Havelange rechaça política, mas contraria discurso

Ex-presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange foi a grande estrela da abertura da Soccerex, feira internacional de futebol sediada no Rio de Janeiro. Nesta segunda-feira, ele foi entrevistado no painel oficial de abertura do evento. Aproveitou o discurso para dizer, em três momentos, que não faz ou se mistura com questões políticas. E tergiversou o suficiente para mostrar que a história é radicalmente contrária.

A despeito da posição enfática de não se meter em questões políticas, o próprio Havelange deu exemplos do quanto isso teve um peso em sua trajetória. Por exemplo, o ex-dirigente esportivo citou um encontro que teve com Saddam Hussein, estadista iraquiano, para discutir o quanto os conflitos políticos do país poderiam influenciar sua participação no futebol internacional.

Havelange também relatou o quanto precisou costurar acordos políticos para fazer com que o Irã jogasse eliminatórias para a Copa do Mundo como país europeu. Falou ainda sobre visitas que fez a diferentes países de todo o planeta quando postulava assumir pela primeira vez a presidência da Fifa.

“Na verdade, essa foi minha única eleição na Fifa. Depois disso eu sempre foi aclamado, não eleito”, disse o brasileiro em seu discurso de abertura do evento internacional.

A ligação com a política, contudo, não ficou restrita à história de Havelange. O brasileiro também passou pelo tema quando analisou a disputa pelos postos de sede das Copas do Mundo de 2018 e 2022 e quando avaliou o futuro de Ricardo Teixeira, seu ex-genro e atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

No primeiro caso, Havelange foi menos enfático. Listou todos os países que tentam sediar a Copa do Mundo e não se mostrou favorável a nenhum. Anteriormente, o dirigente havia afirmado que gostaria que uma das edições do torneio acontecesse na Rússia.

O momento em que Havelange fez campanha de forma mais escancarada, contudo, foi a análise sobre Ricardo Teixeira. “Ele é meu ex-genro, foi casado com a minha filha e eu o conheço bem. Se ele for eleito e presidir a Fifa a partir de 2015, tenho certeza de que a entidade estará em grandes mãos e que ele poderá ser um grande administrador”, projetou.

Teixeira tem mandato assegurado na CBF até 2014. No ano seguinte, é possível que ele se candidate ao comando da Fifa, posto que Havelange já ocupou. Até agora, a entidade ainda não tem uma lista oficial de interessados no cargo.