ativação da liga norte-americana de basquete e de seus patrocinadores montado a cada ano em São Paulo durante as finais do campeonato.

“Talvez seja o case mais lembrado da Octagon, o que mais nos traz potenciais clientes até hoje. Uma experiência única do basquete, que vai muito além do jogo. Estamos indo para a sexta edição da NBA House no Brasil neste ano. A cada edição, a experiência evolui”, celebrou Alice.

Segundo a executiva, o desafio é tentar surpreender o público envolvido com basquete que frequenta o espaço a cada ano.

“A NBA House não é apenas um case para a NBA, mas também para suas marcas parceiras, que conseguem proporcionar uma ligação única com seus consumidores. Desde shows exclusivos da Budweiser, como a Ludmilla em 2022 para a festa de abertura, até a diversão do Lek Trek, [mascote] da Sadia, nos desafios diários do evento”, comentou.

Mulheres

Para Alice, a pouca presença feminina em cargos de liderança e gestão estratégica não é limitada apenas ao setor esportivo.

“Aqui, na agência, temos três mulheres diretoras, além de mim. Vejo que os sócios têm uma vontade verdadeira de transformar a Octagon em um lugar inclusivo e plural. Isso, para mim, já é um primeiro passo muito promissor”, ponderou a executiva.

“As mulheres são maioria na linha de diretoria da Octagon. Quando a gente olha pra toda a holding, a ODDZ Network, nossos números totais são: 52% de mulheres e 45% de mulheres em cargos de liderança, ou seja, gerentes, heads e diretoras”, acrescentou.

A diretora acredita que, além dos cargos estratégicos, o esporte feminino precisa ser visto com a mesma relevância que o masculino.

“Precisamos trazer maior visibilidade para as ligas femininas. Precisamos de mais audiência, mais fãs. Consequentemente, teremos mais patrocinadores. Precisamos do compromisso de igualdade de pagamento”, analisou.

“Precisamos combater o preconceito, abraçar as diferenças e construir um ambiente seguro psicologicamente, emocionalmente e fisicamente. O esporte feminino pode abrir muitas portas, inspirar muitas meninas e ser uma alavanca para a equidade de gênero como um todo”, finalizou a executiva.

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