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Principal assessor de Gianni Infantino renuncia após proposta de venda de ativos do futebol

Carlos Cordeiro deixou o cargo em protesto contra a criação da empresa para gerir ativos comerciais da Fifa

Carlos Cordeiro, que deixou cargo de assessor da Fifa - Reprodução/YouTube @GoldmanSachs

Carlos Cordeiro deixou cargo de assessor da Fifa - Reprodução / YouTube (@GoldmanSachs)

⚡ Máquina Fast
  • Carlos Cordeiro renuncia à Fifa em protesto contra venda de participação minoritária da Copa do Mundo a investidores privados.
  • Proposta da Fifa de criar subsidiária para vender até 20% dos ativos enfrenta rejeição da Uefa, Concacaf e AFC.
  • Cordeiro critica a necessidade da operação, destacando reservas financeiras robustas da Fifa e riscos para federações membros.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Carlos Cordeiro, assessor sênior do presidente da Fifa, Gianni Infantino, anunciou sua renúncia imediata nesta sexta-feira (31), em protesto contra a proposta de venda de participação minoritária de ativos do futebol a investidores privados. Cordeiro classificou o plano de Infantino como “um mau negócio para o futebol”.

Ex-banqueiro e ex-presidente da Federação de Futebol dos EUA, Cordeiro foi escolhido pela Fifa em 2021 para apoiar o crescimento global do esporte. Em comunicado, afirmou não poder “ficar de braços cruzados enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo”.

Proposta

A proposta de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões, prevê a oferta de até 20% de participação a um investidor externo ligado à família do presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

“Para que fique bem claro: não tive qualquer envolvimento nesta proposta e oponho-me a ela inequivocamente”, declarou.

A iniciativa da Fifa busca arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões com a venda de parte de seu principal ativo. Cordeiro questionou a necessidade da operação, lembrando que a entidade possui reservas bilionárias e não tem dívidas.

“É um mau negócio para as associações membro da Fifa, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro a longo prazo do esporte”, criticou.

O norte-americano destacou ainda que as 211 associações membros enfrentam pressão para decidir sobre a proposta em um prazo muito curto, até 19 de setembro. “Correm o risco de ficar para trás se não a aceitarem”, afirmou.

Cordeiro citou dados apresentados pelo próprio Infantino, que apontam receitas de US$ 15 bilhões no ciclo da última Copa do Mundo ( 2022 a 2026). Para o assessor, esses números demonstram que a Fifa tem capacidade financeira para apoiar as federações sem recorrer à venda de ativos.

“Nesse contexto, vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para arrecadar US$ 4,2 bilhões faz pouco sentido”, concluiu.

Rejeição

A proposta já conta com a rejeição da Uefa, que soltou comunicado na quinta-feira (30) dizendo que suas federações nacionais boicotarão as competições da Fifa enquanto a proposta estiver em vigor.

A ideia também foi rejeitada oficialmente pela Confederação da América do Norte, Central e do Caribe (Concacaf). A Confederação Asiática de Futebol (AFC) também já se posicionou contra, mas ainda não marcou reunião para discutir o assunto de maneira institucional.

Procurada, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), ainda não se posicionou sobre o tema, nem divulgou se irá marcar reunião com suas federações filiadas para discutir a proposta. As confederações de África e Oceania também não se pronunciaram.

Trajetória

Cordeiro foi nomeado por Infantino em 2021, logo após o dirigente deixar a presidência da federação de futebol dos EUA. À ocasião, o presidente da Fifa elogiou bastante as qualificações do novo assessor.

“Carlos é a pessoa certa para nos aconselhar enquanto modernizamos nosso arcabouço regulatório e desenvolvemos o esporte de maneiras que promovam o futebol para homens, mulheres e jovens em todo o mundo”, destacou.

De origem indiana, o executivo construiu carreira em bancos de investimento globais, atuando em regiões como Europa, Oriente Médio, África e Ásia. Antes de ingressar na Federação de Futebol dos EUA, foi vice-presidente do Goldman Sachs e obteve MBA pela Harvard Business School.