Amazon, Netflix e YouTube anunciaram a fundação da Streaming Access and Choice Alliance (SACA), uma coalizão criada sob a liderança da organização TechNet. O grupo foi estruturado com o objetivo de atuar no cenário político de Washington, capital dos Estados Unidos, para dialogar com legisladores e defender políticas públicas pró-concorrência que priorizem o mercado de streaming, com atenção especial à distribuição de eventos esportivos ao vivo.
A movimentação institucional das companhias busca refletir e proteger a mudança no comportamento de consumo de mídia do público norte-americano. O consórcio destaca que a oferta de conteúdo esportivo nos principais serviços globais de assinatura registrou um aumento de 52% desde janeiro de 2024.
“Os americanos querem mais opções de conteúdo e flexibilidade em como e onde assistir à sua programação favorita, incluindo esportes e outros eventos ao vivo. As empresas de streaming e entretenimento digital oferecem ao público melhores recursos e um melhor custo-benefício. O setor e seus clientes merecem uma voz ativa em Washington, D.C., defendendo políticas que possibilitem a inovação e atendam às necessidades dos consumidores de hoje”, reforçou Mike Ward, vice-presidente sênior de políticas federais e relações governamentais da TechNet.
A base de argumentação da aliança sustenta-se na penetração tecnológica atual do país. Enquanto 99% das residências possuem pelo menos um serviço de streaming ativo, com uma média de três plataformas por domicílio, o modelo de TV paga tradicional, via cabo ou satélite, retraiu e hoje atende 36% dos lares, com outros 15% dependendo apenas de antenas digitais.
Para justificar a necessidade de um ambiente regulatório favorável, a coalizão foca na entrega de valor e nas inovações tecnológicas direcionadas aos fãs de esportes. A entidade argumenta que o ecossistema digital proporciona ferramentas inviáveis nos meios tradicionais, citando o consumo multitelas com jogos simultâneos, o acesso a ângulos de câmera alternativos e a disponibilidade de múltiplas faixas de comentários, incluindo opções de idiomas variados.
O pacote de interatividade defendido pelo grupo também engloba configurações para evitar informações antecipadas de resultados, replays sob demanda e o consumo em dispositivos móveis variados.
Política
Na esfera legislativa, a SACA estabeleceu como pilar a defesa de estruturas tecnologicamente neutras, desenhadas para que a concorrência e as tendências de audiência ditem os rumos do acesso ao entretenimento.
O grupo atuará contra possíveis barreiras regulatórias, buscando garantir que as plataformas digitais mantenham a liberdade jurídica para investir em programações esportivas.
O objetivo final das empresas fundadoras é assegurar que as ligas profissionais e os detentores de direitos comerciais continuem livres para buscar os parceiros de distribuição que julgarem mais eficientes para alcançar seus consumidores.
Contexto
A criação da SACA ocorre em um momento em que o mercado norte-americano questiona a viabilidade do modelo defendido pelos streamings, principalmente no campo político.
No início do ano, foi apresentado um projeto de lei que busca impedir que as ligas esportivas dos EUA bloqueiam as transmissões de jogos para torcedores, com a intenção de acabar com “a complexa rede de serviços de streaming” e reduzir os custos aos fãs. A iniciativa é liderada pela senadora democrata Tammy Baldwin.
O projeto inclui mudanças como a necessidade de que as ligas garantam aos fãs locais acesso a todos os jogos de seu time em apenas uma plataforma, mesmo que um streaming, gratuitamente. A senadora responsável argumenta que no estado de Wisconsin os torcedores pagam mais de US$ 1,5 mil por ano para ver todas as partidas de franquias locais, como Green Bay Packers (NFL), Milwaukee Bucks (NBA) e Milwaukee Brewers (MLB).
