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Análise: Streaming ainda é refém de sistema antigo

Em ambiente de alta competição, canais de distribuição formam parte importante no negócio de streaming

Duda Lopes - São Paulo (SP) Publicado em 25/09/2019, às 08h01 - Atualizado às 11h01

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Os serviços de streaming chegaram para, em teoria, revolucionar o modo de consumo de conteúdo para a televisão. A seleção de canais passaria a ficar nas mãos do consumidor, livre de amarras das cada vez mais ultrapassadas TVs a cabo. O problema é que revoluções não acontecem do dia para a noite, e está cada vez mais claro quanto a velha força de venda se mantém relevante.

Não tem jeito: por enquanto, as companhias de streaming têm muita dificuldade de distribuição, com exceção da Netflix, a pioneira neste mercado. No fim, as empresas recorrem a velhos conhecidos do consumidor, como é o caso da Vivo com o Esporte Interativo, entre outros meios escolhidos pela marca da Turner no Brasil.

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Está longe de ser um ponto fora da curva ou algo exclusivo do mercado nacional. Nesta semana, o DAZN anunciou um caminho semelhante para conseguir mais espaço no mercado americano, ao fechar um acordo com a Comcast, gigante distribuidora de internet e TV paga.

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A companhia da Perform, por sinal, chegou a fechar uma parceria com a RedeTV! no Brasil, sem dúvida uma ação de promoção eficiente, mas curiosa ao ser observada pelo ponto de vista das novas tecnologias em que o segmento está inserido.

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O principal ponto é que, enquanto a Netflix ameaça as operadoras de televisão paga, os serviços de streaming esportivo ainda não são páreos para ameaçar a televisão tradicional. Um bom exemplo é a alta audiência da Globo na final da Copa do Brasil, quarta passada, em São Paulo, mesmo com o Corinthians em campo, pela semifinal da Copa Sul-Americana, torneio exclusivo do DAZN.

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Este é um modo claro de perceber que o streaming ainda está muito longe da realidade da maioria da população. Há um abismo entre ligar a televisão na Globo e fazer o cadastro em um serviço de internet, mesmo que ele seja gratuito. Na última quarta-feira (18), houve um número enorme de corintianos que ignoraram a partida do time e assistiram ao jogo exibido na Globo. Nesta quarta-feira (25), acontecerá a mesma coisa. É hábito.

A tendência é de mudança nos próximos anos, ainda que seja difícil competir com forças de venda já estabelecidas. No fim, o que seria uma revolução no modo de assistir ao conteúdo tem se tornado um braço, uma extensão das companhias mais tradicionais da telecomunicação. Até porque, em um ambiente de alta competitividade pelos serviços de streaming, a capacidade de distribuição aos consumidores pode representar um pilar fundamental na sustentabilidade do negócio.