Um par de tênis de 7 bilhões de dólares! O Máquina Explica desta semana traz a história da construção da marca Jordan, divisão criada pela Nike nos anos 90. Criada para ser um par de tênis para o astro do basquete Michael Jordan, hoje ela é uma das marcas esportivas que mais fatura no mundo.
Em 2025, a marca Jordan alcançou quase US$ 7 bilhões em vendas, o que serviria para colocá-la como uma das sete maiores empresas de materiais esportivos no mundo.
Essa história, porém, começa há mais de 30 anos, quando a Nike decide fazer uma proposta inédita para a maior promessa do basquete americano em 1984. Michael Jordan era cobiçado pelas marcas esportivas. Em meio a uma concorrência brutal das gigantes do basquete na época, como Adidas e Converse, a Nike aparece com um projeto ousado para o calouro.
Seria criado, pela primeira vez, um par de tênis com o nome de um atleta, que por sua vez passaria a ser sócio da empresa nas vendas desse calçado.
Antes mesmo do lançamento comercial do produto, durante jogos da pré-temporada da NBA de 1984, Michael Jordan já chamava atenção ao entrar em quadra com um modelo preto e vermelho, inicialmente chamado de Nike Airship.
Foi o primeiro tênis da Nike a chamar a atenção da liga de basquete americana por violar suas regras de “estética”. É em meio a essa polêmica que, no ano seguinte, em 1985, o Air Jordan 1 preto e vermelho aparece no torneio de enterradas, durante o All-Star Game da NBA.
O modelo chamativo de Jordan fez a Liga intensificar sua fiscalização. Uma carta oficial da NBA, datada de 25 de fevereiro de 1985, citava o tênis por violar as regras de uniformidade da liga. O caso ganhou repercussão, e colecionadores de tênis frequentemente mencionam esse documento como o registro original do “banimento” do modelo Air Jordan.
O tênis proibido
O ponto de virada acontece em abril daquele ano. A Nike lança o Air Jordan 1 para o público e, em vez de recuar, abraça a controvérsia, criando uma campanha icônica em que afirmava que aquele era o modelo que havia sido proibido pelas autoridades da NBA.
O que poderia ter sido apenas uma possível infração de uniforme (sujeita a multa) transforma-se numa das maiores viradas de marketing esportivo da história. O Air Jordan deixa de ser apenas um tênis de performance e se torna objeto de desejo de todo fã de basquete. Ou seja: a possibilidade de violar uma regra acabou impulsionando o que se tornaria, até então, o tênis de basquete mais vendido da história.
No fim do ano, só com os pares de tênis Air Jordan a Nike fatura US$ 126 milhões.
Com o tênis como símbolo, Nike e Jordan mudam a história do marketing esportivo no basquete. A NBA desiste de proibir os calçados coloridos, que começam a virar febre entre os atletas. E Jordan caminha, junto com a fornecedora de material esportivo, para se tornar um ícone dentro do esporte.
A marca Jordan
A partir daí, anualmente, um novo modelo de Air Jordan passou a ser lançado. Até que, em 1997, Nike e Jordan decidem estabelecer um novo marco para o mercado esportivo.
Mais do que ser apenas um calçado para basquete, Jordan se torna uma marca dentro do portfólio da Nike. A marca esportiva líder mundial passava a ser sócia do maior astro da história do basquete na venda não apenas de um par de tênis, mas de uma linha de roupas que ia muito além da bola laranja.
A ideia não surgiu por acaso. Jordan já havia decidido se aposentar das quadras, e atleta e marca perceberam que havia, ali, uma oportunidade de ir além na parceria.
É nessa hora que novos atletas passam a ser embaixadores da marca, entre eles o boxeador Roy Jones Jr., o jogador de futebol americano Randy Moss e o ídolo do beisebol Derek Jeter.
Os novos rostos da Jordan Brand impulsionam os negócios da marca, que passa a representar uma parcela significativa dos negócios da Nike Inc. Com a aposentadoria definitiva de Jordan das quadras, em 2003, a marca Jordan entra numa nova era.
Ela deixa de representar, definitivamente, um par de tênis para jogar basquete e se consolida como marca sinônimo de estilo de vida e cultura.
O crescimento da cultura sneaker faz com que o Air Jordan se transforme em símbolo cultural para além do calçado de performance. E isso impulsiona as vendas.
Em 2005, 20 anos após o lançamento do primeiro par de Air Jordan, a divisão ligada ao astro do basquete já tinha faturamento próximo de US$ 1 bilhão. Só para se ter uma ideia, naquela época a Nike celebrava uma receita anual de US$ 13,5 bilhões.
A chegada ao futebol
Na década seguinte, a Nike impulsiona a marca Jordan mundialmente a partir do esporte mais popular do planeta.
Em 2016, faz o primeiro teste com o futebol. A chuteira criada para Neymar tem a marca Jordan estampada. É o primeiro produto de performance no futebol com o logo do jumpman. E ele dá sorte. Dos pés de Neymar que sai a inédita medalha de ouro do Brasil no futebol masculino.
Com o sucesso da collab, a empresa decide, em 2018, usar o Paris Saint-Germain para unir de vez o logo do jumpman à cultura do futebol.
Por meio de uma jaqueta usada pelo cantor Justin Timberlake, a Jordan apresenta-se como a marca de lifestyle do PSG. O clube começava a ganhar o mundo com as contratações de Neymar e Mbappé, ultrapassando a fronteira do futebol e ganhando o público jovem.
A ideia passa a ser aliar a marca Jordan a performance e estilo de vida também no futebol. Tanto que é a camisa 3 que o PSG usa na Champions League a escolhida para levar o logo de Jordan para o uniforme de jogo. Da mesma forma, a linha de roupa casuais com o emblema da equipe parisiense se funde com o jumpman numa coleção nunca antes feita por um clube de futebol.
O sucesso da linha Jordan-PSG mostra para a Nike que há mais uma trilha de crescimento por meio do futebol. Em 2025, a marca Jordan alcançou um faturamento recorde de quase 7 bilhões de dólares. Se fosse uma empresa à parte da Nike, ela estaria entre as sete maiores do mundo em receita.
Recentemente, uma suposta peça da coleção da Seleção Brasileira com a marca Jordan ganhou visibilidade ao ser exibida pela cantora Ludmilla durante o Carnaval do Rio de Janeiro, gerando forte repercussão e expectativa.
Qual será o próximo salto da Jordan no mercado?
