A National Hockey League (NHL) confirmou uma mudança nos repasses financeiros direcionados aos atletas, com a suspensão das deduções salariais destinadas ao fundo de garantia da organização. A alteração ocorreu em janeiro de 2025 e, agora, após a liga registrar um volume de arrecadação superior aos salários, os jogadores receberão um bônus recorde de US$ 170 milhões.
O valor configura a maior compensação financeira extra já registrada na liga, representando um acréscimo de 5,5% sobre o salário base de cada membro das equipes. As quantias serão definidas com exatidão nos próximos meses, após a conclusão da auditoria contábil e a revisão dos balanços por parte do sindicato dos atletas.
A devolução dos recursos beneficia os maiores salários do hóquei norte-americano. O atacante Leon Draisaitl, que joga pelo Edmonton Oilers, por exemplo, tem o maior salário da NHL e receberá um bônus de aproximadamente US$ 910 mil.
O retorno financeiro é consequência do aumento de faturamento para a NHL. A liga alcançou uma receita de US$ 6,8 bilhões, consequência da alta taxa de ocupação nas arenas ao longo do ano e os mais de 75 acordos de patrocínios.
A avaliação média de uma franquia da NHL saltou 108% em um período de três anos, atingindo US$ 2,1 bilhões, um desempenho que supera o crescimento registrado em ligas como NBA, NFL e MLB.
Nos próximos anos, a previsão é que o faturamento seja ainda maior. A liga norte-americana de hóquei no gelo iniciará um novo ciclo de direitos de transmissão no Canadá, que foi vendido por US$ 7,8 bilhões, mais do que o dobro do contrato anterior.
Entenda o mecanismo
O chamado “escrow”, que pode ser entendido como um fundo de garantia, é uma das regras do Acordo Coletivo de Trabalho (CBA) seguido pela NHL. O mecanismo prevê que todas as receitas geradas pelo hóquei devem ser divididas em 50% para os donos das franquias e 50% para os jogadores.
Antes do início das temporadas, a NHL e o sindicato dos jogadores da liga estimam quanto será o faturamento do ano. A partir disso, estabelecem o teto salarial para os times. Os salários dos atletas, porém, são definidos em contratos fixos, que não variam de acordo com as receitas da competição.
Se a liga tiver um faturamento menor do que foi projetado, o valor que poderá ser pago em salários ultrapassaria os 50% que devem ser destinados aos atletas. Para evitar que isso aconteça, uma parte dos salários é retida pela NHL e fica parada ao longo da temporada. Esse é o “escrow”.
No final da temporada, se a receita foi menor do que o projetado no início, a verba do “escrow” é repassada aos donos das franquias. O problema disso é que os jogadores, que assinaram contratos com valores definidos, acabam recebendo menos do que foi acordado.
Esse foi o cenário registrado pela NHL nos últimos anos, principalmente durante a pandemia do coronavírus, quando as receitas despencaram.
Existem, ainda, outras duas possibilidades. Se a receita executada foi igual ao que foi projetado, o escrow volta aos jogadores. Por fim, se o faturamento superar o planejado, os atletas recebem o dinheiro que foi retido e um bônus, que é o cenário da temporada 2025/2026.
Histórico
Olhando para o passado financeiro recente da NHL, os jogadores foram mais prejudicados do que beneficiados pela regra do escrow. Na temporada 2020/2021, disputada durante a pandemia do coronavírus, por exemplo, o mecanismo proporcionou uma taxa de retenção de 20% sobre os salários.
Nos anos seguintes, as taxas caíram para 17%, depois para 10%, chegando a 6% antes de serem suspensas no início de 2025. Nas temporadas 2023/2024 e 2024/2025, os atletas chegaram a receber bônus menores. O recorde, até então, foi registrado em 2005/2006, com pagamentos extras de 4,6%.
Agora, as projeções indicam que o fundo de garantia não deverá sofrer deduções na temporada 2026/2027, que começa em outubro.
