O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, avaliou o atual cenário comercial do futebol brasileiro durante uma palestra feita nesta quinta-feira (14), na São Paulo Innovation Week (SPIW), realizada na capital paulista. O dirigente elogiou o contrato de TV do Futebol Forte União (FFU), negociado pela LiveMode, bloco rival da Liga do Futebol Brasileiro (Libra), integrada pelo time rubro-negro.
“Eles tinham 40% da audiência e pegaram 60% do contrato. A LiveMode fez um trabalho excepcional. Eles negociaram melhor. Entendo que eles têm uma visão de mercado de futuro que é mais próxima do que eu penso”, afirmou o mandatário, durante palestra na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo (SP).
Negociação
Bap detalhou os bastidores das discussões internas na Libra e como o Flamengo buscou recompor sua fatia financeira do contrato de TV, negociado com a Globo para todas as plataformas. Segundo o dirigente, a estratégia inicial previa um valor maior, mas o acerto final garantiu um incremento significativo.
“O Flamengo queria R$ 250 milhões, e aceitamos receber em um patamar mais baixo. Eu diria que eu recuperei R$ 150 milhões”, ressaltou.
A negociação envolveu uma análise sobre as perdas anuais de clubes como São Paulo, Atlético-MG e Grêmio. Bap contou que houve uma coordenação com o clube gaúcho para equilibrar a distribuição.
“Mostramos para cada clube quanto estava perdendo por ano. O Grêmio foi o único que se sensibilizou. Era justo que repassasse alguma coisa para o Grêmio. Fizemos um cálculo básico, na proporção do que a gente pediu, e repassamos esse valor ao Grêmio”, contou, referindo-se a uma verba anual de R$ 6 milhões que será enviada pelo Flamengo ao clube gaúcho.
Liga
Sobre a criação de uma liga unificada, o presidente do Flamengo defendeu a presença institucional da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como parceira estrutural. Ele acredita que a entidade deve atuar na prestação de serviços e organização do campeonato, enquanto os clubes poderiam focar na comercialização do produto.
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“Não existe hipótese de ter liga no Brasil sem a presença da CBF. A CBF subsidia vários clubes, que não vou nomear aqui. É um ‘stakeholder’ fundamental no processo. A participação da CBF é fundamental. Esta CBF que a gente está vendo hoje tem feito muita coisa boa pelo futebol brasileiro. Acredito que temos uma chance de fazer uma liga agora no Brasil. Nunca estive tão confiante a respeito disso”, respondeu Bap, após um questionamento da Máquina do Esporte feito depois do evento.
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O dirigente reforçou que a relação com a confederação deve ser baseada na competência de cada parte.
“Uma coisa é o que a gente pode fazer, outra é o como. O como vai ter que ser negociado, vai ter que ser ajustado. Em uma sociedade, o 1 mais 1 tem que dar 3. Se eu virar sócio de alguém que sabe exatamente o que eu sei, o 1 mais 1 dá 1. Então, nós vamos ter que discutir esse como com a CBF”, salientou.
Divergência
A saída do Palmeiras do bloco da Libra também foi abordada pelo presidente do Flamengo. Para o dirigente, o movimento do rival paulista tem maior peso midiático do que impacto financeiro imediato, uma vez que existem contratos vigentes a serem cumpridos.
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Bap ainda foi enfático sobre futuras melhorias contratuais, as quais pretende discutir no acordo com a Globo.
“Qual é o efeito prático do Palmeiras ter saído da Libra? Nenhum. Eles têm um contrato que têm que cumprir. Agora, se eu conseguir um centavo a mais neste contrato, o Palmeiras não vai receber. Se não acredita no grupo, faz todo sentido ir embora”, comentou.
Estratégia
O Flamengo trabalha para expandir sua receita recorrente, que hoje atinge R$ 1,4 bilhão, valor que não contabiliza premiações ou venda de jogadores. A meta é alcançar mais R$ 1 bilhão por meio de novas verticais de negócio.
Entre os projetos confirmados está o lançamento da Gávea, uma marca de moda casual com ênfase no público feminino.
“Nosso foco é em mulher, que compra seis vezes mais [roupa] do que homem. Tenho 8 milhões de seguidores na Flamengo TV. Uma das partes mais caras é com marketing e divulgação. A gente tem isso de graça”, pontuou o dirigente.
Além do setor têxtil, Bap revelou que poderá haver um projeto imobiliário, cujos detalhes ainda serão anunciados, além da ampliação da produção de conteúdo.
“O projeto de reality show, que estamos pensando há seis ou sete meses, pode sair do forno. Vejo o Flamengo como uma Disney, ecossistema de 45 milhões de torcedores”, contou.
No Maracanã, a ideia é implementar serviços digitais de entrega de alimentos durante os jogos, aproveitando a base de dados e o uso de inteligência artificial (IA) para personalizar a oferta ao torcedor.
Tributação
No campo legislativo, Baptista celebrou a mobilização dos clubes associativos na Câmara dos Deputados. Nesta quarta-feira (13), as equipes conseguiram uma vitória importante no tema, com 421 votos a favor e apenas três contra a manutenção de condições tributárias equilibradas para os clubes que não adotaram o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
O dirigente argumentou que o Flamengo investe anualmente R$ 44 milhões em esportes olímpicos, mantendo mais de 1.500 atletas, despesa que as SAFs não teriam.
“A SAF não tem compromisso com nenhuma outra área de responsabilidade social do esporte. Mas nós vamos pagar três vezes mais impostos que eles? Ano que vem, a gente pagaria entre R$ 180 milhões e R$ 200 milhões a mais de impostos. Iria pagar um Paquetá por ano”, comparou.
Eficiência
Bap não fez apenas críticas aos rivais. O dirigente também elogiou a eficiência de gestão de algumas equipes com menos recursos. Ele citou o Mirassol como um exemplo de competência técnica e o Fluminense como uma agremiação que utiliza os recursos de forma mais eficaz do que times com mais investimento.
“O Fluminense é mais competente do que Flamengo e Palmeiras. Quando você não tem dinheiro, é mais criativo nas soluções. Quando você tem dinheiro, fica mais relaxado. E quando você ganha, piora”, concluiu.
