A Concacaf (Confederação da América do Norte, Central e do Caribe) anunciou que não apoiará a proposta da Fifa de criar uma subsidiária comercial com participação de investidores privados.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira (30), após reunião com os presidentes das 41 federações nacionais que integram a entidade.
Comunicado
Em nota, a entidade destacou preocupações com a condução do processo. “Durante a reunião, os membros expressaram profunda preocupação com a falta de devido processo legal em torno da proposta, o prazo artificialmente curto imposto e a ausência de qualquer revisão ou aprovação pelos órgãos de governança relevantes da Fifa”, afirmou a Concacaf em nota.
A confederação também questionou a necessidade de capital privado para financiar programas da Fifa após a Copa do Mundo mais lucrativa da história.
“A discussão reforçou a necessidade de maior transparência e governança adequada. Por esses motivos, a Concacaf e suas 41 associações-membro rejeitaram a proposta”, concluiu o comunicado.
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Impacto
A rejeição da Concacaf ocorre no mesmo dia em que a Uefa anunciou boicote às competições da Fifa enquanto a proposta estiver em vigor. Com os 55 votos da Uefa e os 35 da Concacaf, já são 90 votos contrários, dificultando a aprovação do plano, que precisa de maioria simples entre os 211 membros da Fifa.
O projeto prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que administraria operações comerciais e de eventos, incluindo direitos de transmissão, patrocínios, venda de ingressos e licenciamentos.
A Fifa estima arrecadar US$ 4,2 bilhões com investidores externos, a partir de uma avaliação de US$ 20 bilhões do negócio.
A Uefa já havia criticado o modelo, afirmando que “no momento em que investidores externos adquirirem participações acionárias em competições da Fifa, o futebol mudará para sempre”.
Ainda não houve posicionamento oficial das confederações de África, Ásia, América do Sul e Oceania. A entidade asiática, porém, havia soltado um comunicado contundente rejeitando a iniciativa.
“A AFC não foi consultada sobre a proposta e está desapontada com o fato de um assunto de tamanha importância ter se tornado público antes que a família AFC tivesse a oportunidade de examiná-lo e discuti-lo pelos canais de governança apropriados e estabelecidos”, afirmou a entidade na última quarta-feira (29).
Procurada pela Máquina do Esporte, a Conmebol ainda não se manifestou sobre o assunto, nem informou se haverá reunião entre suas federações filiadas para discutir o tema.
