Apesar de ter registrado um volume expressivo de vendas em 2025, os executivos da Adidas estabeleceram uma perspectiva moderada para o triênio seguinte.
A divulgação das projeções para 2026 resultou em uma queda imediata nas ações da companhia, que atingiram o valor mais baixo dos últimos três anos durante as negociações na Alemanha. Os papéis da marca de material esportivo fecharam com recuo de 3,6%, cotados a € 141,80.
No quarto trimestre de 2025, a Adidas reportou um crescimento de 11% nas vendas, alcançando € 6,08 bilhões. O resultado consolidado do ano apresentou um aumento de 13% nas vendas líquidas em moeda constante, totalizando € 24,81 bilhões. O lucro operacional anual teve acréscimo de € 2,06 bilhões.
“O quarto trimestre terminou melhor do que esperávamos”, festejou Bjorn Gulden, CEO da Adidas, durante entrevista coletiva na sede da empresa, em Herzogenaurach, na Alemanha.
“Havia muitos problemas no mundo, o cenário era muito instável, mas conseguimos alcançar um crescimento de dois dígitos novamente”, comentou o executivo, que ainda admitiu surpresa com o bom desempenho.
“Tenho que ser honesto com vocês: quando estávamos sentados aqui, há um ano, não achava que conseguiríamos isso”, declarou.
Desempenho
Bjorn Gulden assumiu a companhia em 2023, com a meta de estabilizar a operação até 2026. Segundo ele, a Adidas está adiantada em relação ao cronograma.
“Dissemos que teríamos uma empresa saudável, mas acho que agora podemos dizer que temos uma empresa de sucesso, não apenas no curto prazo, mas também no longo prazo”, declarou o CEO, que teve o contrato prorrogado até 2030.
Para 2026, a marca prevê que as vendas cresçam na faixa de um dígito alto, o que representaria um aumento de € 2 bilhões na receita. O lucro operacional estimado é de € 2,3 bilhões, valor 15% inferior aos € 2,7 bilhões projetados por instituições financeiras como Deutsche Bank e Goldman Sachs.
“Entendo que, ao analisar nossas perspectivas, você pensa: ‘bem, isso não é suficiente'”, admitiu Gulden.
“Mas estamos tentando mostrar o que achamos que o negócio está fazendo agora, em vez de prometer algo e depois correr atrás do resultado. Algumas pessoas acham que essa é a estratégia errada. Mas ninguém gosta de prometer coisas que não pode cumprir. Aprendi isso quando criança. E é difícil mudar”, destacou.
Cenário
A cautela da administração é atribuída à volatilidade global. Gulden e o diretor financeiro, Harm Ohlmeyer, apontaram que fatores fora de controle, como tarifas dos Estados Unidos e variações cambiais, impediram margens de lucro ainda maiores no ano passado.
“Pense nos últimos quatro ou cinco anos. Passamos pela Covid-19, depois tivemos a Guerra da Rússia [contra a Ucrânia], depois as tarifas [de Donald Trump] e agora temos a Guerra no Oriente Médio”, argumentou o CEO.
Sobre o conflito no Oriente Médio, a empresa confirmou que uma loja franqueada em Israel foi destruída em um ataque recente, mas sem afetar funcionários. O diretor comercial, Mathieu Sidokpohou, informou que nenhum colaborador morreu ou ficou ferido até o momento.
Nas atuais circunstâncias, a logística de cargas aéreas pode sofrer atrasos, mas o bloqueio no Estreito de Ormuz, situado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, impactou apenas produtos voltados para a região, sem atingir a distribuição global.
Mercados
A América Latina liderou o crescimento regional da Adidas em 2025, com alta de 22% nas vendas. Na China e no eixo Japão-Coreia do Sul, o aumento foi de 13% e 14%, respectivamente. Em mercados mais tradicionais, como Europa e América do Norte, a expansão foi menor, de 10%.
Nos Estados Unidos, a meta é dobrar o tamanho do negócio ao ganhar espaço em modalidades como basquete e futebol americano.
Em relação aos produtos, o setor de vestuário cresceu 15% no ano passado, impulsionado por designs que utilizam jeans e malhas, além do sucesso de peças inspiradas na cultura chinesa. As vendas de calçados, por sua vez, subiram 12%.
Para 2026, a estratégia foca na integração entre esporte e moda, com o lançamento de roupas de treino com estilo vintage voltadas para o público feminino.
