Segunda maior cervejaria do mundo, a Heineken enfrenta um momento delicado. Na última segunda-feira (12), a companhia holandesa anunciou que Dolf van den Brink deixará o cargo de CEO em maio deste ano.
O comunicado oficial sobre o pedido de demissão trouxe diversos elogios ao executivo, que está no comando do grupo há seis anos, “durante os quais conduziu a empresa em tempos econômicos e políticos turbulentos”, numa referência ao auge da pandemia da Covid-19, marcada por forte retração na economia global.
“Os últimos anos foram marcados por mudanças significativas à medida que a Heineken avançava em sua transformação e agora atingiu um estágio em que uma transição na liderança servirá melhor à empresa na execução de suas ambições de longo prazo. Nos próximos meses, continuo totalmente focado na execução disciplinada da nossa estratégia e em garantir uma transição tranquila”, declarou o executivo.
O anúncio da saída do CEO ocorre meses depois do lançamento da EverGreen Strategy 2030, que tenta reverter um cenário adverso para o grupo.
Em 2025, a Heineken enfrentou queda de 4,3% em suas vendas globais e redução de 1,4% nas receitas obtidas em todo o mundo.
Apesar de a movimentação haver sido positiva para a marca em áreas como África, Ásia e Oriente Médio, isso não compensou a forte queda registrada nas Américas, em especial em mercados como Brasil e Estados Unidos.
Após a oficialização da renúncia de Dolf van den Brink, as ações da Heineken sofreram queda de 4,54% na Bolsa de Amsterdã e de 4,19% em Nova York. O grupo comunicou que busca um novo nome para o cargo de CEO.
Concorrência feroz
Os últimos tempos têm sido marcados pela concorrência feroz no mercado das cervejas, que se reflete no universo esportivo, sobretudo com a investida agressiva da gigante AB Inbev sobre propriedades publicitárias, a fim de manter e ampliar sua liderança no segmento.
Na prática, a proprietária da brasileira Ambev e detentora de marcas como Brahma, Corona, Stella Artois e Budweiser tem realizado um movimento de varrer a Heineken dos grandes eventos esportivos mundiais.
Hoje, a AB Inbev é parceira do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Futebol (Fifa), com a Budweiser figurando como cerveja oficial de competições como Copa do Mundo e Copa do Mundo de Clubes.
No surfe, a líder de mercado se faz presente com a Corona e a versão sem álcool Corona Cero. Nas lutas, por sua vez, o predomínio se dá por meio da Spaten. No tênis, a escolhida para representar a AB Inbev é a Stella Artois, cerveja oficial do Torneio de Wimbledon e que tem como embaixadores grandes nomes desse esporte, como Bia Haddad Maia e Gustavo Kuerten, o Guga.
Para além dessas parcerias que envolvem cervejas premium, concorrentes diretas da Heineken, a estratégia da AB Inbev para seguir no topo envolve também marcas regionais com forte apelo de massa, como a Brahma, que é parceira de diversos clubes brasileiros, por meio da iniciativa Sociedade Anônima Brahma (SAB).
Mas a grande vitória da AB Inbev nessa guerra global das cervejas veio no ano passado e consistiu no acordo com a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) e a UC3, joint venture operada pela entidade e os clubes do continente, para que as marcas do grupo sejam as cervejas oficiais não apenas da Champions League, mas de todas as demais competições profissionais masculinas de clubes do continente, como Europa League e Conference League.
Por enquanto, ainda não está definida qual marca (ou quais marcas) do grupo será escolhida para patrocinar a Champions League a partir de 2027, quando terá início o no contrato de patrocínio.
O fato, porém, é que a investida da AB Inbev fez a Heineken perder uma propriedade de peso e que ela já dominava há mais de 30 anos.
Com isso, a cada dia que passa a presença da cervejaria holandesa em eventos de projeção global se torna cada vez mais restrita. Por enquanto, a Heineken segue como parceira da Fórmula 1, com a Heineken 0.0, e o US Open de tênis.
