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Corrida de rua e música se aliam por novos públicos, experiências e conexões

Artistas e bandas têm cada vez mais transformado seus nomes, repertórios e comunidades em ativos para criação de eventos esportivos

Corrida 100% Você, encabeçada pelo cantor Bell Marques e seus filhos, termina com show musical no Recife (PE) - Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • Artistas e bandas no Brasil estão criando eventos de corrida ligados às suas marcas e públicos, como Bell Marques e Thiaguinho.
  • O Iron Maiden realizará a primeira corrida oficial da banda no mundo em São Paulo, unindo corrida e show temático.
  • A combinação de música e corrida atrai novos públicos, mas eleva custos e exige modelos de negócio sustentáveis.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Por muito tempo, a relação entre corrida de rua e música esteve restrita à trilha sonora ou às apresentações que animavam as arenas das provas. Agora, a associação começa a ganhar outra dimensão, com artistas e bandas transformando seus nomes, marcas, repertórios e comunidades de fãs em ativos para a criação de eventos esportivos.

O movimento ganhou força no Brasil nos últimos anos e tem encontrado diferentes formatos. Há circuitos criados por artistas, como a Corrida 100% Você, de Bell Marques, provas associadas a grandes projetos musicais, como a Corrida Tardezinha, anunciada por Thiaguinho para 2027, e eventos temáticos de bandas internacionais, caso da Run for Your Lives, primeira corrida oficial do Iron Maiden no mundo, marcada para outubro, em São Paulo (SP).

A aproximação representa uma possibilidade de ampliar o público e criar novas experiências em um calendário cada vez mais disputado para as corridas de rua, enquanto para a música trata-se de uma maneira de transformar a relação entre artista e fã em uma experiência presencial que vai além do tradicional show.

“Vejo com muito bons olhos a entrada de grandes artistas nas corridas de rua. Quando nomes como Thiaguinho, Bell Marques e até bandas internacionais enxergam a corrida como uma forma de se aproximar dos fãs, isso mostra a força e a relevância que o nosso mercado conquistou”, disse Guilherme Celso, presidente da Associação Brasileira de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo), à Máquina do Esporte.

Identidade

Um dos exemplos mais avançados desse movimento no Brasil é a Corrida 100% Você, encabeçada por Bell Marques e pelos filhos Rafa e Pipo Marques. Criado em Salvador (BA), o projeto ganhou escala nacional e passou por diferentes capitais brasileiras.

Em 2025, o circuito realizou 12 etapas e reuniu mais de 110 mil participantes, segundo dados divulgados pelo próprio evento. Para 2026, a previsão anunciada é superar 25 cidades e chegar a aproximadamente 200 mil corredores. As provas combinam percursos de 5 km e 10 km com uma apresentação musical após a corrida.

A lógica é diferente de simplesmente contratar um cantor para fazer o show de encerramento. Nesse caso, a identidade do artista está incorporada ao próprio produto esportivo, que passa a funcionar também como uma plataforma de relacionamento com a base de fãs.

O mesmo caminho será seguido por Thiaguinho. O cantor anunciou a Corrida Tardezinha para 2027, que leva para o running a marca de um dos maiores projetos de sua carreira. Embora ainda não tenham sido divulgadas datas e cidades, a proposta apresentada indica a combinação da prova com a atmosfera dos shows e, potencialmente, uma apresentação musical.

“Esses eventos também têm potencial para trazer um novo público para o esporte. Muitas pessoas podem chegar pela música, experimentar uma corrida pela primeira vez e, a partir daí, se tornarem novos corredores”, avaliou Celso.

O Iron Maiden, por sua vez, levou a possibilidade para uma escala global. A banda britânica fará em São Paulo (SP), no próximo dia 10 de outubro, a primeira corrida oficial de sua história.

A Run for Your Lives terá uma prova noturna de 5 km pelo centro histórico da capital paulista, além de caminhada e corrida infantil. O percurso passará por pontos como Teatro Municipal, Viaduto do Chá, Pátio do Colégio e Galeria do Rock.

Os kits têm nomes inspirados em clássicos do Iron Maiden e itens relacionados à identidade visual da banda, incluindo o mascote Eddie. Depois da chegada, haverá um show da The Beast Experience, cover do Iron Maiden.

São Paulo foi a cidade escolhida pela maior conexão do público brasileiro com o grupo. A corrida ainda funcionará como abertura das celebrações que antecedem os shows da banda no Brasil, que serão realizados na capital paulista e em Curitiba (PR).

Consumo

Para Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports, a aproximação entre os dois setores faz parte de uma transformação nos hábitos de consumo e entretenimento, principalmente entre o público jovem.

“A gente vem falando há muito tempo da fusão desses dois universos. Há outros sinais como a queda notável de consumo de álcool por jovens. É um sinal de troca da noite pelo dia”, avaliou o executivo, que também é colunista da Máquina do Esporte.

A tendência se soma à viralização das corridas de rua, algo que cria condições para eventos do tipo atraírem tanta gente quanto um show. Isso elimina o receio de que o esporte seja um ambiente pouco adequado para o entretenimento de massa.

“Já não é perigoso atrelar corrida a um show por medo do volume de pessoas”, acrescentou Krutman.

A combinação cria uma oportunidade para os dois lados. A corrida ganha novos participantes e experiências, enquanto o entretenimento encontra um público que já está reunido em torno de uma atividade de bem-estar.

“Para o esporte é muito bom. Atrai gente nova que nunca tinha pensado em correr e agora tem uma nova transversal no seu universo. Para o entretenimento, é inevitável”, apontou o CEO da Ticket Sports.

Oportunidade e desafio

Com mais eventos disputando a atenção dos corredores, oferecer apenas um percurso já não necessariamente basta para criar uma experiência capaz de se destacar. A presença de um artista, uma banda ou uma propriedade musical acrescenta uma camada de identidade ao evento.

A expansão desse modelo, porém, também aumenta a complexidade das provas. Shows, estruturas maiores, artistas conhecidos e experiências temáticas elevam os custos e, consequentemente, o risco do evento.

“É fundamental que os organizadores façam muito bem essa conta e, principalmente, deem o devido valor ao trabalho e à responsabilidade de organizar uma corrida de rua”, lembrou Guilherme Celso.

O desafio, portanto, é fazer com que o show seja mais do que um elemento de atração e consiga efetivamente contribuir para o modelo de negócio da prova. Inscrições, patrocínios, ativações, produtos licenciados e experiências podem se tornar fontes complementares de receita, mas precisam ser dimensionados de acordo com o público e com a estrutura necessária.

“É um movimento muito positivo para o mercado, desde que esse crescimento aconteça com modelos de negócio sustentáveis para todos os envolvidos”, resumiu o presidente da Associação Brasileira de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo).