O gráfico geral de um estudo do site especializado Sportico sobre o “valuation” da MLB de 2026 mostra que o valor médio de uma franquia da liga norte-americana de beisebol saltou 12% no último ano, chegando a impressionantes US$ 3,17 bilhões. Este é o maior salto ano a ano desde que a medição começou em 2021.
No topo, o New York Yankees lidera pelo sexto ano consecutivo (avaliado em US$ 9,4 bilhões), seguido pelo Los Angeles Dodgers, franquia que mais cresceu entre os primeiros colocados em relação ao ano anterior (17%). No entanto, para o mercado, a verdadeira história não está no líder, mas em como o mercado reagiu às crises e como a vice-liderança mudou o jogo.
A Engrenagem da Máquina do Esporte separou três grandes lições comerciais por trás dos números da MLB:
O “efeito superstar” (como um funcionário gera bilhões)
Em 2021, os Yankees valiam 46% a mais que os Dodgers. Hoje, essa diferença derreteu para apenas 4% (os Dodgers agora valem US$ 9,05 bilhões). O grande responsável comercial por isso tem nome: Shohei Ohtani. O fenômeno japonês atrai o mercado asiático e diversas marcas para o campo, puxando as receitas de patrocínio da equipe para mais de US$ 200 milhões este ano.
Com isso, os Dodgers bateram US$ 1,1 bilhão em receita bruta, uma marca antes restrita apenas a clubes e franquias como Dallas Cowboys (NFL) e Real Madrid.
Crise da TV x Escudo do sistema
O beisebol vive uma crise de distribuição de mídia com o colapso das redes regionais de TV a cabo (RSNs), com a receita de TV local das 30 franquias caindo quase 10%. Então, como a liga cresceu 12% em valor mesmo assim? Graças ao “escudo do sistema”.
A MLB possui um modelo agressivo de divisão de receitas em que franquias ricas (como os Dodgers, que pagaram US$ 169 milhões em “taxa de luxo” por gastarem muito) subsidiam as equipes de mercados menores. Isso fez com que times pequenos com baixa bilheteria ainda fechassem no azul, garantindo a saúde do ecossistema e a confiança dos investidores de longo prazo.
O dinheiro institucional (private equity)
Até pouco tempo, comprar um time de beisebol era um “projeto de vaidade” para bilionários locais. O relatório de 2026, porém mostra que as equipes viraram ativos de Wall Street e que, pela primeira vez, fundos institucionais (além da Arctos Partners) estão comprando fatias das equipes, como a gigante Sixth Street (que comprou 10% do San Francisco Giants) e a Sportsology.
O esporte provou ser tão resiliente que a venda do San Diego Padres (prevista para as próximas semanas) deve ultrapassar a marca histórica de US$ 3 bilhões.
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