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Caso de corrupção da Fifa beneficia marca de relógios suíça

Dirigentes tiveram que devolver presente de US$ 26,4 mil, dando publicidade involuntária à Parmegiani

Adalberto Leister Filho - São Paulo (SP) Publicado em 17/10/2014, às 08h31 - Atualizado às 11h31

Imagem Caso de corrupção da Fifa beneficia marca de relógios suíça

Os relógios da Parmigiani lançados em homenagem ao Brasil

Uma marca suíça de relógios de luxo acabou se beneficiando, sem querer, de um caso de corrupção no futebol. Tudo começou quando a Fifa ordenou a seus dirigentes que devolvessem o relógio da Parmigiani Fleurier, avaliado em US$ 26,4 mil, dado pela CBF de presente a alguns dirigentes da federação antes da última Copa do Mundo. Segundo a Fifa, o valor do presente era acima do permitido pelas regras da entidade.

O incidente deu à Parmigiani, relojoaria criada em 1976, uma propaganda gratuita inesperada. “O escândalo da Fifa teve um impacto excelente na percepção da nossa marca”, festejou Emilie Jacquot, da empresa suíça, em entrevista à agência Bloomberg.

Segundo a empresa, o fato de ter seu relógio escolhido como regalo para os dirigentes da Fifa, associando-o com o “alto luxo”, foi um impulso e tanto para as vendas. A empresa não sabia qual seria o uso do relógio quando recebeu a encomenda da CBF. A companhia trabalha com a confederação desde 2011, e possui uma coleção usando o futebol brasileiro como tema. A entidade comprou cada relógio por US$ 8.750, segundo o painel da Fifa que investigou o assunto.

Segundo Jacquot, o incidente só trouxe ganhos à marca. O número de visitantes do site da Parmigiani “cresceu e permanece mais elevado do que antes”. “A coleção da CBF é ainda mais apreciada do que antes. Ou, pelo menos, recebemos um monte de perguntas sobre ela”, diverte-se.

A Fifa, sediada em Zurique, adotou regras mais rígidas depois de enfrentar denúncias na última eleição à presidência da entidade. O candidato da oposição teria tentado subornar eleitores.

Dar ou receber presentes de valor alto é proibido pelo Conselho de Ética da federação. Por isso, os relógios deveriam ter sido rejeitados pelos destinatários. A Fifa disse que não iria punir quem devolvesse o presente até o dia 24. O material será doado a uma entidade comprometida com projetos de responsabilidade social no Brasil.

Um dos 65 dirigentes presenteados com o mimo, Michel D’Hooghe, membro do Comitê Executivo da Fifa, definiu o adereço como um “presente venenoso”.

“Descobri o relógio em um saco que foi colocado no nosso quarto. Só abri uma semana depois. Vi que havia um relógio com pulseira de plástico da marca Parmigiani. Para mim, Parmigiani é um queijo que você coloca no macarrão. Pensei que era uma espécie de Swatch”, afirmou o belga, referindo-se a uma marca de relógios mais barata.

Patrick Nally, que intermediou o primeiro acordo entre Fifa e Coca-Cola na década de 1970, disse que o incidente foi grave. “Eles [Parmegiani] devem estar rindo dessa situação. Mas duvido que se preocupem com altas vendas porque o relógio é muito caro”, afirmou o britânico.