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Quebra do Ueno Bank, o “Banco Master do Paraguai”, abala futebol no país sul-americano

Instituição financeira, que sofreu intervenção após crescimento meteórico, era uma das principais patrocinadoras esportivas paraguaias

Ueno Bank era patrocinador do Cerro Porteño - Reprodução / Instagram (@ccp1912oficial)

⚡ Máquina Fast
  • Banco Central do Paraguai interveio o Ueno Bank, gerando caos financeiro e questionamentos políticos.
  • Quebra do Ueno Bank impacta diretamente clubes e competições de futebol paraguaio, com contratos e salários bloqueados.
  • Escândalo engloba nomes influentes como presidente Santiago Peña e ex-presidente do Banco Central, aumentando pressão por impeachment.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Na semana em que o Governo do Paraguai reabriu mutirões para receber imigrantes brasileiros (contingente que é formado sobretudo por eleitores do senador Flávio Bolsonaro, do PL, descontentes com os rumos da política verde e amarela), a nação vizinha foi abalada por um escândalo financeiro sem precedentes, que apresenta elementos muito similares ao do Banco Master, que pautou as eleições deste ano no Brasil.

LEIA MAIS: Tentáculos do Banco Master no esporte vão além do investimento de Daniel Vorcaro no Atlético-MG

Nesta terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai decretou a intervenção formal no Ueno Bank, maior banco digital do país e líder absoluto em número de clientes e cartões de crédito (em termos de ativos, era a quinta maior instituição financeira).

Dezenas de milhares de correntistas se aglomeraram nas portas das agências físicas (apesar de ser fintech, o Ueno operava no modelo híbrido, já que detinha folhas de pagamento de órgãos públicos), tentando reaver o dinheiro investido.

O caos que se instalou no Paraguai é tão sério, que pode custar o cargo do presidente da República, Santiago Peña, que era acionista do banco até 2025.

A quebra do Ueno abala também o futebol do país, já que a instituição financeira era uma das principais patrocinadoras do Paraguai.

A ideia de se associar ao esporte ganhou força sobretudo nos últimos anos, como parte da estratégia da estratégia de transição de imagem do Ueno, de fintech para banco de massa.

Ascenção e queda

A trajetória do Ueno possui muitas similaridades com a história do Banco Master, que também mantinha inúmeros tentáculos na política e no esporte do Brasil.

A instituição paraguaia surgiu a partir da Financeria El Comercio, fundada em 1976. A grande virada ocorreria em 2021, com a compra da empresa pelo Grupo Vázquez, que decidiu transformá-la em um banco 100% digital, que prometia vantagens como desburocratização, agilidade e empréstimos rápidos.

Em 2023, a instituição recebeu autorização oficial para operar como banco comercial, adotando o nome de Ueno.

No ano seguinte, buscando acelerar sua expansão, a fintech adquire o Banco Visíon, um dos mais tradicionais do Paraguai, e passa a concentrar mais da metade das contas bancárias do país.

Para avançar de maneira implacável sobre o sistema financeiro paraguaio, o Ueno contou com apoio de pessoas influentes na nação. O presidente Santiago Peña, por exemplo, mantinha relações com o banco antes mesmo de assumir a presidência em 2023, ano em que a expansão se acelerou.

Durante sua gestão, o Ueno assumiu a gestão de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo fundos previdenciários do Instituto de Seguridade Social (IPS).

Outra figura considerada chave nessa história é o ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo, que havia comandado o Ueno, antes de assumir o cargo no órgão regulador em 2023. O executivo é acusado de haver feito vistas grossas às práticas irregulares da instituição financeira, antes da quebra.

Esse enredo serve de munição para que a oposição passe a pregar abertamente do impeachment de Peña.

Os problemas do Ueno Bank começaram há alguns meses, quando o Grupo Vázquez passou a tomar, de forma irregular, empréstimos excessivos junto à instituição financeira.

Inicialmente, essas operações não constavam no balanço do banco. Tempos depois, após pressão das autoridades regulatórias, as contas foram revisadas, ficando claro que o índice de solvência do Ueno (ou seja, sua capacidade de honrar com os compromissos assumidos) era de menos da metade do mínimo exigido pelo BCP.

Na última segunda-feira (2), o sistema eletrônico do Ueno passou a apresentar falhas, e diversos correntistas tiveram suas contas bloqueadas.

A intervenção decretada pelo BCP no dia seguinte teve como justificativa proteger os pequenos poupadores. Por ora, o Governo do Paraguai anunciou um teto de saque de ₲ 10 milhões por cliente (pouco mais de R$ 9 mil).

A Justiça decretou a prisão de oito diretores do Ueno, incluindo Gabriel Vázquez, presidente da instituição, que se entregou à polícia no mesmo dia.

Pressionado por Peña e seu grupo político, Carvallo decidiu renunciar ao cargo de presidente do BCP.

Impactos no esporte

Nos últimos anos, para ganhar terreno junto ao público paraguaio, o Ueno investiu com força em patrocínios ao futebol, esporte mais popular do país.

A instituição era uma das principais patrocinadoras de grandes clubes como Olimpia e Cerro Porteño, atuando também como parceira oficial dos cartões de afinidade.

A quebra do banco afeta diretamente o cotidiano desses times, já que jogadores, comissões técnicas e funcionários recebiam seus salários por meio de contas no Ueno, que estão bloqueadas.

A instituição possuía ainda acordos em vigor com a Federação Paraguaia de Futebol (FPF), que envolviam o patrocínio tanto às seleções nacionais quanto à primeira divisão nacional, chamada oficialmente de Copa de Primera Ueno.

O banco detinha também os naming rights do Estádio Defensores del Chaco, o maior do país. No momento, todos os contratos estão congelados, mas a tendência é que sejam encerrados, diante da dissolução do Ueno.

Os campeonatos do Paraguai seguirão o calendário normal, apesar do cenário de caos financeiro instalado após a quebra de um de seus principais patrocinadores.