O Comitê Olímpico do Brasil (COB) detalhou os novos desdobramentos da iniciativa de Floresta Olímpica do Brasil, voltada para a sustentabilidade. O projeto, focado na recuperação de áreas degradadas no bioma amazônico, atua em parceria com o Instituto Mamirauá e utiliza conhecimentos aliados à ciência para promover a regeneração florestal.
As operações estão concentradas na Comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, localizada na Floresta Nacional de Tefé (Flona), no interior do Amazonas. O cronograma da entidade estipula a continuidade das ações até a temporada de 2030, visando alcançar a marca de 6,3 hectares de área recuperada. Segundo os dados atuais, a organização já contabiliza quatro hectares em processo de restauração.
“Nestes dois anos, a Floresta Olímpica do Brasil vem amadurecendo como projeto de restauração e fortalecimento comunitário. Com o apoio técnico do Instituto Mamirauá, encontramos soluções adaptadas à Amazônia que unem ciência e tradição, provando que o esporte também pode inspirar sustentabilidade e impacto social”, exaltou Carolina Araujo, gerente de cultura e valores olímpicos do COB, departamento que centraliza as operações sustentáveis do comitê.
Metodologia
O principal mecanismo do projeto é a técnica da “muvuca de sementes”. O método descarta o plantio tradicional por mudas cultivadas em viveiros e adota o lançamento direto de uma mistura de sementes no solo previamente preparado.
Do ponto de vista logístico e financeiro, a escolha diminui os custos de transporte e reduz a necessidade de insumos e mão de obra, além de favorecer o enraizamento profundo da vegetação.
As atividades de campo mais recentes, iniciadas em janeiro de 2026, resultaram na semeadura de 256 quilos de sementes nesses quatro hectares. A composição inclui espécies de fixação rápida para cobrir o solo inicial, misturadas com árvores de desenvolvimento intermediário e tardio. A diversidade busca imitar o ritmo biológico natural da floresta.
“Para a realidade local, essa técnica é muito mais eficiente do que o plantio de mudas, pois o ambiente já oferece condições favoráveis à germinação. Com manejo adequado, as sementes se desenvolvem naturalmente”, afirma.
Impacto
A estratégia estruturada pelo COB e pelo Instituto Mamirauá também engloba objetivos de fomento socioeconômico. Durante o ano de 2025, o projeto promoveu treinamentos para capacitar moradores de diversas faixas etárias da comunidade ribeirinha na aplicação correta da técnica.
A curadoria das espécies vegetais priorizou o plantio de itens que possuem potencial para gerar renda futura e assegurar a alimentação da população local, como o açaí e o bacuri. Com a capacitação técnica concluída, os próprios moradores detêm o conhecimento para expandir a metodologia para novas áreas da região.
