O Operário-PR foi conhecido nos últimos anos, para além das participações na Série B do Campeonato Brasileiro, por uma estratégia comercial que envolvia o acúmulo de patrocinadores no uniforme. Depois de encerrar 2025 com dezenas de marcas na camisa, o clube paranaense assumiu uma nova postura para 2026.
Até a última temporada, a equipe contava com 25 patrocinadores expostos em seus uniformes, em uma estratégia que Fernando Scheffer, diretor comercial do Operário-PR, hoje caracteriza como “de cidade de interior”.
“O time vai arrecadando da forma que dá e todo mundo quer ajudar. Então, boa parte dessas empresas eram locais, desde mercado, loja de material esportivo e dois ou três grandes varejistas aqui da cidade. Eles se reuniam, entravam e faziam esse patrocínio sempre pensando no bem do clube”, disse o empresário, que faz parte do grupo gestor do clube, à Máquina do Esporte.
Ainda que o apoio dos empresários locais justificava a estratégia, as dezenas de acordos se tornaram um incômodo para a torcida do Operário-PR, principalmente por conta da identidade do clube, que se perdia no carnaval de marcas no uniforme.
“Comecei a ouvir a torcida, ver os comentários no Instagram e fazer alguns estudos com o clube para entender valores de propriedades. Via que a torcida pedia isso, falavam que muita empresa se destacava [na camisa], e o escudo do clube não”, contou o diretor comercial.
Novos rumos
Diante do cenário, o clube estruturou um projeto para reduzir o número de patrocinadores. O primeiro passo foi rever os valores das propriedades, partindo do princípio de que se haverão menos marcas, cada espaço deverá ser mais caro para manter a receita, pelo menos, igual.
“Então, pegamos os 25 patrocinadores, precificamos as propriedades de acordo com o estudo que fizemos e oferecemos para as 25 empresas. Dessas, umas seis aceitaram”, lembrou Fernando Scheffer.
Com os valores maiores, algumas empresas optaram por não renovar. Outras, porém, seguiram outros caminhos dentro do Operário-PR, assumindo outras propriedades que em alguns casos faziam até mais sentido. Ativos de camarote, placas dentro do estádio e ativações no aplicativo do Operário-PR, por exemplo, “herdaram” marcas que antes estavam no uniforme.
“Para um mercado local, por exemplo, é muito melhor fazer uma ação no estádio para o público que está na cidade do que pensar em uma ação de alcance nacional, já que o mercado dele está aqui [em Ponta Grossa (PR)]”, exaltou o dirigente.
O resultado inicial foi a redução de 25 patrocinadores para 12, com uma camisa de design mais “sóbrio”, como o diretor comercial prefere se referir.
“Boa parte das empresas são multinacionais. Temos Philips, Aiwa, Midea. Trouxemos empresas com renome. Isso também serve para tirar essa característica de time de interior e demonstrar um pouco mais de profissionalismo ao ter menos empresas”, pontuou.

Máster
Até o momento, o Operário-PR já fechou mais de 10 acordos de patrocínio para propriedades no uniforme. Entre os espaços restantes, está o máster, ativo de maior valor no uniforme, na parte da frente.
“Tivemos algumas negociações ano passado, falamos com grandes varejistas e algumas casas de apostas, e adotamos a estratégia de rodar a camiseta no primeiro mês, em janeiro, sem o máster vendido”, detalhou Fernando Scheffer.
“A intenção é um patrocínio máster numa marca que acompanhe as outras no sentido multinacional ou nacional”, acrescentou.
A diretoria acredita que, mais do que um primeiro impacto visual, a utilização da camisa com menos patrocinadores será como uma apresentação ao mercado do novo princípio comercial adotado. Neste sentido, a disputa do Campeonato Paranaense tem sido como uma vitrine.
“Vamos deixar essa imagem rodar para o nosso futuro máster entender que tem menos patrocinadores, uma concorrência visual menor e que vale a pena. Mesmo o Paranaense não tendo tanta visibilidade, fizemos o lançamento e você já vê a camiseta na imprensa. Conseguimos entrar numa reunião e mostrar o antes e o depois”, ponderou.
Financeiro
Do ponto de vista financeiro, os resultados ainda são iniciais, mas a expectativa é que não haja queda no faturamento com patrocinadores, com possibilidade até mesmo de um pequeno ganho.
“Conseguimos equiparar a receita sem o [patrocinador] máster. Com o máster, vai ficar muito próximo, pouca coisa acima da inflação”, projetou o dirigente.
Ainda assim, outras frentes que foram impactadas pela estratégia deverão gerar novos ganhos ao Operário-PR. O clube espera, por exemplo, que a nova fase comercial potencialize faturamentos paralelos.
“Se você tem uma camiseta mais bonita e mais vendida, o torcedor cria uma atmosfera melhor de otimismo. A gente sente na cidade que a torcida está muito otimista por conta dessas mudanças. A camiseta simboliza uma mudança”, relatou Scheffer.
“Aumentando o público, aumenta a receita do bar e por aí vai, é tudo conectado. O projeto inicialmente não tinha o intuito de aumentar a receita em 30% a todo custo reduzindo os patrocinadores. Vamos buscar igualar. Igualando, já temos essa mudança concretizada”, complementou.
A venda de camisas também já foi impactada, uma demonstração da aprovação. Os maiores impactos deverão ser sentidos ao longo do ano, conforme o calendário evolui.
“Criamos uma camiseta com logos em preto e branco, atendendo ao pedido da torcida de ter as cores do clube. E temos um segundo modelo, que é uma camiseta branca com logos nas cores originais dos patrocinadores. De um lado agradamos a torcida e do outro não deixamos de agradar o patrocinador”, descreveu.
“O grande movimento, tanto no estádio quanto na loja, acontece no Brasileirão ou agora na fase em que o Operário-PR está entrando, nas quartas de final do Paranaense. Está começando o momento do ano que mais movimenta o estádio, mas para janeiro tivemos um aumento considerável na venda de camisetas”, completou.
Conexão
Por fim, um dos principais impactos esperado é no valor de conexão que o Operário-PR passa a oferecer aos seus patrocinadores. Com menos empresas envolvidas, os parceiros passam a ser mais facilmente identificados, bem como valorizados pelos torcedores.
“Em paralelo estruturamos melhor o departamento de marketing. Melhoramos muito a relação com os patrocinadores, buscando fazer ações com jogadores dentro de campo. É nítida a evolução na relação”, apontou o diretor comercial.
Entre as marcas que se tornaram parceiras do Operário-PR, está a Águia Sistemas, que estreou no futebol a partir do acordo com o clube paranaense. A mudança comercial da equipe foi importante para a entrada.
“Esse movimento do Operário-PR demonstra maturidade e respeito ao torcedor, algo que está muito alinhado aos valores da Águia. Para nós, estar em uma camisa mais limpa, com menos marcas e mais significado com esta tradição e importância para a comunidade reforça o impacto do patrocínio e amplia a força da nossa presença nacional”, comentou Rogério Scheffer, diretor presidente da Águia Sistemas.
Em 2026, o Operário-PR disputará a Série B do Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Sul-Sudeste. No Campeonato Paranaense, em que é a atual campeão, enfrenta o Azuris pelo segundo jogo das quartas de final no domingo (8), com vantagem de dois gols.
