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NFL e PGA Tour mantêm veto a patrocínios de mercados de previsão

Enquanto ligas como NHL e UFC abrem as portas, a elite do futebol americano e do golfe reforça proibições por temor de integridade

Luther Burden III em ação durante partida do Chicago Bears contra o Green Bay Packers pelos playoffs da NFL 2025/2026 - Divulgação / Chicago Bears

A recente assinatura entre o golfista Bryson DeChambeau e a plataforma Kalshi marcou a primeira vez que um atleta de elite firmou um patrocínio direto com uma empresa do mercado de previsão. Com isso, a discussão sobre a validade desse tipo de parceria no universo esportivo gerou diferentes opiniões no mercado.

Tanto a NFL quanto o PGA Tour, por exemplo, reafirmaram que seus atletas continuam estritamente proibidos de promover esse tipo de plataforma, mantendo uma postura conservadora em um cenário regulatório cada vez mais complexo.

A resistência das grandes ligas expõe uma zona cinzenta na indústria de apostas. Embora as organizações esportivas estejam cada vez mais abertas às bets, o mercado mercado de previsão opera sob uma lógica e uma estrutura legal distintas. 

No mercado de apostas esportivas tradicional, o usuário joga contra a casa de apostas com probabilidades fixas ou dinâmicas definidas pela empresa. Já os mercados de previsão funcionam de maneira semelhante à bolsa de valores, em que os usuários compram e vendem contratos baseados na probabilidade de um evento ocorrer.

Nesse modelo de previsão, o preço do contrato flutua em tempo real de acordo com a demanda do mercado e as novas informações disponíveis, teoricamente oferecendo uma transparência guiada pela ação coletiva dos participantes.

A grande diferença regulatória reside no fato de que empresas como Kalshi e Polymarket operam sob a supervisão federal e não sob as leis estaduais de jogos de azar. Isso permite que elas atuem em estados onde as apostas esportivas tradicionais ainda são ilegais.

Integridade

Apesar da distinção técnica, a NFL não vê diferença prática no risco à integridade do esporte. A liga de futebol americano, apoiada por comunicados da Associação de Jogadores da NFL (NFLPA), deixou claro que considera os mercados de previsão como entidades de jogos de azar.

Portanto, segundo a política de apostas da liga, jogadores não podem atuar como embaixadores ou garotos-propaganda dessas marcas. A proibição foi reforçada através de canais internos, alertando que a falta de uma estrutura regulatória robusta representa uma ameaça.

A situação cria cenários polêmicos, como o do running back do Philadelphia Eagles, Saquon Barkley. O atleta é investidor da Polymarket, mas, devido às regras da liga, está impedido de realizar qualquer ativação de marketing ou endosso público da plataforma.

O PGA Tour adota postura similar, informando que essa categoria de patrocínio não é aprovada pela organização, distanciando-se do caminho trilhado pela rival LIV Golf.

A MLB (beisebol) e a NCAA (esportes universitários) também se posicionaram contra, com a última solicitando ativamente à agência reguladora federal a suspensão de ofertas relacionadas a esportes universitários até que regras mais claras sejam estabelecidas.

Enquanto isso, a NHL (hóquei no gelo) já possui parcerias tanto com a Kalshi quanto com a Polymarket, e franquias como o Chicago Blackhawks e o New York Rangers fecharam acordos individuais. O UFC e ligas emergentes de Padel e Pickleball também aderiram à tendência.