Pular para o conteúdo

NFL apela à Suprema Corte dos EUA para não responder na Justiça por discriminação racial

Decisões de tribunais regionais têm barrado a manobra da liga, de tentar resolver polêmicas em câmaras de arbitragem interna

Brian Flores é o técnico do setor defensivo do Minnesota Vikings - Reprodução / vikings.com

A National Football League (NFL) apelou à Suprema Corte dos Estados Unidos, com o objetivo de impedir que um processo de discriminação racial, movido contra ela e três times, seja julgado por um tribunal aberto.

Em 2022, o atual técnico do setor defensivo do Minnesota Vikings, Brian Flores, ingressou com uma ação contra a NFL e as franquias New York Giants, Denver Broncos e Houston Texans, alegando haver sofrido discriminação racial durante as entrevistas para tentar ser contratado por essas equipes.

O treinador argumenta que os times nunca tiveram interesse real em seus serviços e só decidiram entrevistá-lo de modo a cumprirem a Regra Rooney, implantada em 2003 pela NFL e que determina a participação de minorias étnicas em processos de seleção promovidos pelas franquias.

Uma das críticas recorrentes à norma é que, apesar de ser apresentada como ação afirmativa, ela não estabelece uma cota mínima para contratação obrigatória, deixando a encargo de cada equipe a decisão de incluir ou não as minorias em seus quadros de funcionários.

Arbitragem

A NFL e as três franquias processadas por Flores tentam fazer com que o caso seja analisado por uma câmara de arbitragem interna designada pela própria liga.

A organização esportiva tem sofrido derrotas nos tribunais regionais, não apenas no caso do atual treinador do Vikings, mas também no de Jon Gruden, que precisou se demitir do cargo de técnico do Las Vegas Raiders em 2021, após o vazamento de e-mails de sua autoria, contendo linguagem racista, misógina e homofóbica, da época em que ele atuava como comentarista da ESPN.

No episódio envolvendo Gruden, o profissional acusou o comissário da NFL, Roger Goodell, e a liga de vazarem intencionalmente suas mensagens antigas, com o objetivo de prejudicá-lo.

Se a solução da câmara de arbitragem interna viesse a ser aceita, o árbitro que analisaria a denúncia de Gruden acabaria sendo nomeado pelo próprio Goodell, que é nomeado como réu no processo judicial movido pelo ex-treinador.

Na petição de 34 páginas apresentada à Suprema Corte dos Estados Unidos, NFL e as três franquias sustentam que decisão pela abertura dos processos for mantida, “os juízes, previsivelmente, verão essa discricionariedade ilimitada como uma licença para considerar inaplicáveis acordos de arbitragem de todos os tipos com base em uma invocação amorfa e sem padrão da inadequação processual”.