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Opinião / André Stepan

Opinião: Quando vamos atravessar a fronteira digital?

Presença de jogadores e treinadores estrangeiros é realidade no futebol brasileiro, mas clubes não exploram esse mercado

André Stepan, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 24/02/2022, às 07h57 - Atualizado às 07h59

Flamengo é um dos poucos times brasileiros a trabalhar conteúdo nos meios digitais em outros idiomas - Reprodução
Flamengo é um dos poucos times brasileiros a trabalhar conteúdo nos meios digitais em outros idiomas - Reprodução

Nos últimos anos, o Brasil tem se destacado no mercado sul-americano de clubes de futebol. O país mostra força no mercado com a contratação de jogadores de destaque de todo o continente e se destaca também esportivamente, com a conquista de 8 das últimas 12 edições da CONMEBOL Libertadores sendo prova disso. Entretanto, as equipes brasileiras ainda não atravessaram de forma sólida a fronteira digital.

Dentro da realidade de cada um (leia-se estrutura, com equipe e equipamento), os grandes clubes do Brasil fazem ótimo conteúdo e geram grande engajamento com as suas respectivas bases de torcedores brasileiros nas redes sociais. O trabalho feito é, de fato, excelente, mas também é um verdadeiro pecado não aproveitarem tão bem todos os seus ídolos estrangeiros e as inúmeras conquistas recentes para produzirem mais conteúdo de forma rotineira em outros idiomas e ultrapassarem as fronteiras.

Se colocarmos o foco apenas nos jogadores de outros países da América do Sul, por exemplo, a lista composta por ídolos recentes e jogadores que defendem as seleções é enorme. Para citar apenas alguns, temos: D’Alessandro, Gustavo Gómez, Guerrero, Soteldo, Kannemann, Isla, Arrascaeta, Viña, Kuscevic, Piquerez, Calleri, Nacho Fernández e Vargas. Quanto bom conteúdo poderia ter sido produzido a partir destes personagens? Uma infinidade.

No passado recente, o Flamengo se destacou como uma das positivas exceções entre os clubes do Brasil. Durante a passagem de Paolo Guerrero, o time se comunicou bem e com frequência em espanhol, diretamente com os torcedores peruanos. Além de muito conteúdo, ações de marketing utilizando as ferramentas de geolocalização das redes sociais foram realizadas para o Peru. O resultado foi um aumento exponencial na base de fãs no país do atacante. Atualmente, o clube carioca, aliás, é um dos únicos que mantém contas atualizadas em outros idiomas (espanhol, inglês e mandarim).

Quando há possibilidade de identificação por conta de jogadores e conquistas, o pequeno investimento para a produção de conteúdo em outros idiomas certamente refletirá no aumento da base de fãs estrangeiros nas redes sociais e, possivelmente, atrairá patrocinadores que queiram se comunicar com este público. Ou seja, vale a pena!

Pelo movimento do mercado, o número de jogadores (e treinadores!) estrangeiros no futebol brasileiro deve crescer cada vez mais. Depois de se consolidarem dentro de campo no continente, é hora de os clubes avançarem e também ultrapassarem as fronteiras com a produção de conteúdo digital. 

André Stepan é jornalista, pós-graduado em marketing esportivo, especialista em comunicação e conteúdo digital e escreve mensalmente na Máquina do Esporte