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Portuguesa expulsa e denuncia sócios que cometeram racismo contra Hugo Souza, do Corinthians

Reação do clube segue a linha mais enérgica adotada por Red Bull Bragantino e Uefa, em casos semelhantes ocorridos nos últimos dias

Hugo Souza sofreu racismo no Canindé, após brilhar na classificação do Corinthians diante da Portuguesa - Reprodução / Instagram (@hugosouza)

⚡ Máquina Fast
  • Portuguesa identifica torcedores que proferiram insultos racistas contra goleiro Hugo Souza e os exclui do quadro de sócios-torcedores.
  • Red Bull Bragantino pune zagueiro Gustavo por declarações machistas, aplicando multa e suspensão e doa valor a ONG de apoio a mulheres.
  • UEFA suspende Gianluca Prestianni, do Benfica, após acusações de racismo feitas pelo atacante Vinicius Júnior durante partida da Champions League.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Após muitos anos de omissão, o futebol começa enfim a adotar uma postura mais enérgica em relação a diferentes formas de discriminação e de ataques à dignidade humana, ocorridos nos estádios.

Nesta terça-feira (24), a Portuguesa informou que conseguiu identificar os torcedores que desferiram insultos racistas contra o goleiro Hugo Souza, do Corinthians.

Os ataques aconteceram no último domingo (22), em partida ocorrida no Estádio do Canindé, em São Paulo (SP), válida pelas quartas de final da Série A1 do Paulistão, quando o jogador do Timão conseguiu defender três pênaltis, ajudando o clube avançar na competição e eliminando a Lusa.

A Portuguesa também comunicou que os autores das ofensas racistas a Hugo Souza serão excluídos do quadro de sócios-torcedores do clube e terão suas identidades encaminhadas às autoridades.

“Reforçamos o nosso repúdio aos atos, que não representam os nossos valores e os de nossa torcida, e não toleraremos qualquer tipo de comportamento discriminatório”, afirmou o clube.

Red Bull Bragantino

A resposta dura da Portuguesa ocorre no momento em que outras instituições começam a reagir de forma mais firme a casos de discriminação ocorridos dentro do futebol.

Nesta semana, o Red Bull Bragantino decidiu punir o zagueiro Gustavo, por conta das declarações machistas feitas por ele durante a entrevista coletiva realizada após a eliminação do clube diante do São Paulo, no último sábado (21), pelas quartas de final do Paulistão.

Na ocasião, o atleta criticou a Federação Paulista de Futebol (FPF) por haver escalado uma mulher como árbitra da partida decisiva, tentando atribuir à profissional a culpa pela eliminação de seu time, mas sem conseguir apontar um erro material ou de direito que Daiane Muniz pudesse ter cometido durante o jogo.

Gustavo será multado em 50% de seu salário, por conta das falas machistas, e ainda ficará de fora da partida contra o Athletico-PR, nesta quarta-feira (25), pela Série A do Brasileirão. O valor descontado do zagueiro será doado à ONG Rendar, que atende mulheres em situação de vulnerabilidade na região de Bragança Paulista.

No domingo, pouco após a entrevista concedida por Gustavo, o Red Bull Bragantino emitiu comunicado nas redes, pedindo desculpas à árbitra Daiane Muniz e às mulheres em geral. “O clube não compactua e repudia a fala machista do zagueiro Gustavo Marques, dita após a partida”, afirmou o texto.

Gustavo teve de se dirigir, acompanhado do diretor esportivo Diego Cerri, até o vestiário da arbitragem para pedir desculpas pessoalmente, em nome da instituição, e reconhecer o erro cometido.

“Sabemos que o peso de uma eliminação é frustrante, mas nada justifica o que foi dito. Seja no futebol ou em qualquer meio da sociedade”, disse a nota.

Vinicius Júnior

Também nesta segunda-feira, conforme noticiou a Máquina do Esporte, a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) decidiu suspender provisoriamente o meia-atacante argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, acusado de racismo pelo atacante Vinicius Júnior, do Real Madrid.

As ofensas ocorreram na última semana, durante o jogo de ida dos playoffs da Champions League, realizado no Estádio da Luz, em Lisboa.

Vini Júnior havia acabado de marcar o gol da vitória do Real Madrid, no segundo tempo de jogo, e resolveu comemorar dançando ao lado da bandeirinha de escanteio.

Instantes depois, Prestianni cobriu a boca com a camisa e proferiu os insultos. O brasileiro comunicou o ocorrido ao árbitro francês François Letexier, que acionou o protocolo contra racismo da Federação Internacional de Futebol (Fifa), o que levou a partida a ficar mais de dez minutos paralisada.

Os franceses Aurélien Tchouaméni e Kylian Mbappé, companheiros de equipe do brasileiro, apoiaram Vini Júnior. Em entrevista concedida após o jogo, ambos endossaram a acusação contra Prestianni, dizendo que também haviam escutado os insultos racistas que teriam sido feitos pelo jogador do Benfica.

O clube português publicou na semana passada, nas redes sociais, um post declarando apoio incondicional ao jogador argentino.

O Benfica emitiu nota lamentando a suspensão do atleta, disse que apelaria à Uefa e argumentou que seria contra o preconceito racial, já que seu maior ídolo, o moçambicano Eusébio (que defendeu a equipe de 1960 a 1975 e morreu em 1914), era negro.

Durante a partida, vale lembrar, diversos torcedores do Benfica foram flagrados realizando gestos racistas (como imitar macacos) em direção a Vini Júnior.