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Opinião / Reginaldo Diniz

Opinião: A (r)evolução do futebol brasileiro fora das quatro linhas

A virada de ano trouxe alguns ingredientes extras fora das quatro linhas que valem uma reflexão

Reginaldo Diniz, especial para Máquina do Esporte Publicado em 12/01/2022, às 08h05

Bitso terá a marca exposta na manga da camisa são-paulina, numa das novidades deste começo de ano no Brasil - Divulgação/SPFC
Bitso terá a marca exposta na manga da camisa são-paulina, numa das novidades deste começo de ano no Brasil - Divulgação/SPFC

Todo começo de ano é aquela mesma história: Copa São Paulo de Futebol Júnior com diversos jogos diários (muitos debaixo d’água) e o mercado da bola mais agitado do que o normal por conta da transição de jogadores. No entanto, a virada 2021/2022 trouxe alguns ingredientes extras fora das quatro linhas que valem uma reflexão.

Poderia esse movimento ser considerado uma nova (r)evolução no futebol brasileiro?

Recentemente, o Cruzeiro Esporte Clube tornou-se a primeira Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no Brasil. Isso significa que a agremiação agora será um clube-empresa, tendo como objetivo um novo modelo de gestão, mais profissional. Teto salarial mais baixo, renegociação de dívidas… nem mesmo o grande ídolo Fábio escapou! Esse formato empresarial, diga-se de passagem, deverá ser adotado por outros grandes times, entre eles o Botafogo de Futebol e Regatas.

Falando nisso, já ouviu falar de John Textor? O investidor americano ganhou destaque nos noticiários nas últimas semanas pela aquisição de 90% das ações da SAF Botafoguense. Textor tem em seu currículo esportivo a compra do Crystal Palace em 2021 (€ 103 milhões) e negocia para também adquirir o RWD Molenbeek, da segunda divisão belga. Em sua chegada ao aeroporto, centenas de torcedores do Fogão foram recebê-lo com festa, como se fosse um ídolo. Estão errados? Acredito que não!

Ainda falando em dinheiro que vem do exterior, a Bitso é a nova patrocinadora do São Paulo. A empresa mexicana é especializada em negociar criptomoedas (a mais famosa sendo a Bitcoin) e busca educar o mercado brasileiro para continuar sendo uma das maiores plataformas do setor na América Latina. A ideia é usar a moeda para qualquer tipo de transação, sendo o Tricolor do Morumbi o primeiro clube do mundo a permitir a aquisição de ingressos dessa forma.

Após um 2021 repleto de termos como NFT, fan token e criptomoedas, parece que a moda tem tudo para se popularizar. Segundo a retrospectiva do Google dos últimos 12 meses, a busca pelo termo “como comprar um bitcoin” superou inclusive o “como comprar ações”. Outra pesquisa, desta vez feita pela Fundação Getúlio Vargas, indicou que metade dos investidores em criptomoedas “entrou para esse time” entre 2020 e 2021, tendo entre 30 e 39 anos de idade.

Se todo esse movimento será uma onda passageira ou tendência, só o tempo irá dizer. Mas acho que depende muito de uma “educação” dos torcedores, no sentido de demonstrar como o sistema todo funciona. Mas uma coisa é certa: as mulheres chegaram para ficar! Ainda falando da Bisto, Beatriz Oliveira, head of brand Latam, assumiu o Marketing da empresa no final do ano passado com o objetivo de expandir a marca no país. A empresária Leila Pereira garantiu o favoritismo e ganhou a eleição para a presidência no Palmeiras, uma de poucas a conseguir esse cargo no futebol nacional. E, por fim, a atleta corintiana e da Seleção Brasileira Tamires tornou-se porta-voz da educação para as mulheres do futebol. Um movimento que veio para ficar!

Nesse começo de 2022, acredito que iniciamos mais do que uma revolução fora das quatro linhas no esporte mais amado do Brasil. É uma verdadeira evolução, com mais profissionalismo, investimento e representatividade. Porém, sempre há espaço para melhorar ainda mais! As possibilidades são infinitas. E você, quais caminhos enxerga para esse futuro?

Até a próxima!

*Reginaldo Diniz é fundador e Co-CEO do Grupo End to End e escreve mensalmente na Máquina do Esporte