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Marco La Porta: Divisão de papéis entre Governo Federal e COB é central para o desenvolvimento do esporte

Presidente da entidade defende que sobreposição de responsabilidades atrapalha evolução do alto rendimento

Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), participou do Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte - Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • Marco La Porta aponta sobreposição de responsabilidades e falta de diretriz clara como barreiras ao desenvolvimento do esporte nacional.
  • Presidente do COB defende que o Governo federal deve focar na base social, enquanto o COB cuida do alto rendimento esportivo.
  • Investimento em capital humano e calendário de eventos é prioridade para fortalecer a formação de atletas no Brasil.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A sobreposição de responsabilidades e a falta de uma diretriz clara entre as entidades que gerem o esporte nacional são, na visão de Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), travas para o desenvolvimento do setor.

No Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte, o dirigente exaltou a necessidade de tirar do papel o Plano Nacional do Desporto (PND) e estabelecer uma divisão de tarefas em que o Estado foque na base social e o COB assuma exclusivamente a elite.

“O papel do Governo [Federal] é o fomento à prática esportiva. O Governo não tem que fazer alto rendimento. Rendimento sou eu [o COB]. O fomento é incentivar a população a praticar esporte, colocar esporte na escola e aumentar o número de praças para a prática”, defendeu.

Na visão do presidente do COB, as outras entidades devem entrar como elos complementares da cadeia. O Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) deve auxiliar na formação dos atletas, enquanto as confederações escolar (CBDE) e universitária (CBDU) devem fomentar a prática nos ambientes em que atuam, por exemplo.

“Não dá para o Governo querer apoiar projetos de alto rendimento. Apoia projeto de desenvolvimento, apoia projeto social, deixa que o alto rendimento a gente faz. É para isso que a gente recebe o recurso da loteria”, afirmou La Porta.

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A falta de conexão entre essas etapas cria o que La Porta identifica como um dos grandes problemas estruturais do esporte brasileiro: a perda de atletas no momento da decisão profissional.

“Qual é o grande gargalo do esporte brasileiro hoje? É 17, 18 anos. Porque o pai chega para o garoto e fala assim: ‘E aí, meu filho, você vai trabalhar ou vai continuar brincando de esporte?'”, diagnosticou.

O presidente do COB entende que, se o sistema funcionar da maneira como deveria, ou seja, de forma integrada, o jovem terá argumentos para permanecer na carreira e eventualmente se tornar um atleta de destaque para o Brasil.

Estrutura

Marco La Porta também defendeu que o investimento precisa migrar do concreto para o capital humano e para o calendário de eventos.

“Eu tenho uma opinião um pouco destoante, até porque acho que o Brasil, hoje, já tem boas infraestruturas esportivas. O que nos falta são profissionais qualificados das nossas universidades, que saibam dar um treino de atletismo ou de natação”, avaliou.

“Tem que ter competição para o jovem aparecer. A infraestrutura é o de menos. Se você tem um profissional qualificado e tem um sistema competitivo que permita que aquele atleta apareça, já vai ter frutos daquilo. Acho que essa é a engrenagem que a gente precisa fazer funcionar junto com o Governo e com as instituições, cada um fazendo o seu papel”, concluiu.

O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), estará disponível a partir desta terça-feira (10), no canal da Máquina do Esporte no YouTube: