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Órgão regulador vê risco de colapso no futebol inglês com 94% dos clubes operando com prejuízo

Relatório “State of the Game” exige intervenção no mercado para interromper modelo dependente de injeções emergenciais e endividamento elevado

Erling Haaland comemora gol marcado pelo Manchester City em partida contra o Liverpool na Premier League 2026/2027 - Divulgação / Manchester City

⚡ Máquina Fast
  • 94% dos clubes de futebol inglês operam no prejuízo, revelando risco financeiro sistêmico segundo o Regulador Independente do Futebol do Reino Unido.
  • A Premier League concentra 83% das receitas totais, com os seis clubes mais ricos detendo quase metade dos recursos do futebol inglês.
  • Plano do IFR prevê fim da autorregulação e exige controles financeiros e governança para garantir sustentabilidade até 2030.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O recém-criado Regulador Independente do Futebol (IFR, na sigla em inglês) do Reino Unido publicou o relatório preliminar “State of the Game”, revelando que as finanças da modalidade no país enfrentam um risco sistêmico grave. O diagnóstico abrange as cinco principais divisões masculinas inglesas e aponta que 94% dos clubes operam no prejuízo.

O documento detalha um cenário no qual o sucesso comercial e as arrecadações recordes coexistem com um modelo de negócios dependente de injeções emergenciais de capital dos proprietários e de um endividamento elevado.

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Na temporada 2025/2026, as ligas analisadas geraram uma receita consolidada de £ 9,1 bilhões, porém com extrema concentração de recursos. A Premier League absorveu 83% do total, com os seis clubes mais ricos concentrando quase metade de todo o dinheiro movimentado pelo ecossistema.

“No coração do sucesso do futebol inglês há uma enorme contradição. Enquanto alguns dos nossos clubes estão entre os mais ricos e competitivos do mundo, outros estão à beira do desastre financeiro”, disse David Kogan, presidente do IFR.

“Um número significativo de clubes nos disse que não sobreviveria se seus proprietários fossem embora. Esta falta de resiliência não pode mais ser ignorada. Qualquer um que leia este relatório não pode ter dúvidas sobre a necessidade de intervenção”, acrescentou.

Desigualdade

O distanciamento econômico entre os níveis da pirâmide é intensificado pelo sistema de “pagamentos de paraquedas” repassado aos rebaixados da elite. Essa injeção de capital cria uma distorção competitiva na Championship, a segunda divisão, forçando os times sem o benefício a participarem de uma corrida inflacionária.

Para manter a competitividade, as equipes chegam a comprometer 84% de suas receitas apenas com as folhas salariais. O problema se estende aos gastos estruturais não esportivos, já que o regulador identificou 17 agremiações nas divisões inferiores com despesas operacionais fixas maiores que a arrecadação bruta, configurando um modelo deficitário mesmo na hipótese de nenhum atleta ser remunerado.

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Balança negativa

A fragilidade de caixa atinge o ponto crítico para 60% dos clubes da English Football League e da National League, cujos passivos superam o valor contábil dos ativos. A dependência de financiamento externo no modelo imediato é tão alta que mais de um quarto das equipes admitiu a incapacidade de manter as portas abertas por mais de trinta dias em caso de saída de seus investidores.

O levantamento indica que a operação diária tem sido pressionada pela escalada do custo da dívida, com os encargos de juros crescendo 370% nas últimas temporadas, e pela monetização desenfreada de transferências por meio de fundos privados.

Atitude

Como resposta ao cenário, o IFR promulgou um plano de ação com exigências mandatórias para a concessão de licenças operacionais definitivas até 2030, encerrando o modelo de autorregulação das ligas.

A intervenção prevê um mecanismo de redistribuição de receitas para atenuar as diferenças entre as divisões, imposição de medidas para estancar as perdas financeiras e a exigência de formação de reservas de caixa.

As diretorias serão obrigadas a submeter as contas a testes de estresse de cenários adversos, cumprir metas de governança e inclusão corporativa, além de comprovar formalmente a participação e a consulta aos torcedores em processos de decisões estratégicas.

Resposta

Diante da publicação da versão preliminar do relatório, a Premier League publicou uma nota oficial informando estar ciente das denúncias realizadas pela IFR, tratadas pela liga como “desafios importantes”.

A liga inglesa afirmou que analisará o estudo detalhadamente antes de responder à consulta do órgão regulador e que continuará a trabalhar com a IFR para fortalecer a base da pirâmide profissional do futebol.

“A Premier League partilha da preferência do IFR de que a solução para a distribuição de receitas seja liderada pelo futebol. Como o relatório deixa claro, o novo financiamento deve ser acompanhado de controles financeiros eficazes e de reformas mais abrangentes para fortalecer os clubes”, publicou a Premier League.

“Acreditamos que a proposta que apresentamos à EFL, aprovada por unanimidade pelos clubes da Premier League em julho, atende aos objetivos definidos pelo IFR em seu relatório. A Liga mantém o compromisso de firmar uma parceria de longo prazo com a EFL que seja justa, generosa e que equilibre os interesses de todos os clubes”, acrescentou.