O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, é alvo de um inquérito policial que apura suspeitas de gestão fraudulenta, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. A investigação foi instaurada a pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e tramita no 23º Distrito Policial de Perdizes.
A informação foi publicada pela coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo e confirmada pela Máquina do Esporte.
O procedimento teve origem em uma notícia de fato criminal apresentada pelos promotores Beatriz Lotufo Oliveira e Júlio César Matias Soares. No documento, os membros do MP-SP relatam uma “vultuosa evolução patrimonial desprovida de lastro, situações que, em tese, podem caracterizar a prática de crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro, dentre outros”.
Investigação
A Polícia Civil apura a aquisição de dezenas de imóveis registrados em nome de Carneiro Bastos e de seu núcleo familiar, com concentração de propriedades e empresas na cidade de Taubaté.
O inquérito também analisa sucessivas alterações societárias e a criação de holdings com a participação de parentes próximos.
Segundo a Folha, um dos pontos centrais da investigação é a venda da participação de Carneiro Bastos na empresa Milclean Serviços Ltda., em 2021. A operação foi registrada pelo valor de R$ 15,5 milhões, sendo que R$ 11,5 milhões teriam sido pagos em espécie, o que configura, para o MP-SP, uma transação que levanta suspeitas.
Questionada pela Máquina do Esporte, a Polícia Civil confirmou que abriu procedimento investigativo sobre o dirigente.
“O caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado a pedido do Ministério Público no 23º Distrito Policial (Perdizes). As diligências seguem em andamento para o completo esclarecimento dos fatos”, informou a Polícia Civil.
Procurado para comentar as investigações sobre Carneiro Bastos, o MP-SP não se pronunciou.
Eleição
O surgimento da investigação ocorre em um período crítico para Carneiro Bastos. A Federação Paulista de Futebol (FPF) tem eleição marcada para o próximo dia 25 de março. O dirigente busca seu quarto mandato na entidade. Carneiro Bastos está à frente daj FPF desde 2015, quando substituiu Marco Polo Del Nero, na época eleito presidente da CBF.
O cenário eleitoral deste ano indica a possibilidade de uma candidatura de oposição, quebrando a sequência de pleitos com chapa única na entidade. Wilson Marqueti Júnior, ex-procurador-geral do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), além de ex-vice-presidente da própria FPF, tenta apoio de clubes e ligas para viabilizar sua candidatura como oposicionista do atual presidente.
Outro lado
Procurado pela Máquina do Esporte, Carneiro Bastos divulgou nota em que relaciona as denúncias contra ele à aproximação das eleições na federação. O dirigente afirma ter o apoio da maioria dos votantes no pleito marcado para o dia 25 de março. Ele acusa Marqueti Júnior, seu opositor, de estar por trás da representação ao MP-SP.
Ele também nega que tenha recebido pagamento em espécie pela venda da Milclean. Segundo o dirigente, o pagamento pelo negócio foi feito em 60 parcelas pagas através de transferências bancárias e registradas em sua declaração ao Imposto de Renda. Leia abaixo a íntegra do pronunciamento de Carneiro Bastos:
“A Federação Paulista de Futebol terá eleição no dia 25 de março, em um pleito que tenho a honra de receber apoio de quase 100% dos clubes e ligas para me reeleger. Todo colégio eleitoral, as pessoas com quem convivo e trabalho sabem da minha lisura e correção. Ainda assim, infelizmente estamos enfrentando o jogo sujo de um aventureiro que não tem nenhum voto.
Por meio de um cidadão chamado Joel Passos, um ex-auditor suplente do TJD-SP, o aspirante a candidato Wilson Marqueti Jr. vem tentando influenciar no processo eleitoral tendo como única bandeira um denuncismo vazio e calunioso contra a minha honra e imagem.
Após sofrer diversos reveses na Justiça em relação ao contrato de patrocínio da Petrobras para o futebol feminino paulista, o preposto de Marqueti fez nova investida mentirosa. O garrancho encaminhado ao Ministério Público, um amontoado de invenções, agora trata do meu patrimônio familiar.
Durante minha carreira profissional de mais de 50 anos, jamais fui remunerado em espécie. Ao contrário do que sugerem meus detratores, não recebi nenhum real em dinheiro pela venda de participação da Milclean. Conforme contrato de compra e venda da empresa, toda operação, parcelada em 60 meses, foi realizada por meio de transferência bancária registrada e declarada à Receita Federal. Todas as minhas declarações de imposto de renda foram entregues e aprovadas pelas autoridades. E jamais respondi a qualquer processo criminal.
Comecei a trabalhar aos 14 anos. Iniciei minha carreira como dirigente de futebol aos 18 anos. Toda minha história e patrimônio foram construídos com o meu trabalho pessoal e da minha família. Desta forma, processarei os caluniadores pelas acusações infundadas.”
