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YouTube se consolida com principal opção para novos grupos que apostam na transmissão esportiva

GoLBrasil exibirá na plataforma do Google ligas europeias alternativas, como os campeonatos da Dinamarca, Suíça e Noruega

GolBrasil transmite a Liga Checa no YouTube - Reprodução / Instagram (@canalgolbrasil)

⚡ Máquina Fast
  • YouTube se consolida como principal plataforma para transmissões esportivas ao vivo e gratuitas no Brasil, ampliando direitos exclusivos de ligas internacionais menos populares.
  • A pioneira transmissão do Atletiba no YouTube em 2017 marcou o início do futebol nacional na plataforma, apoiada pelo Esporte Interativo e seu expertise em produção esportiva.
  • A ascensão da CazéTV durante a Copa do Mundo de 2022 impulsionou o modelo de transmissão esportiva gratuita, influenciando grandes grupos de mídia a investirem na plataforma do Google.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Depois de passar um bom tempo sendo encarado como uma aposta promissora no campo das transmissões esportivas, o YouTube não apenas comprovou que veio para ficar, como vai se consolidando como a principal alternativa para os novos grupos de mídia que se enveredam por esse segmento.

A cada dia que passa, cresce a oferta de eventos ao vivo exibidos na plataforma de vídeos do Google.

Um exemplo claro dessa movimentação intensa pode ser observado no GoLBrasil, que acaba de adquirir os direitos de transmissão das ligas de futebol profissional masculino de Dinamarca, Suíça e Noruega. Os jogos das competições serão mostrados ao vivo e gratuitamente, no YouTube.

O canal soma hoje 2 milhões de inscritos, com uma estratégia baseada na aquisição de direitos exclusivos de competições pouco baladas, casos dos Campeonatos Chinês, Russo, Sueco, Checo, Escocês, Peruano e Australiano, todos transmitidos de graça na rede do Google.

A transmissão do “Dinamarquesão” no GoLBrasil, entre Copenhagen e Horsens, registrava mais de 21 mil dispositivos únicos conectados, por volta das 14h desta sexta-feira (11).

Nos comentários da live, era possível encontrar mensagens de espectadores de Manaus (AM), Recife (PE), Teófilo Otoni (MG), Blumenau (SC) e Guaraciaba do Norte (CE). “Agora só falta o [Campeonato] Finlandês”, sugeriu, aliás, o usuário cearense.

GoLBrasil também transmite no YouTube outras modalidades que costumam receber menos espaço na mídia tradicional, como X1, futsal, beach soccer e futebol de 7.

Primeiros anos

Visto por muitos como uma novidade, o YouTube já atua no mercado brasileiro há mais de duas décadas. Seu lançamento no país ocorreu em 19 de junho de 2007, quando a plataforma já tinha dois anos de operações globais.

Seus primeiros fenômenos de audiência (Galinha Pintadinha, PC Siqueira e Galo Frito) não tinham relação com o futebol, exceto talvez por Felipe Neto, que investiria no Botafogo com patrocínios e apoios financeiros, entre 2017 e 2018.

A plataforma do Google iniciaria sua trajetória no streaming esportivo na década passada, mais precisamente em 2014, quando os brasileiros puderam acompanhar pelo canal oficial da World Surf League (WSL) no YouTube o título inédito de Gabriel Medina na temporada.

Em 2015, viria a primeira partida de futebol exibida ao vivo, entre Barcelona e Villanovense, válido pela Copa do Rei.

A transmissão foi resultado de um acordo entre o YouTube, a LaLiga e a Mediapro, que garantiu à rede do Google o direito de mostrar a competição para 17 países, incluindo o Brasil.

Na ocasião, porém, o modelo adotado foi o pay-per-view, com a cobrança de R$ 9,90 por espectador. Mas esse sistema logo seria deixado de lado.

Atletiba

Em 2017, veio enfim a primeira experiência no futebol nacional, com a transmissão do clássico entre Athletico-PR e Coritiba, pelo Campeonato Paranaense.

Os dois clubes recusaram a proposta de R$ 1 milhão feita pela Rede Globo e a afiliada local RPC. A dupla exigia R$ 3 milhões cada para ceder seus direitos de TV no Estadual.

Diante do impasse, os clubes resolveram realizar a transmissão gratuita do Atletiba pelo YouTube e o Facebook, que estava prevista para ocorrer em 19 de fevereiro daquele ano, mas precisou ser cancelada, após a Federação Paranaense de Futebol (FPF) alegar que as plataformas não eram detentoras do torneio, mas sim a Globo e sua afiliada (que haviam fechado com todos os demais times do campeonato).

No dia seguinte, a entidade recuou e ofereceu como data 1º de março, para que fosse realizada a primeira grande transmissão do futebol brasileiro no YouTube e no Facebook.

A virada

A transmissão pioneira do Atletiba ocorreu nos perfis dos dois rivais (no Facebook e YouTube), rendendo uma média de 50 mil dispositivos conectados nas contas de cada time na plataforma do Google.

Números que à época impressionaram, mesmo estando muito abaixo dos milhões que seriam registrados na década seguinte.

Para que essa experiência se concretizasse, os dois clubes contaram com apoio do canal Esporte Interativo, que viabilizou a parte técnica do negócio, ao ceder narradores, comentaristas, repórteres de campo, câmeras e toda a equipe de engenharia de áudio e vídeo.

O canal por assinatura, que integrava o Grupo Turner/Warner, travava uma batalha com o Sportv pela aquisição de direitos de transmissão da Série A do Brasileirão e havia fechado com Athletico-PR e Coritiba na competição nacional, para o ciclo que se iniciaria em 2019.

Por isso o Esporte Interativo fez questão de apoiar as duas equipes nessa transmissão on-line. Apesar de todo o furor causado pela experiência pioneira, o futebol demorou a emplacar no YouTube.

Foi justamente pelas mãos dos fundadores do Esporte Interativo que esse modelo passou da condição de algo promissor para um um caminho sem volta para o esporte.

A marca foi criada em 2004 pela antiga TopSports, que inicialmente adquiria os direitos e produzia as transmissões de torneios internacionais de futebol como a Champions League, que inicialmente era exibida em sinal aberto pela Rede TV! e depois foi transferida para a Band.

Em 2007, foi lançado o canal Esporte Interativo na TV por assinatura, que seria vendido para a Turner oito anos depois.

A transição foi concluída em 2016. No ano seguinte, os antigos donos do canal criaram a LiveMode, que, inicialmente, atuava sobretudo nos bastidores, em áreas como marketing esportivo e venda de direitos de transmissão.

A grande virada, que transformaria para sempre, não apenas a empresa, mas o papel do YouTube nas transmissões esportivas, viria em 2022, por meio de uma parceria com a Federação Internacional de Futebol (Fifa), que garantiu à LiveMode os direitos digitais de partidas da Copa do Mundo de 2022.

Efeito CazéTV

Lançada às vésperas do torneio do Catar, a CazéTV, que tem como principal rosto do streamer e youtuber Casimiro Miguel, bateu recordes de audiência na plataforma, demonstrando que a transmissão esportiva gratuita na plataforma era viável, tanto em termos de audiência quanto comerciais.

A partir daí, a CazéTV adquiriu direitos de competições como Paulistão, Série A do Brasileirão e mesmo Jogos Olímpicos.

Em 2026, quando o canal ultrapassou em várias ocasiões a marca da dezena de milhões de dispositivos únicos conectados às suas lives durante a Copa do Mundo, já estava evidente que a transmissão esportiva não mais teria como prescindir da plataforma do Google (que, aliás, compreendeu com clareza o cenário, garantindo a exclusividade dos direitos digitais globais do torneio e firmando parceria com a CazéTV para mercado brasileiro).

Nesse meio tempo, inúmeras empresas (incluindo gigantes tradicionais como o Grupo Globo, com a GeTV) têm procurado se enveredar pelas transmissões no YouTube.

Entre as empresas que têm apostado no YouTube, além de GoLBrasil, estão XSports, Jovem Pan, NSports, SportyNet, Goat, entre tantas outras.

As próprias organizações esportivas vêm investindo em transmissões próprias na plataforma.

De acordo com dados da própria rede do Google, em 2025 usuários no Brasil consumiram mais de 2 bilhões de horas de futebol no YouTube. Os conteúdos esportivos em geral somaram 8,5 bilhões de visualizações no país, ao longo do último ano.