Topper desiste e pode processar Bellucci

Em meio a um imbróglio sobre qual empresa será sua fornecedora de material esportivo, o tenista brasileiro Thomaz Bellucci usou uma camisa da Adidas no revés por 2 sets a 1 para o cipriota Marcos Baghdatis, na última terça-feira, na primeira rodada do Masters 1000 de Cincinnati. O visual, contudo, não indica uma definição sobre o futuro do atleta. Em vez disso, o fato pode apenas contribuir para que a definição tenha briga nos tribunais.

Diante da reação do tenista, a Topper, antiga parceira de Bellucci, desistiu de renovar contrato. A diretoria da empresa passou a tarde da última quarta-feira em reunião e ainda não tem uma posição oficial sobre o caso, mas é provável que a companhia acione judicialmente o atleta ou a Koch Tavares, empresa que gerencia a carreira dele, por conta da camisa usada na terça-feira.

O contrato de Bellucci com a Topper, assinado há três anos, terminou no dia 31 de julho. A empresa do grupo Alpargatas tem direito de preferência na renovação, e comunicou ao estafe do atleta que pretendia exercer essa cláusula. Entre o dia 4 e o dia 5, os representantes do tenista mostraram à antiga parceira uma proposta oficial da Adidas.

Segundo a Topper, a empresa teria um prazo de 20 dias a contar dessa data para dizer se cobriria a proposta da Adidas. Enquanto a antiga fornecedora de Bellucci estudava o caso e decidia se era um investimento válido, o tenista apareceu com a camisa da marca alemã.

“Foi uma coisa que surpreendeu a gente. A gente estava discutindo valores, vendo se vali a pena cobrir algo que foi apresentado. Na hora em que a gente estava conversando, foi pego de surpresa por ver o Bellucci jogando com uma camisa da Adidas. E com um tênis da Nike, o que é pior. Um tênis que deu bolha no pé dele do mesmo jeito, mostrando que a culpa não era nossa”, disse Gilberto Ratto, gerente de marketing esportivo do grupo Alpargatas.

A questão técnica foi o principal motivo de desgaste na relação entre Bellucci e Topper. O tenista reclamava de dores causadas por calçados da empresa, e chegou a ser autorizado pela parceira a usar artigos de outras marcas em competições recentes. Ele não participou do processo de criação da nova linha da companhia, lançada neste mês, mas seria obrigado por contrato a usar os tênis caso renovasse o vínculo.

A despeito de ter sido autorizado a utilizar outros calçados, Bellucci deveria continuar com roupas da Topper até ter uma definição sobre seu futuro. Ele continuou com uniformes da marca nos 16 dias posteriores ao término do contrato.

E para completar a celeuma, o contrato do tenista com a Adidas ainda não foi assinado. A negociação não foi confirmada nem pela empresa e nem pelo estafe do atleta. Interpelada pela Máquina do Esporte, a Koch Tavares disse que Bellucci deveria seguir com a Topper por “20 ou 25 dias” depois do término do contrato.