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Ministro cancela novamente visto de Djokovic, que pode perder Australian Open

Decisão ainda pode ter recurso e deve se alongar no sábado e domingo, mas torneio começa na próxima semana

Redação Publicado em 14/01/2022, às 07h50

Novak Djokovic pode ser deportado e ficar impedido de entrar na Austrália pelos próximos três anos - Reprodução/Facebook Novak Djokovic
Novak Djokovic pode ser deportado e ficar impedido de entrar na Austrália pelos próximos três anos - Reprodução/Facebook Novak Djokovic

O visto australiano do tenista sérvio Novak Djokovic foi novamente cancelado poucos dias antes do início do Australian Open. Nesta sexta-feira (14), o ministro da imigração australiano, Alex Hawke, exerceu um poder pessoal concedido pelo país e decidiu cancelar o visto de Djokovic.

A decisão provavelmente resultará na deportação do tenista número 1 do mundo e o colocará fora da disputa do Grand Slam, exceto se acontecer uma nova vitória judicial do sérvio ao longo do final de semana, o que é visto como improvável por especialistas australianos.

O novo cancelamento do visto acontece após uma conturbada semana, em que Djokovic conseguiu, na segunda-feira (10), uma permissão da Justiça de entrar no país, após passar o final de semana dentro de um quarto de hotel detido pela imigração por não apresentar o comprovante de vacinação contra a Covid-19.

Djokovic levou para a Austrália um atestado dizendo que ele havia tido a doença há menos de um mês, o que permitiu a ele ter uma licença especial para disputar o Australian Open e a concessão para entrar no país. O documento, porém, foi questionado pela imigração do país, que o reteve no aeroporto e, depois, cancelou o visto de entrada. Djokovic, então, recorreu da decisão, e ficou num hotel até o “sim” da Justiça.

A lei australiana, porém, dá ao ministro da Imigração o direito de deportar as pessoas mesmo após decisões da Justiça. E Alex Hawke decidiu fazer isso na sexta-feira, pouco antes do início do Australian Open. A decisão foi tomada depois de Djokovic afirmar que mentiu na declaração de entrada ao país, culpando, porém, seu agente por ter preenchido os papéis e declarado que ele não havia estado em nenhum outro país antes da ida a Austrália.

Além disso, o documento do tenista apontou que ele testou positivo para Covid no dia 16 de dezembro, sendo que no dia 17 ele participou de um evento com crianças onde ficou sem máscara e, dias depois, deu entrevista ao jornal francês L’Équipe, descumprindo o isolamento social que deveria ficar por conta da contaminação.

A opinião pública australiana, que já estava dividida, foi ainda mais crítica ao tenista, o que reforçou o apelo para que Hawke tomasse uma atitude pela deportação de Djokovic. Com a decisão, o tenista pode ser efetivamente impedido de reentrar na Austrália por três anos, a menos que possa mostrar em futuras idas ao país que existem circunstâncias convincentes, como motivos de compaixão ou interesse nacional australiano, para a sua presença.

Em um comunicado, Hawke disse que cancelou o visto “por motivos de saúde e boa ordem, com base no interesse público”.

“O governo está firmemente comprometido em proteger as fronteiras da Austrália, particularmente em relação à pandemia de Covid-19”, declarou o ministro.

Djokovic não foi levado de volta à detenção de imigração, mas participará de uma entrevista com autoridades de imigração neste sábado (15). Depois dela, ele pode optar por deixar a Austrália ou recorrer novamente da decisão. Muitos juristas consideram pouco provável que o atual campeão do Australian Open consiga defender o título que já conquistou nove vezes.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse que os australianos “fizeram muitos sacrifícios durante a pandemia e esperam, com razão, que o resultado desses sacrifícios seja protegido. Isso é o que o ministro está fazendo ao tomar essa decisão”. O principal líder político australiano não comentou mais sobre o caso por conta de “procedimentos legais em andamento”.

Na quinta-feira, Morrison havia dito que esperava que as autoridades aplicassem as políticas do governo de que os não-cidadãos australianos e não-residentes só poderiam entrar no país se estivessem vacinados pelo menos duas vezes ou com uma isenção médica aceitável.