A diretoria da Premier League enfrenta a oposição do “Big Six”, grupo composto por Arsenal, Chelsea, Manchester City, Manchester United, Liverpool e Tottenham Hotspur, em relação a uma nova proposta de comercialização coletiva de patrocínios.
De acordo com o The Telegraph, o projeto da liga inglesa prevê a unificação de novos ativos das 20 equipes da competição, com foco principal na venda conjunta dos espaços publicitários nos painéis de LED localizados à beira do gramado. A projeção é que a ampliação do pacote oferecido aos parceiros eleve a arrecadação anual de £ 200 milhões para £ 750 milhões.
Atualmente, os clubes mantêm o controle majoritário sobre a publicidade nas placas de led em seus respectivos estádios. O modelo de venda coletiva em vigor engloba acordos de licenciamento de dados e parcerias corporativas diretas com a liga, envolvendo marcas como EA Sports, Puma, Guinness, Coca-Cola e Microsoft.
No balanço da temporada 2024/2025, a receita comercial centralizada representou £ 158 milhões do total de £ 2,8 bilhões distribuído pela organização, resultando em um repasse igualitário de £ 7,9 milhões para cada agremiação. A estimativa para o ciclo de 2025/2026, com publicação prevista para este mês, aponta para um crescimento desse bolo comercial centralizado para a casa dos £ 200 milhões.
Resistência
As equipes com maior orçamento, porém, resistem à expansão do modelo por considerarem que a medida impõe freios à sua capacidade individual de faturamento.
O argumento do Big Six é que a venda direta de seus próprios direitos comerciais gera retornos superiores ao que teriam caso entrassem na negociação coletiva. O bloco também acredita que a unificação não poderia seguir o formato de divisão em partes iguais, exigindo repasses proporcionais ao peso de mercado de cada clube.
O impasse já foi debatido nas reuniões do conselho em fevereiro e junho e integra a pauta da próxima assembleia de acionistas, agendada para o dia 24 de setembro.
Discordâncias
O atrito sobre as propriedades comerciais integra um cenário de divergências sobre regulamentações financeiras na competição. Recentemente, clube como Manchester United e Manchester City lideraram o movimento que barrou o princípio de ancoragem, uma regra que pretendia limitar os gastos dos times mais ricos a um teto equivalente a 4,5 vezes o valor arrecadado pelo 20º colocado do campeonato.
Paralelamente, o novo sistema de proporção de custos de elenco, que limita os gastos com o departamento de futebol a 85% das receitas operacionais, foi aprovado em outubro com o aval de 14 membros, superando os votos contrários de seis equipes que se opuseram às novas travas econômicas.
A tentativa de Premier League em aplicar novas ferramentas de controle e incentivo financeiro aos clubes passa pelo objetivo de manter a liga inglesa competitiva, impedindo que algumas equipes tornem-se muito mais fortes do que as outras.
