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Sob ameaça de impeachment, Julio Casares renuncia à presidência do São Paulo

Dirigente apresenta carta de renúncia em sua conta nas redes sociais; vice Harry Massis comanda o clube até o final do ano

Júlio Casares concede entrevista coletiva no CT do São Paulo - Reprodução / Instagram (@juliocasares_sp)

Julio Casares renunciou à presidência do São Paulo na tarde desta quarta-feira (21). O dirigente comunicou a decisão por meio de uma publicação em sua conta no Instagram. A saída do mandatário ocorre em um cenário de intensa pressão política interna, motivada pelo avanço de um pedido de impeachment contra ele.

Com a saída de Casares, o vice-presidente Harry Massis Júnior assume a presidência do São Paulo até o final do ano, quando acaba o mandado da atual diretoria.

Por outro lado, com a renúncia, Casares antém lugar no Conselho Consultivo do clube, mas pode perder esse cargo caso sofra condenação transitada em julgado por alguma das denúncias referentes a atos praticados na presidência do Tricolor.

A renúncia antecipa os trâmites de uma votação que poderia determinar o afastamento definitivo do dirigente. Grupos de oposição e alas dissidentes do Conselho Deliberativo haviam protocolado requerimentos questionando aspectos da administração e da gestão financeira do clube.

Diante da perda de apoio político e da possibilidade concreta de destituição, Casares optou por deixar o cargo voluntariamente.

“Minha renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram dirigidas”, afirmou o dirigente na mensagem.

Suspeitas

Casares estava em seu segundo mandato à frente da equipe do Morumbis. Reeleito no fim de 2023, sua gestão tinha previsão de término para o final de 2026. No fim de dezembro, um grupo de conselheiros do São Paulo pediu a convocação de uma reunião extraordinária para discutir o impeachment do dirigente.

O documento contou com 57 assinaturas, vindas de conselheiros do Salve o Tricolor Paulista, grupo de oposição, com a adesão de 13 membros da situação. O pedido aconteceu após denúncia feita pelo GE sobre a venda clandestina de um camarote da diretoria durante show de Shakira, em fevereiro, no Morumbis.

Em áudio vazado, Mara Casares, ex-mulher do então presidente, e Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto de futebol de base do São Paulo, admitiam ter participado do esquema.

A situação ficou ainda mais complicada para Casares com a abertura de um inquérito pela Polícia Civil para investigar movimentações financeiras incomuns nas contas do dirigente e do clube.

Na manhã desta quarta-feira (21), a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão contra suspeitos de participar do suposto esquema de venda de camarotes, incluindo Schwartzmann e Mara. Foi o estopim para a decisão de Casares renunciar.

“Não renunciei anteriormente porque entendi ser meu dever exercer até o fim o direito à ampla defesa e ao contraditório”, afirmou o ex-presidente em sua mensagem.

“Enfrentei esse processo de maneira direta, presencial e com dignidade, mesmo diante de um ambiente já contaminado por narrativas previamente construídas”, acrescentou.