A Uefa e 54 de suas federações nacionais filiadas formalizaram um documento com propostas de mudanças estruturais profundas na Fifa, declarando a perda de confiança na atual gestão da entidade máxima do futebol depois da crise gerada por projetos do presidente Gianni Infantino.
O bloco europeu desenhou um plano de governança que exige a separação clara de poderes, o fim das decisões unilaterais sobre o calendário esportivo e uma mudança na liderança global da organização. As deliberações ocorreram durante um encontro institucional realizado na cidade de Berlim, na Alemanha.
O projeto de reforma apresentado pela confederação europeia tem como um de seus eixos a reestruturação das funções executivas da Fifa. A proposta visa limitar o poder de gestão do presidente, estabelecendo que o cargo deve concentrar-se na representação institucional, enquanto o secretário-geral assumiria a administração direta sob a supervisão do conselho.
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As exigências também englobam a blindagem dos comitês de ética, auditoria e disciplina contra interferências presidenciais. No âmbito esportivo, a Uefa cobra que qualquer alteração em competições ou no calendário internacional de jogos exija aprovação unânime do alto escalão, barrando medidas unilaterais.
Comercial e finanças
As federações demandam a implementação de uma política transparente para a utilização das reservas monetárias da Fifa. A pauta inclui o acréscimo de um repasse de US$ 10 milhões para cada associação nacional associada, além dos valores já previstos pelo programa Forward.
O pacote de medidas proíbe o uso de recursos da federação internacional para fins eleitorais ou pessoais e estabelece que os fundos de desenvolvimento devem ser protegidos contra manobras políticas.
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Política
A articulação em bloco para pressionar a Fifa ocorreu paralelamente à consolidação do cenário político interno da Uefa. O presidente da entidade, Aleksander Ceferin, aproveitou a reunião na Alemanha para confirmar que disputará a reeleição para um último mandato no congresso agendado para o dia 22 de abril de 2027, em Astana, no Cazaquistão.
O dirigente reverteu sua decisão anterior de não buscar a permanência no cargo após receber pedidos das federações continentais.
“Quero agradecer às federações nacionais pela confiança depositada em nós. Enfrentamos desafios extraordinários nos últimos anos e os enfrentamos como uma só equipe. Ainda há muito trabalho pela frente e, portanto, aceitei o pedido delas. Minha ambição continua a mesma: manter o futebol europeu unido, fortalecer o nosso esporte e deixar a UEFA preparada para a próxima geração”, declarou Aleksander Ceferin.
Apenas a federação de futebol do Azerbaijão não endossou o manifesto europeu contra a atual cúpula da Fifa. O grupo de lideranças da Uefa estabeleceu que ampliará as discussões sobre o processo de reforma institucional com os representantes das demais confederações do futebol mundial nas próximas semanas.
Um novo encontro para debater os desdobramentos da pauta entre as 55 associações nacionais do continente está previsto para ocorrer antes do dia 17 de novembro de 2026.
