O Rio Open 2026 está sendo realizado desde o último sábado (14). Além de grandes nomes do tênis, o torneio também conta com a participação de diversos jovens beneficiados pelo pilar social do evento, parte considerada importante para o destaque comercial do único ATP 500 da América do Sul.
“O pilar social está no nosso DNA. Desde 2014, quando começamos, sempre tivemos essa preocupação de fazer essa entrega, de incluir e devolver para a sociedade”, contou Thomaz Costa, vice-diretor do Rio Open, em entrevista à Máquina do Esporte.
Atualmente, o torneio, promovido pela IMM, é apoiador de quatro projetos no Rio de Janeiro: Tênis na Lagoa, Instituto Futuro Bom, Escolinha de Tênis Fabiano de Paula e Projeto Paraty Tênis. Entre as comunidades beneficiadas, estão Rocinha e Pavão-Pavãozinho.
“Além disso, temos dois projetos sociais próprios do Rio Open, que é o Nero [Núcleo Esportivo Rio Open]. Temos um núcleo na Barra [da Tijuca] e outro em Campo Grande”, lembrou Costa.
Durante a semana em que o Rio Open é realizado, o apoio às iniciativas sociais alcançam o auge com a realização do Torneio Winners. A competição reúne os projetos apoiados em disputas em seis categorias, sendo quatro masculinas e duas femininas.
“Nossa ideia é incluir, trazer essa molecada para dentro do esporte e dar a opção de lazer para eles. É muito no intuito de trazer, mostrar o esporte e quebrar um pouco a ideia de que é uma coisa elitista. É por esse viés que tentamos trabalhar”, explicou o vice-diretor do Rio Open.
Capacitação
A prática esportiva pode ser uma ferramenta eficiente para a superação da vulnerabilidade social sofrida pelos jovens, mas enfrenta uma barreira importante: a vida adulta e suas responsabilidades.
“Fomos percebendo que grande parte dessa molecada, quando chega aos seus 18 ou 20 anos, entra no esporte com a expectativa de ser jogador, de ter uma carreira profissional dentro da quadra. Percebemos que várias vezes eles acabavam se desencantando com o esporte, porque precisavam trabalhar e não sabiam como fazer”, disse Thomaz Costa.
Tendo isso em vista, o Rio Open também investe na promoção de cursos de capacitação, para permitir que os jovens envolvidos nos projetos possam fazer do tênis sua profissão.
“Começamos a promover cursos de encordoamento, para ser juiz de linha e de cadeira, e para ser treinador. Para treinador, já fizemos todo o módulo nível 1 da ITF [Federação Internacional de Tênis] e formamos cerca de 40 meninos nesse nível”, contou o executivo.
“Temos esses meninos trabalhando em academias, inclusive de alto rendimento. São meninos que passaram pelos projetos e por esse programa que a gente promoveu”, prosseguiu.
As iniciativas também incluem bolsas escolares e a criação de experiências que aproximam os jovens do mais alto nível do tênis mundial.
“Levamos esses meninos para centros de treinamento, como o da IMG Academy. [Temos] meninos que foram como boleiros no ATP Finals em Londres, onde tiveram a oportunidade de estar com Djokovic, Federer e Nadal, além da Copa Guga”, enumerou Costa.
O Rio Open, maior torneio de tênis da América do Sul, acaba se tornando um palco para o desenvolvimento dos jovens envolvidos no projeto. A realização do evento cria oportunidades de estágio e integração dos participantes ao ambiente profissional de alto rendimento.
“Nesta edição, estamos com 20 jovens trabalhando nas mais diversas áreas da produção. Tem gente no serviço dos atletas, ajudando no controle de acesso e na parte de tecnologia de quadra. Sempre tentamos trazer para eles que o intuito final é mostrar que o tênis e o esporte são muito mais do que o esporte dentro de quadra”, detalhou o vice-diretor.
Multiplicador
A organização do Rio Open enxerga as ações sociais como uma forma de multiplicar o impacto que causa no tênis, como fomentador da modalidade. O movimento pode, a longo prazo, se reverter em um aumento do número de fãs que se interessam pelo torneio.
“É um multiplicador. Vamos dizer que convertemos esse jovem em um treinador de tênis. Ele vai ter seus alunos e vai multiplicar essa paixão pelo tênis, o que pode depois voltar, e o aluno dele passar a frequentar o Rio Open”, analisou Thomaz Costa.
As ações sociais também funcionam como uma forma de expandir temporalmente o contato do Rio Open com a comunidade carioca. A partir do fomento dos projetos, o torneio marca presença durante todo o ano, para além dos dias de realização no Jockey Club Brasileiro.
“Fazemos uma outra edição do Winners, que é o torneio de projetos sociais que realizamos aqui, em outubro, e em julho fazemos uma viagem para um centro de treinamento com eles. É um acompanhamento ao longo do ano inteiro, que reforça o nosso compromisso com o social e não é uma coisa pontual”, exaltou o executivo.

Comercial
A preocupação do Rio Open em estar próximo de projetos sociais ligados ao tênis também traz benefícios ao evento como marca e expressam um posicionamento que agrada potenciais parceiros.
“Ouvimos muito quando estamos apresentando esse viés para possíveis futuros clientes. Eles ficam surpresos, falam que fazemos um trabalho incrível ao longo do ano e até brincam que tem gente que faz muito menos e faz muito mais barulho”, comentou.
Os investimentos nas iniciativas se tornam um diferencial comercial, a partir do alinhamento de valores com patrocinadores que também veem no esporte um caminho para a evolução do impacto social que causam.
“Sem dúvida nenhuma, quando eles entendem a seriedade do nosso trabalho, isso se torna um diferencial na tomada de decisão. Em vários contratos entendemos que os diferenciais eram justamente o fato de fazermos um trabalho sério”, avaliou o vice-diretor do Rio Open.
“Nossa ideia é sempre ampliar, expandir e ter mais famílias e crianças atendidas. Essas crianças depois estão envolvidas em um trabalho legal, com saúde e bem-estar. Acho que isso só engrandece o torneio e as instituições que a gente apoia”, concluiu.
O Rio Open 2026 será disputado até domingo (22). Neste ano, pela primeira vez, o Brasil teve seis jogadores na chave de simples. Já nas duplas, foram dez representantes do país iniciando a chave principal.
