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Futebol / Negócios

Vasco assina memorando para venda da SAF para 777 Partners

Investidora aportará total de R$ 1,4 bilhão por 70% da Sociedade Anônima do Futebol

Adalberto Leister Filho - São Paulo (SP) Publicado em 21/02/2022, às 17h30 - Atualizado às 17h35

Josh Wander, Jorge Salgado (Vasco) e Juan Arciniegas exibem camisas 7 do Vasco - Rafael Ribeiro / Vasco
Josh Wander, Jorge Salgado (Vasco) e Juan Arciniegas exibem camisas 7 do Vasco - Rafael Ribeiro / Vasco

O Vasco da Gama anunciou, nesta segunda-feira (21), que assinou um memorando de entendimento para investimento da 777 Partners no clube. A proposta da empresa é aportar R$ 700 milhões por 70% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco. Além disso, a companhia assumiria uma dívida de R$ 700 milhões do time carioca. 

“Estamos muito animados e orgulhosos por ter a oportunidade de nos unir ao incrível time do Vasco da Gama”, disse Josh Wander, fundador e sócio-administrador da 777 Partners.

“Nós temos um imenso respeito pela rica história de sucesso do Vasco e seu papel pioneiro no apoio à inclusão social no esporte brasileiro. Estamos ansiosos para investir em uma cidade com uma das melhores concentrações de talentos no mundo, em um país que vive e respira futebol, assim como nós”, acrescentou o executivo. 

De início, a 777 Partners concordou em fazer um empréstimo de R$ 70 milhões para quitação de dívidas com vencimento mais próximo. Esse montante será convertido em ações do Vasco SAF após o fechamento da transação. 

Durante um período de 90 dias, a 777 Partners conduzirá uma diligência prévia nas contas do clube para que possa finalizar o investimento. A entrada do parceiro também está sujeita à aprovação dos sócios do Vasco na Assembleia Geral. 

Caso o investimento se concretize, será o maior da empresa na América do Sul. O Vasco aproveitará a rede de empresas da 777 Partners para modernizar o clube com acesso a novas tecnologias de mídia, transmissão e utilização de dados para identificação de talentos.

O Vasco transferirá seus ativos de futebol e cederá o direito de uso do Estádio de São Januário para a SAF, enquanto mantém a propriedade das suas sedes: Calabouço, Lagoa e Complexo de São Januário. A ideia dos dirigentes é que, com a SAF, o Vasco possa se recuperar financeiramente e retomar o caminho de conquistas esportivas. O principal desafio do clube neste ano é voltar para a Série A do Brasileirão, após fracassar na campanha pelo acesso no ano passado. 

“É com orgulho que anunciamos o maior acordo da história dos clubes brasileiros. Trabalhamos incansavelmente nos últimos meses para encontrar um parceiro de longo prazo, com capacidade financeira e operacional, que compartilhasse nossa ambição de recolocar o Vasco no seu lugar de gigante do futebol, no Brasil e na América do Sul. Será o marco zero de um novo futuro, vencedor, sustentável e sem dívidas, tudo o que almeja nossa imensa torcida”, afirmou Jorge Salgado, presidente do Vasco.

O acordo foi costurado pelo mandatário, que viajou a Miami, nos Estados Unidos, onde fica a sede da empresa, e se encontrou com Joshua Wander, fundador da 777 Partners. O próximo passo é o documento ser aprovado pelo Conselho Deliberativo e pela Assembleia Geral de sócios do Vasco.

Criada em 2015, a 777 Partners possui investimentos em diversos setores: aviação, consumo e finanças comerciais, seguros, finanças de litígio e mídia e entretenimento. O grupo gere ativos de mais de US$ 3 bilhões, com participação em cerca de 50 empresas.

Na categoria mídia e entretenimento, estão incluídas a propriedade de 99,9% do Genoa, clube tradicional da Itália, e participação minoritária no Sevilla, da Espanha.

Apesar disso, os investimentos da 777 Partners no futebol ainda não vingaram. Em setembro, o grupo pagou € 150 milhões para assumir o controle do Genoa, dono de nove títulos do Campeonato Italiano. Em crise, o clube ocupa a vice-lanterna da Serie A e é sério candidato ao rebaixamento.

Já o Sevilla vive situação diferente. O time é o vice-líder da LaLiga, com 51 pontos. Mas o poder de decisão da 777 Partners no time espanhol é limitado. O grupo possui apenas 12% das ações do Sevilla.

Em dezembro, a empresa apresentou um plano para abrir o capital do clube e tentar garantir o controle do time. Porém, a ideia foi rejeitada pelos dirigentes, e a 777 se manteve como sócia minoritária do Sevilla.