A N Sports, que teve o canal bloqueado no YouTube durante exibição de jogo do Campeonato Amazonense, no último sábado (14), emitiu notificações extrajudiciais aos envolvidos no incidente e busca parcerias para que o problema não mais ocorra. A interrupção do sinal aconteceu durante a a final do segundo turno do torneio, na qual o Nacional venceu o Parintins por 2 a 0 e ficou com o título.
A partida também foi exibida pela A Crítica e pela Rede Amazônica (TV Globo) na TV aberta, além da N Sports em seu canal na TV fechada e no seu canal digital, que acabou derrubado. De acordo com nota da emissora, o bloqueio foi motivado por uma reivindicação de direitos autorais feita por A Crítica e pela empresa OneBigMedia, gestora do canal da afiliada da Rede TV! no Amazonas.
A N Sports alega que a ação não possui base legal, uma vez que detém os direitos de transmissão previstos em contrato. Após a queda do canal, a N Sports comunicou o fato à CBF e ao YouTube, que havia derrubado o sinal.
Consequências
O bloqueio se estendeu para o restante da grade de programação do último sábado. O principal impacto foi a impossibilidade de transmitir ao vivo o confronto entre Grêmio e Fluminense, válido pela terceira rodada do Brasileirão Feminino.
A emissora informou que, como forma de minimizar os danos, executou a transmissão em estúdio e com repórteres no local do jogo para exibição posterior em seu canal linear e republicação no YouTube.
“Entre o público do Amazonense, recebemos muitas mensagens de apoio e com reclamações direcionadas aos autores do ‘strike’ [punição]”, contou André Argolo, co-CEO da N Sports e NWB, em entrevista à Máquina do Esporte.
No entanto, o executivo admite que nem todo o público que acompanha o canal entendeu o problema técnico.
“Recebemos muitas críticas, até a publicação da nota oficial, dos torcedores de Grêmio e Fluminense e da comunidade do futebol feminino pela não exibição do jogo entre eles válido pelo Brasileirão Feminino”, lamenta.
Impactos
Embora não houvesse entregas comerciais diretas vinculadas especificamente à final do Campeonato Amazonense, o bloqueio gerou perdas financeiras em outras frentes.
Argolo conta que os danos envolveram investimentos para as transmissões previstas para o dia e os custos operacionais de equipes dedicadas que não puderam ser recuperados. O executivo também lembrou o desgaste institucional da marca por conta do acontecimento.
“Enfrentamos um prejuízo reputacional, uma vez que comunicamos previamente a exibição das partidas e não conseguimos colocá-las no ar conforme planejado e divulgado, afetando a confiança do público e parceiros”, argumenta.
A empresa acionou a Federação Amazonense de Futebol (FAF) para explicar a situação e buscar medidas conjuntas que evitem novos episódios.
Parceria
O revés ocorre em um momento em que a N Sports gere um portfólio de direitos de TV que inclui torneios de tênis, competições regionais, Libertadores Feminina, Libertadores Sub-20 Masculina e a Copa do Mundo 2026, que será exibida pelo canal linear em parceria com o SBT.
“É fundamental contarmos com o apoio do YouTube para garantir que equívocos como esse não voltem a acontecer, assegurando a continuidade das transmissões e a proteção dos direitos adquiridos”, afirma Argolo.
Histórico
Não é o primeiro incidente recente de um canal perder o sinal no YouTube durante a transmissão de um evento esportivo ao vivo. Em outubro, a Xsports iniciava transmissões na plataforma com o jogo Corinthians x Independiente Del Valle pela Libertadores Feminina, quando saiu do ar ainda antes de a bola começar a rolar.
Na época, a Máquina do Esporte apurou que tinha faltado à plataforma de streaming formalizar à Conmebol que iria exibir o jogo no YouTube ou faltou a entidade cadastrar o canal na relação de parceiros autorizados. Esse cadastro é importante porque serve para o YouTube derrubar transmissões piratas, que geram prejuízo financeiro aos verdadeiros detentores de direitos.
Outro lado
Questionado sobre o bloqueio da N Sports ao jogo do Campeonato Amazonense, o YouTube informou que não se pronunciaria sobre o caso.
A Federação Amazonense de Futebol (FAF) também foi procurada para se manifestar sobre o episódio, já que a reclamante (A Crítica) era outra parceira de transmissão do jogo Nacional x Parintins. No entanto, a entidade não respondeu aos questionamentos da reportagem.
