Empresa dinamarquesa especializada em soluções digitais para o mundo esportivo, a NewC vive um momento em que busca expandir sua atuação no Brasil e na América Latina.
A companhia tornou-se conhecida no país por dois casos de sucesso envolvendo o Palmeiras e o Atlético-MG. Nos últimos tempos, ela tem intensificado as conversas com clubes da Série A do Brasileirão.
É o que revelou o diretor-geral da NewC no Brasil, Cesar Sbrighi, em entrevista concedida à Máquina do Esporte na última semana. Sua chegada à empresa, oficializada em abril deste ano, é parte da construção dessa estratégia.
No fim da década de 1990, ele já atuava com marketing esportivo, chegando a manter um site especializado no tema. Acumula passagens por importantes clubes, como Corinthians, e empresas conhecidas do setor de bilheteria, como a ElevenTickets.
Trabalhou em eventos da Federação Internacional de Futebol (Fifa) como a Copa do Mundo de Clubes de 2025 (era responsável pela sede de Miami) e a Copa Intercontinental, realizada no fim do ano, no Catar.
À época em que foi convidado para ingressar na NewC, Sbrighi prestava serviço à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), no Campeonato Mundial de Marcha Atlética por Equipes de 2026, realizado em Brasília.
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“E então o pessoal da NewC me encontrou. Eles estavam querendo expandir o mercado aqui no Brasil, viram no meu perfil e consideraram interessante”, explicou.
Casos de sucesso
A investida da NewC no mercado brasileiro aproveitará casos em que sua atuação trouxe resultados positivos para clubes no país e no exterior.
Na Série A, os principais exemplos de êxito estão nas parcerias com o Palmeiras e o Atlético-MG.
“Quando iniciamos no Avanti [programa de sócio-torcedor do Alviverde], eles tinham cerca de 40 mil sócios-torcedores. Hoje em dia, chegaram a quase 200 mil. O último dado aberto que temos de receita do programa é de quase R$ 75 milhões ao ano. É um número muito grande. E acreditamos que no Brasil temos muito para crescer ainda”, afirmou.
Com o Atlético-MG, a NewC costuma explorar a técnica do upsell (que consiste em incentivar o cliente a adquirir uma versão mais avançada, completa ou premium do produto ou serviço que ele já está prestes a comprar) para arrecadar recursos para a Fundação Galo e para o próprio clube.
“No Atlético-MG, eles conseguem uns recursos extras porque usam o nosso sistema, que permite realizar esse tipo de venda no momento que o torcedor está suscetível a ela. Oferecemos diversas possibilidades de venda, incluindo de estacionamento junto do ingresso, além de produtos como copo, camiseta ou experiências pro torcedor. Então, no momento de compra consguimos agregar muito valor para os times”, disse Sbrighi.
A empresa gerencia o controle de acesso na Arena MRV, em Belo Horizonte (MG), operando ainda o sistema de reconhecimento facial no perímetro fora do estádio.

“Todo mundo que entra ali na Esplanada – onde há show, venda de cerveja e copo, loja do Atlético-MG com milhares de opções de roupas – ali a pessoa tem uma experiência diferente. Depois quando vai entrar no estádio, passa de novo na catraca. E você já consegue dar um suporte para os torcedores”, afirmou.
Segundo ele, os leitores faciais disponíveis no estádio do Galo já são aptos a exibir, por exemplo, uma propaganda específica para cada torcedor, customizando a experiência dos fãs.
Expansão para a América Latina e desafios
Durante a entrevista, o executivo comentou sobre os planos de expansão da NewC. “Além do Brasil, estamos abrindo os mercados na América Latina, expandindo também para escritórios no México. Estamos com boas perspectivas”, revelou.
De acordo com o diretor, além de negociar com novas equipes da Série A, a empresa pretende investir em inovação no Brasil.
“Ainda não posso falar onde, mas vamos conseguir que um estádio utilize ainda mais tecnologias como as que existem na NBA, na NFL e no Campeonato Inglês, para modificar a experiência do torcedor, transformando o lugar em um estádio quase digital, em que você consegue ter o perfil do torcedor desde a entrada”, afirmou.
Ao mesmo tempo, Sbrighi também falou sobre os desafios para fazer crescer os planos de sócio-torcedor no país.
“Não é fácil gerir 200 mil pessoas. É um processo com diversos tipos de cobrança, diferentes planos e possibilidades de parceiros. É complexo para um sistema aguentar tudo isso, de uma forma que seja fácil e intuitiva para os torcedores entenderem o processo, entenderem as vantagens de ser sócio-torcedor”, ponderou.
Na visão dele, os programas de sócios não podem seguir girando em torno apenas dos ingressos para jogos, embora reconheça que produto é fundamental para o êxito das iniciativas.
“E acho que a ideia é que os clubes cada vez mais tirem isso do ingresso e façam com que o sócio-torcedor seja um lifestyle mesmo. Se você é sócio-torcedor do Palmeiras, tem o Palmeiras Pay e outros recursos, além de desconto em faculdade, em farmácia e em diversos lugares”, observou.
